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Marana .  

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Marana

“Sim, o povo é extremamente poderoso. O segredo é não deixá-lo descobrir isso. Você tem de saber manipulá-lo. Dê ao povo o que ele acha que precisa e poderá tirar-lhe o que quiser. Um homem esquece mais facilmente a morte de seu filho do que a perda de seu dinheiro.”

Augustu Zeneri VI,  “O Tirano” - Rei de Marana

Marana sempre foi tida em todo Mundo Conhecido como uma terra de exuberante esplendor e inegável semelhança com, ao que dizem, a maior e mais evoluída de todas as cidades tagmarianas, Saravossa. De fato, isso não é de forma alguma uma inverdade, posto que a poderosa e bela influência do extinto reino dos Moldas, foi o fermento que concebeu essa fantástica nação, exemplo vivo de até onde a influência Molda se estendeu na porção norte e central de Tagmar.

Sua geografia é caracterizada por longos planaltos e planícies cobertos com uma abundante vegetação rasteira, com destaque para sua grama sempre verde. A porção mais norte do reino é bem montanhosa, o que acaba por determinar um clima bem diferente para essa parte do reino, variando de bem frio no outono e principalmente no inverno, a um forte calor na primavera e principalmente no verão; sem dúvida efeito da grande aproximação com os Palomares. Entretanto, da porção central ao sul do reino, o clima é bem mais ameno e propício ao cultivo de uma grande variedade de culturas, que sem dúvida nenhuma são bem conhecidas nas mesas locais, e até nos reinos vizinhos, o que coloca Marana como um também forte reino agrícola. Destaque para o bom clima na porção mais leste do reino, onde a presença da imensa floresta de Fiorna funciona como um bálsamo para as cidades próximas e vilas vizinhas, tornando a umidade relativa do ar bem alta e o solo extremamente fértil. Sem contar que a floresta é responsável por quase todo suprimento de madeira do reino.

De uma forma geral há sempre uma grande presença de árvores espaçadas sendo normalmente coníferas, exceto na beira dos rios e nos pequenos bosques espalhados pela região, onde árvores frutíferas podem ser encontradas. A terra em todo o reino é bem fértil, apesar de não raro, eventuais problemas com uma espécie de formiga local, cabeçuda e de um característico vermelho fogo, chamada pelos locais de  “formiga de fogo”, cuja picada gera grandes coceiras e podem levar até a febre, dependendo da quantidade de veneno administrado, ou da constituição física da pessoa atingida, podendo destruir lavouras inteiras. Os minérios mais comuns são: estanho, cobre, zinco e ferro, encontrados com certa dificuldade em cavernas e rios. Nos últimos tempos alguns dos famosos e assustadores lobos cinzentos de Filanti tem cruzado as bordas de Gironde em direção a Marana a fim de disputar território com os predadores locais, os mais atingidos por esta praga é sem dúvida a cidade de Litória, que já começa a querer se especializar em caçar e comercializar pele de lobo. Apesar dos lobos ainda causarem muito medo, alguns já vêem nisso a possibilidade de um bom negócio.

O país possui boas estradas, construídas para suprir a necessidade de transporte de suas caravanas internas, bem como as que chegam dos reinos vizinhos, o excedente da produção não chega a ser numa quantidade que poderia se caracterizar em um comércio maior, mas de fato os grandes e pequenos fazendeiros que moram próximos as fronteiras, vendem seus excedentes para seus vizinhos. As estradas até bem pouco tempo eram muito bem cuidadas, mas devido aos últimos acontecimentos, a preocupação das autoridades regentes com o processo de militarização a que esse passa, começa a deixar suas seqüelas nesses pequenos e importantes detalhes administrativos, entretanto sabe-se que elas não chegarão a estar em más condições posto que elas são vitais para a boa movimentação das tropas.

Na porção sudeste do reino a pescaria é uma atividade de grande destaque, constituindo de fato a grande fonte de renda das vilas e cidades mais próximas ao mar. A principal cidade nessa parte do reino é Sensera, onde a pesar da distância do mar, é possível encontrar uma grande variedade de gêneros marinhos em seu mercado, habilmente abastecido por comerciantes das pequenas vilas litorâneas. Marana possui uma boa frota de barcos pesqueiros, que são mais numerosos do que compostos por barcos de grande porte, porém até agora Marana carece de uma boa frota marítima de guerra, o que já da claras demonstrações de mudar, a julgar pela frenética movimentação em algumas vilas mais ao leste do reino, e no recente surgimento de novos estaleiros.

Surgido da união de diversas pequenos reinos, que alguns dizem ter ocorrido por volta de 750 D.C., Marana era um grande reino que se estendia do Lago Denégrio até o Mar do Leste. Devido a influencia dos antigos Moldas, que se encontra ainda arraigada em seu povo e pela insegurança em relação aos seus vizinhos mais belicosos, Marana - embora um reino pacífico - conta com um forte sistema de defesa, reunindo enormes exércitos que patrulham toda a extensão de suas fronteiras. Em 1250 D.C., os Verrogaris, com o apoio das tropas Bankdis, invadiram o território leste do reino. A guerra contra o poderoso reino de Verrogar se estende muitas décadas, culminado com a queda de Marana, em 1289 D.C., tendo todo seu território subjugado pelas forças demoníacas... A partir de então, um longo e negro período se seguiu, onde os cultos aos deuses foram duramente reprimidos e o povo cruelmente escravizado. Mesmo sobre forte opressão o povo de Marana manteve sua fé, proferindo orações ocultas em templos clandestinos. Entretanto, os dias negros finalmente passam e com a derrota da Seita, o clero de Selimom - sob a orientação da corte de Saravossa - assume o controle do reino, permanecendo no poder até a morte do Mais Sábio, em 1450 D.C. Um ano depois, diversos reinos de Tagmar desligam-se oficialmente de Saravossa, inclusive Marana e, sem a presença de seu idealizador, chega ao fim a Unificação e Elberto Zeneri IV, ao casar-se com uma descendente direta da família real de Marana, assume o trono do reino, dando início a uma nova Era ao reino.

Governo

O sistema de governo Maranense é uma monarquia democrática hereditária, onde o filho mais velho do rei, exceto em caso de morte, doença incapacitante (como coma ou insanidade) ou reprovação de grande parte do senado, assume o trono. O antigo rei era Elberto Zeneri IV,  “O justo”, que infelizmente passou ao reino de Cruine e deixou o poder nas mãos de seu único filho, Augustu Zeneri VI, que muitos ultimamente estão chamando Augustu, ‘O Tirano’.

Ao lado do rei governa o Conselho dos Sábios, também chamado de senado, e que é composto por 10 representantes do povo, dois para cada região, numa eleição feita, normalmente, a cada cinco anos. A nobreza é composta por membros das famílias fundadoras, antigos comerciantes que enriqueceram o suficiente para comprar um título, e descendentes de antigos heróis, apesar da honra e do heroísmo já terem sido esquecidos por muitos em favor do acúmulo de terras, gerando grande conflitos e boatos de fantasmas em busca da honra perdida.

A família Zeneri é atualmente a família real, tendo o arquiduque Elberto Zeneri assumido o poder,logo após o fim da Unificação. Para isto, ele casou-se com a herdeira da antiga família real Esmeralda, apoiado pela maioria dos nobres locais. O repúdio inicial à ex-família real foi grande nos primeiros anos, porém, este se diluiu em parte com o tempo, principalmente porque alguns bravos membros da família tinham se tornado heróis, dando suas vidas na luta contra os demônios da Seita.

O rei Augustu Zeneri VI assumiu o governo há 4 anos, logo após a morte de rei Elberto Zeneri IV, seu pai. Sua mãe, Eurídice Zeneri, está muito doente, e encontra-se sob os cuidados da  “Casa Real de Cura”. E seu único irmão, Orsini Zeneri, exímio diplomata (ao contrário do irmão), está em viagem de negócios no reino de Filanti, tentando angariar a confiança dos nobres locais e, principalmente, entender o por que, da mudança tão brusca de atitude em relação ao reino de Marana. A pesar de Augustu dar mostras de ser um rei forte e de não temer a guerra, Orsini sabe que a verdade não é bem essa, e que uma guerra aberta com Filanti seria catastrófica.

A milícia, que antes se resumia a alguns prebostes e uns poucos sargentos, tem aumentado de maneira surpreendente, os prebostados estão surgindo em todas as cidades, e os coletores de impostos estão sendo vistos cada vez mais nas ruas até das pequenas vilas nos dias de hoje. Afinal, armar um reino e formar um grande exército custa de fato muito dinheiro. O aumento do contingente das milícias tem seu lado positivo, brigas e contendas são mais facilmente controladas; as agressões físicas passaram a ser advertidas com multas, tudo passa a ser motivo de angariar mais dinheiro para os cofres reais. Quando a violência é perpetrada contra membros do governo, seja simples agressão, roubo, seqüestro, etc… a multa é ainda mais vultosa, e a desculpa que paira na boca de todos os tenentes é que um crime contra um membro do governo é um crime contra a coroa. É claro que por mais que o poder real se esforce em conter os roubos, a corrupção acaba sendo impossível de se conter de forma completa, e alguns prebostes têm feito alguma fortuna com pequenos desvios.

“Todos” os assassinatos são (“deveriam”, seria a palavra certa) punidos com o rigor máximo, que inclui mutilações, prisão e morte. Contudo, as leis não se aplicam as pessoas de posses. Os ricos e nobres pagam o esquecimento de suas faltas e a indulgência real com bastante ouro. Mas quando o infeliz é uma pessoa simples, incapaz de pagar a multa por seu crime, este fatalmente acaba sofrendo as mortificações da lei.. Todo prisioneiro é considerado escravo, a serviço da coroa, podendo ser vendido em mercados estrangeiros, normalmente em Verrogar, ou enviados para toda sorte de trabalhos forçados, seja nas minas, seja nas carvoarias, na extração de árvores ou até mesmo no cultivo de víveres que devem preencher os celeiros reais, bem como os militares.

O exército maranense é um organismo em crescimento, devido ao fato do reino ser essencialmente devoto de Selimom, não havia uma grande preocupação com esse aspecto belicoso, porém, os últimos acontecimentos na política externa e os posicionamentos tomados pelo atual monarca, começam a mudar drasticamente esse panorama. Hoje já existem dez tropas constituídas, ainda que em oito delas a maioria dos seus membros, com exceção talvez dos oficiais, sejam camponeses recém-convocados, que não possuem sequer o devido treinamento, o que faz das tropas maranenses não profissionais e extremamente inexperientes. O grupo de elite dos exércitos maranenses, e que é quase que a única força militar profissional do reino, é chamados de  “Os Iguais”, as tropas recém-criadas foram chamadas de  “Legiões”.

Alguns mercenários começam a ser contratados para constituir um exército profissional à parte. Essa determinação do monarca desagradou bastante alguns de seus súditos mais importantes, posto que exércitos de mercenários possuem uma lealdade ao menos duvidosa, mas Augustu replica energicamente que situação extrema pede medidas extremas. A única salvação para a inexperiência dos exércitos maranenses, caso o reino venha realmente a entrar em guerra, pode vir na figura da pessoa mais improvável para esse tipo de situação, o alto Sacerdote de Selimom em Marana, Echoriom Anoriel, um Elfo Dourado bem sábio e antigo, que tem mantido nos últimos tempos um intenso contato com o Sumo Sacerdote da Ordem de Selimom em Marana, Elros d´Galatel, para o qual Echoriom tem solicitado incessantemente a intervenção dos Pacificadores, exército de elite da Ordem de Selimom. Elros não tem se demonstrado insensível ao problema maranense, contudo, ele sempre responde a Anoriel que deslocar os pacificadores até Marana pode ser um problema grave, e que a única forma de fazê-lo talvez seja por mar.

História Recente

Elberto Zeneri IV “O Justo”, fora realmente um dos maiores reis de Marana, durante seu reinado de quase quarenta anos Marana foi sem dúvida um ótimo lugar para se viver, não só para os ricos e poderosos, mas, na medida do possível, até para os menos favorecidos. Elberto não foi um grande general, tão pouco um grande conquistador, mas acima de tudo Elberto foi o que Marana mais precisava: um grande administrador. Após o fim da Unificação Elberto re-estruturou todo o sistema de impostos do reino, melhorou alguns pontos, extinguiu outros, e de uma forma bem justa. Elberto até criou algumas novas taxas de impostos para cobrir algumas falhas na estrutura governamental, mas esses valores eram de tal forma justos e tão bem colocados para o povo, que nem isso manchou a figura do monarca. Zeneri como fiel devoto de Selimom sempre fora adepto da paz, e durante esses quase quarenta anos de reinado o povo sinceramente viveu mais feliz devido à completa ausência de guerras, internas e externas. O total apoio da coroa ao clero de Selimom deu a estes fundos monetários e liberdade de ação para espalharem a bênçãos do deus da paz por todo o reino.

Elberto também sempre foi amante das artes e do saber, e de uma forma bem visível boa parte dos fundos arrecadados com os impostos foi remetido em infra-estrutura e incentivo as artes em geral, o que fez de Marana um reino muito belo e com uma população bem culta. Como administrador Elberto não ignorava que o comércio é ponto crucial para a sobrevivência de um reino, sendo assim, as principais estradas e rotas comerciais por todo o reino estavam sempre em ótimo estado de conservação, sem contar que em pontos estratégicos estas eram muito bem guardadas por torreões, normalmente com a presença de seis ou sete membros da milícia em cada torre. Toda caravana mercante que passe por estes postos de controle deve pagar uma taxa que será revertida na conservação das estradas e no soldo da milícia que guarda as mesmas.

Entretanto, esses bons dias se foram com a morte do “Justo”, e agora seu filho Augustu Zeneri VI  “O Tirano,”, assumiu o poder de forma fulminante, demonstrando que o novo monarca pretende comandar o reino com mão de ferro e que não haverá tolerância ou piedade para oposições ou opositores. A primeira atitude de Augustu ao colocar a coroa sobre a cabeça foi o de destituir (e secretamente ordenar a morte) o  “fraco” general das tropas maranenses que serviu fielmente seu pai durante todo o seu reinado, Farim Amec,  “O calvo”. E colocar no poder um homem de sua inteira confiança, e que compartilha de seu turvo ponto de vista: um conhecido fomentador de guerras de nome Karr. Karr é um temível gigante, de cabelos amarelos e olhos verdes, mais de dois metros de altura e de pouco mais de 30 anos. Abertamente, Karr é um profundo devoto de Blator, mas muitos que o conhecem pessoalmente já se perguntaram pelo menos uma vez se não é para Crezir que ele deveria jurar sua fé. Karr é um homem de guerra e não de paz, e se este não estiver fazendo guerra com os países vizinhos, estará massacrando o povo, ou não estará satisfeito. Essa terrível energia destrutiva que emana dele não pode ser facilmente canalizada ou represada. Sabe-se que Karr não é maranense, até seu biótipo físico denuncia sua origem estrangeira, mas não se sabe ao certo de onde que o atual general de Marana vem, apesar de muitos especularem que ele vem das terras do norte, mais especificamente de Filanti.

Com o apoio de Karr, e conseqüentemente do exército que Karr mantém sob seu comando através de seus oficiais de confiança, que pelos traços raciais compartilham da mesma origem do general; a segunda decisão política pública que o monarca tomou foi decretar a renovação do Conselho dos Sábios, e mais uma vez secretamente ordenou a Karr que desse cabo de todos os seus membros atuais. As razões para tal eram bastante óbvias: o Conselho dos Sábios se opunha a quase todas as decisões tomadas por Augustu, mediante a isso ele simplesmente resolveu acabar com o problema. Augustu agora se ocupa em escolher os nomes certos para criar o seu próprio conselho de sábios, contrariando totalmente as determinações implantadas por seu falecido pai e seus antepassados.

Sua terceira atitude no poder não poderia ser menos chocante e destrutiva, sem consultar a ninguém (a não ser Karr), e por motivos até então desconhecidos, Augustu simplesmente ordenou o fechamento da secular Biblioteca Real construída com a ajuda dos Elfos Dourados. Karr mais que depressa se apossou dela e fez lá seu quartel general particular, mantendo agora sob sua influência direta o prédio da milícia e a biblioteca. Karr não tardou a proibir a entrada de todos seus antigos funcionários no prédio, declarando que agora ele era um complexo militar, e não economiza palavras e tratamentos rudes aos de origem élfica, principalmente os dourados, o que tem criado um grande êxodo destes de volta para Âmiem.

O último fato estarrecedor de que se tem notícia é que um levante está se criando pelos lados da Floresta de Fiorna, nada que já não fosse esperado depois das catastróficas medidas do novo rei. Dizem que tudo começou após o desaparecimento do sábio de nome Rofir, que era o representante de Kaliana no Conselho dos Sábios. Esse levante aparentemente está sendo liderado por três homens desta cidade. Esse movimento que até agora corre sem maiores intervenções do monarca ou de seu general, está ganhando corpo rapidamente e dentro em breve talvez já não seja possível parar essa máquina de guerra que ameaça levar Marana ao caos total.

O Povo de Marana

A população maranense é composta como em quase todo o Mundo Conhecido de uma maioria humana, com a diferença de que em Marana essa maioria não é assim tão absoluta como em outros reinos mais xenófobos quanto a membros de outras raças. Os humanos de Marana são pessoas de estatura média, de tez variando de branca a levemente morena, com cabelos normalmente encaracolados, e cor entre tons de castanho e preto. Possuem normalmente poucos pêlos no corpo, mas é comum o cultivo de barbas, ainda que regularmente aparadas junto ao rosto. As pessoas comuns normalmente trajam robes de algodão presos sob ombro esquerdo, no caso dos homens, e em ambos os ombros, no caso das mulheres, com um grande destaque para a cor branca em ambos os sexos. Todos de uma forma geral tendem a ser agradáveis e acolhedores, gerações e gerações seguindo os elevados preceitos de Selimom, acabou por estabelecer esse forte traço cultural. Os maranenses de uma forma geral são muito voltados para todas as formas de arte, podendo ser facilmente encontrado toda uma sorte de artífices, porém muito poucos ferreiros, até bem pouco tempo atrás aqueles que viviam da fabricação de utensílios de guerra tinham uma renda bem limitada. São também, de uma forma geral, bons anfitriões e afeitos a boa mesa e um bom vinho, sendo também muito apreciado por estas paragens o fumo, com destaque para as afrodisíacas ervas dos pequeninos.

Aqueles de passagem por essas terras poderão também encontrar uma grande quantidade de meio-elfos, ou meio-humanos se preferir. Estes se mesclam perfeitamente entre os humanos e fazem parte do cotidiano do reino de forma indistinta, não há qualquer discriminação a esses por parte dos nativos, e aqueles menos afeitos a esse tipo de tolerância podem se sentir um tanto desconfortáveis em solo maranense. Muitos meio-elfos são artífices e suas obras híbridas entre o clássico élfico e o objetivismo humano são muito apreciadas por estas paragens, muitas das hospedarias e tavernas foram construídas e ornadas por pedreiros e carpinteiros meio-elfos.

Muitos elfos dourados também podem ser encontrados em todo o reino, mas principalmente na capital, Sensera. A grande maioria deles sem dúvida se encontra entre o clero de Palier, sendo inclusive o Grande Sacerdote do deus em Marana, um elfo dourado de uma das nobres casas élficas, Alirel Dariom. Alirel é um venerável elfo de mais de quinhentos anos de idade, mas os seus mais de cinco séculos de vida são insuficientes para ocultar tamanho poder que exala dessa figura de indescritíveis conhecimentos. Até aqueles que ignoram completamente a sapiência e o cargo de Alirel, não podem passar por ele despercebidos de seu peculiar magnetismo. Outros elfos dourados podem ser encontrados no clero de Selimom, bem como seu grande sacerdote Echoriom Anoriel, que assim como Dariom, é um elfo dourado. Alguns outros elfos dourados estão filiados a Escola Real de Magia, habilmente comandada por um humano de nome Lúcio Bardi III. Os elfos dourados filiados a Escola são todos altos magos, e alguns possuem pelo menos três vezes a idade de Lucio e talvez até de maior conhecimento, mas Lucio da mostras de ser um líder muito competente.

Com essa forte presença élfica e meia-élfica em Marana, tornou-se até razoavelmente  “comum” deparar-se com elfos florestais, seja caminhando em bandos, seja sozinhos. Boa parte pode ser encontrada principalmente na porção mais a leste do reino, próximo a floresta de Fiorna, onde eles parecem possuir uma  “base” particular, no melhor estilo  “se você não é elfo, não é bem-vindo”. Alguns florestais podem ser encontrados morando nas vilas ou cidades em meio às comunidades humanas, mas sem dúvida a grande maioria se concentra dentro da floresta de Fiorna. Os rastreadores que protegem as bordas da floresta são conhecidos por sua intolerância, e exceto pelos lenhadores das vilas próximas, em maioria devotos de Maira que mantêm um culto forte a deusa, realizando inclusive vários festivais em homenagem a Vet e Nil, e que tem um acordo especial de extração com os guardiões da floresta, todos os outros curiosos costumam não ser bem vindos.

Muitos pequeninos podem ser encontrados em solo maranense, os membros dessa peculiar raça parecem gostar muito dessas terras, sendo Marana e Ludgrim, talvez os dois reinos que possuem mais membros desta raça. Estes podem ser facilmente avistados em Litória, Magiara e até mesmo em Kaliana; com largo destaque para Litória onde suas fazendinhas podem ser avistadas ao longo de toda a paisagem, dando um formato todo especial para essa porção do reino. As três famílias, ou clãs como eles preferem, maiores e mais abastados são os Cova-Rasa, os Broca-Terra e os Toca-Funda.

Os Cova-Rasa possuem uma invejável lavoura de leguminosos em Litória, o método de plantio parece ser segredo de família e aparentemente é do lucrativo comércio desses víveres que advém a fortuna e a fartura do clã. De fato todos os seus legumes crescem geralmente três vezes mais que os legumes comuns, e todos depois de preparados possuem um gosto adocicado bem característico como se tivessem sido adubados com mel.

Os Broca-Terra de Magiara são um clã de renomados mineradores e artífices, que extraem a matéria prima de seus trabalhos em sua maioria dos últimos picos dos Palomares. Esses habilidosos pequeninos trabalham entre outros o metal de uma forma no mínimo peculiar, o segredo da confecção de suas peças e jóias certamente é guardado a sete chaves, e talvez Magiara seja um dos poucos lugares do Mundo Conhecido onde se pode encontrar um pequenino ferreiro. Os Broca-Terra tem uma (na medida do possível) estreita ligação com os anões que vivem em Magiara e nos arredores dos Palomares, e ao menos a primeira vista estes parecem se entender muito bem cada um a seu jeito.

Os Toca-Funda de Kaliana são uma espécie de banqueiros-comerciantes, na verdade eles emergiram como hábeis comerciantes de víveres que com a prosperidade passaram a comercializar toda a sorte de especiarias. Quando suas tocas já estavam tão abarrotadas de mercadorias quanto de dinheiro, estes passaram a emprestar um pouco dinheiro para nobres, pequenos, médios e grandes comerciantes das redondezas que se encontravam com problemas financeiros. Com o passar do tempo eles começaram a  “pegar o gosto” pela coisa e expandiram suas companhias por todo o reino. Os Toca-funda são agradáveis e desconfiados, e sempre que possível darão preferência para negociar com os da mesma espécie. Hoje todas as cidades do reino possuem ao menos uma de suas companhias.

Os anões por outro lado são bem raros de se encontrar nessas paragens, exceto em Lubliama, seus arredores e nos sopés dos Palomares, onde suas ancestrais comunidades podem ser facilmente encontradas. Os anões não costumam vagar pelo restante das terras do reino, e ainda que seja possível encontrar um anão morando em uma das vilas ou cidades dos humanos, a probabilidade é muito pequena, existem elfos e meio-elfos demais em Marana para que estes considerem a vida fora de suas comunidades agradáveis. Como não poderia ser diferente, os anões de Marana são exímios ferreiros e artífices em geral, mas com uma visível preferência para metais e jóias. Os Palomares provêm a eles toda ou quase toda matéria prima necessária para suas atividades, todo o restante é comercializado com caravanas que passam por ali de tempos em tempos. A têmpera anã, mais a intolerância com outras raças faz que estes se fechem cada vez mais em suas comunidades. Nestas é visível a presença de altares de Blator e principalmente de Parom, a este foi erguido até um belíssimo templo na vila de Rarurg, que fica localizada incrustada na rocha a nordeste de Lubliama, o templo a pesar de bem rústico é uma pérola das artes anãs. A vila leva o nome do seu morador mais antigo, Rarurg é um mestre anão ferreiro de mais de trezentos anos, que em sua juventude foi aventureiro e fiel devoto de Crezir, mas que agora se devota fervorosamente as artes de Parom. Os séculos de experiência parece que só agravaram o senso de humor deste, mas sua arte é fantástica.

Selimom ainda é o deus mais adorado, sendo comum a presença de seus sacerdotes e homenagens a ele durante todo o ano, mas com a recém inclinação para as artes bélicas esse quadro tende a mudar drasticamente. Palier sem dúvida ainda é o segundo deus mais cultuado em solo maranense, seu clero começou a lançar suas bases por aqui após a maciça ajuda élfica na reconstrução do reino após a guerra da Seita. Somada a isso veio também a imprescindível colaboração dos Elfos dourados na construção da Biblioteca Real, que é sem dúvida nenhuma um grande atrativo para arcanos e estudiosos em geral, dizem que ela é uma réplica personalizada da grande biblioteca de Saravossa. Os deuses da natureza também são homenageados, mas este culto se dá em pontos específicos do reino. Maira, próximo a uma grande floresta, Ganis litoral, Sevides numa área rural, etc... Os deuses da guerra eram muito pouco adorados, com pouquíssimos sacerdotes andando pelo reino, sendo a maioria do estrangeiro, não havendo grandes templos nem festa co-relacionadas.

Rumores e Intrigas

Um boato que ganha cada vez mais força, é de que o general Karr nada mais é de que um homem da inteira confiança do conselheiro Ludur, e que este não passa de um fantoche do conselheiro que visa estender seus tentáculos mais ao sul contaminando assim o reino de Marana. Alguns dos mais atrevidos chegam a dizer que o próprio rei Augustu já jurou lealdade a Ludur e à conseqüentemente Seita, e suas incompreensíveis atitudes são nada mais que os primeiros passos da marcha da Seita sobre Marana.

Especula-se até que as expedições que o atual monarca enviou a Luna com o pretexto de buscar mais entendimento sobre o malefício que assola o reino lunense em prol de fabricar uma cura, não passam de uma fachada, e que em verdade, os sábios enviados buscam compreender a peste a fim de que o monarca possa utilizá-la como arma de guerra contra seus inimigos.

Dizem que a magia é bem vista em Marana, sendo a contrário de muitos outros reinos, permitida nos seus efeitos menos destrutivos. Os magos de fato são bem vistos por todo o reino, o que lhes vale certo prestígio, pois os maranenses possuem certa adoração às artes arcanas e há inclusive uma grande devoção a toda sorte de ciências ocultas. Por sua vez a Escola Real de Magia se encarrega de  “controlar” os místicos e suas magias quando de passagem pelo território maranense. Dizem que existem postos de identificação em todas as grandes cidades do reino e até em algumas vilas, onde os místicos ao passarem pelos mesmos devem se apresentar e assinar seus nomes em um livro de controle. Nas grandes cidades, os destacamentos da milícia são acompanhados de pelo menos um estudioso das artes arcanas, que a serviço da Escola Real de Magia, ajuda a conter os excessos e identificar os efeitos mais dissimulados. É de conhecimento público que todo crime com envolvimento mágico é julgado por um conselho especial conhecido como Conselho dos Pares, que em verdade é um conselho composto por pessoas da maior confiança do monarca, estando entre eles inclusive o Arcano Mestre da Escola Real de Magia, Lucio Bardi III, que inclusive é um nobre maranense, terceiro filho do Barão de Bardi.

Principais Cidades e Locais de Interesse

Sensera

Litória

Magiara

Caliana

Chipara

Lubliama

Portiara

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