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Ricutatis  

Ricutatis, A Pena da Vida Morta; O Anfitrião dos Vazios


Prefácio

Laurana estava apreensiva e caminhava como se seus pés estivessem acorrentados. Por longos dois anos viveu exclusivamente para seus mestres, aprendendo e se dedicando aos conhecimentos da casa de Ricutatis. Mas todo o esforço não foi em vão, hoje é o dia em que será consagrada uma Comunus Bankdi, uma honra dada a poucos.

O corredor de pedra parecia por algum motivo gigantesco, um trajeto feito centenas de vezes estava demorando uma eternidade. Seria a ansiedade pela cerimônia ou quem sabe o medo do que estaria por vir?

Laurana se concentrava no seu ensinamento e na honra de servir a sua divindade.

A câmara ritual onde dezenas de hereges foram sacrificadas nos rituais de purificação a Ricutatis, era agora o palco de um nascimento. A dama de bronze usada somente pelos Dux Bankdi estava posicionada no centro e os demais membros da casa preenchiam o espaço a sua volta em um transe mantido pelos seus cânticos profanos.

Laurana foi despida e os demais membros da casa puderam ver seu belíssimo corpo e as pequenas marcas, cicatrizes discretas, de rituais passados. O Dux Bandki que comandava a cerimônia a colocou dentro da Dama de Cobre e os cânticos aumentaram em intensidade e velocidade. A tampa lentamente começou a se fechar e Laurana percebeu as pontas perfurantes se aproximando. Também lentamente, começaram a entrar em sua carne e a dor tomou a sua consciência.

Laurana começou a recitar as palavras sagradas do ritual místico usando todo o conhecimento que tinha para transformar a dor que sentia em poder. De dentro da Dama de cobre, viu o mundo se fechando lentamente até o último facho de luz desaparecer por completo. Presa pelas pontas, lentamente a dor desapareceu e a escuridão a engoliu, quando já estava quase desmaiando, uma voz surgiu da escuridão:

- Você, serva de Ricutatis, está pronta para o poder, para a mudança?

- Sim! - respondeu ela de todo o coração

Algo pareceu voar em sua direção, até sentiu sua aproximação. Foi aí que pôde admirar Vinega, a filha de Ricutatis. Ela a examinava cuidadosamente.

- Sim, meu mestre, este corpo me agrada.

Laurana sentiu um frio e sua alma foi tragada para o reino de Ricutatis. Vinega entrou na veste de carne e, tão lentamente quanto fechou, a Dama de Cobre começou a se abrir.

A câmara estava cheia de adoradores demonistas que a saudavam efusivamente, enquanto viam-na, sua senhora, sair da Dama de Cobre.

- Todos vocês venham saudar a filha do mestre, aquela que nos levará novamente ao poder e a glória.


Extraído do "O Livro de Maudi", do capítulo “O Nascimento”, Biblioteca de Saravossa.

Concepção

O cavalheiresco senhor da corte infernal de Farzelo, Ricutatis, faz parecer, mesmo para o mortal mais convencido da malignidade dos Demônios, de que estar ali é um prêmio. De fato, a face morta de Ricutatis tem muito mais a oferecer que as belezas de sua corte. Pobres daqueles que desfilam por seus salões e saboreiam suas taças de vinho.

Ricutatis, à primeira vista, faz o inferno parecer uma festa de prazeres numa casa de banhos quentes. Seres que por ele desfilam transbordam em receptividade. Belíssimos íncubus tentam mostrar os caminhos das dependências do castelo. Corcéis demoníacos enfeitam os jardins de margaridas-vinho, que brotam mesmo quando são pisoteadas. Mesmo um miserável Demônio menor tem comportamentos dignos de seres nobres. Muitos membros da Seita mesmo já tiveram essas visões em vida e não podem imaginar o que os Deuses teriam de melhor para oferecer nos palácios celestiais.

Toda essa maravilhosa visão começa a desaparecer quando se aperta num gentil cumprimento as mãos do anfitrião com seu sorriso cativante, num primeiro gole de vinho, num bailar com Vinega, refinada dançarina e primorosa súcubo de asas de águia.

Tudo parece ótimo nas conversas povoadas de deliciosas gargalhadas, mas começa-se, aos poucos, a perceber o quanto é repetitivo. Deseja-se parar, mas não consegue. Mesmo com o passar do tempo que, aliás, é desconhecido nesta dimensão sinistra, mas que se poderia jurar que eram a poucos segundo atrás.

Sente-se o chão ficar mais quente a seus pés. Seriam os vapores vulcânicos das tão faladas lendas das histórias de pesadelos? A pobre alma não percebe que é seu corpo, tão frio que mesmo o mármore demoníaco daquele palácio de belezas já soa quente. Você está morto, mais morto que qualquer miserável alma caída em qualquer porta do inferno mais maldito. Mas assim é a morte da alma. O vazio toma conta mais rápido que a razão pode perceber. Lentamente sua vontade lhe é tomada. E o olho do anfitrião brilha mais uma vez, pois uma fagulha de vida mais uma vez se apaga nos domínios do inferno de Ricutatis.

Ricutatis representa dor, ferimento da alma, agonia, tormento, sofrimento, decepção, tortura. Ele sorri para os tiranos e aplaude quando algo é oprimido. De todos os mortos vivos há um que representa sua natureza e objetivo, o vampiro. Estes são seu maior orgulho, pois tal como Ricutatis, tem suas existências vazias pela eternidade.

Ricutatis é o senhor da morte da alma. Ele remove toda a vida que um dia poderia ter habitado uma carcaça. Tudo que resta é uma poluição de tristeza e vazio que pouco poderia ter a chance de recuperação. Afinal, o mais vazio dos vazios precisa se encher, que seja por um instante, com a luz dos outros. Ele preenche a vida dos seres de desespero e abandono espiritual.

Temperamento

Seus modos são sempre educados e sua fala culta, jamais erguendo seu tom de voz. Um cavalheiro em todos os aspectos, com delicadeza ao extremo, contudo é de uma crueldade sem limite, principalmente com os servos e aqueles que forem subjugados pelo seu poder.

Representação

Ricutatis é o príncipe demoníaco responsável pela recepção das almas dos mortais que entram no plano infernal e por determinar o tipo de tortura a que serão submetidos, por isso gosta de assumir a forma de um humano, de pele bem branca, e cabelos longos e bem tratados. Gosta de se vestir como um aristocrata com tecidos muito finos,capa bordada em ouro, sapatos de couro de dragão, e na mão esquerda sempre leva um lenço branco, de puro linho, que gesticula no ar lançando um leve perfume. Sua fala é macia, com um sotaque diferente dos existentes em Tagmar, possui um sorriso cativante, sempre presente.

Símbolo



O símbolo de Ricutatis traz uma alma representada por uma silhueta humana tendo os braços e pernas presos.

Relação com os demais Príncipes demoníacos

Com seu modo cavalheiresco esconde de todos a sua selvageria e ódio aos demais príncipes infernais. Gosta de estar na presença da princesa Ekisis pelos elogios que faz a pessoa dele próprio, sem dar importância a seus planos. E inveja a Mocna pela liberdade de destruição que provoca.

Possui uma inveja imortal a Cruine e deseja o cargo e a função desse Deus.

Festas e Celebrações

A noite dos perversos (todas as noites da passagem entre cada mês, mas nunca na noite de Cruine)

O seguidores de Ricutatis celebram a cada passagem de mês os favores recebidos deste príncipe tais como riquezas, poder ou longevidade. Para tanto oferecem sacrifícios humanos, normalmente jovens virgens, que são submetidas a uma orgia de sangue e a torturas horrendas. Essa celebração é muito importante para os seguidores deste demônio, pois os que não cumprem rigorosamente são punidos impiedosamente por Ricutatis.

Áreas de atuação

Adoradores de Ricutatis são encontrados entre carcereiros, torturadores e carrascos. Bem como entre psicopatas e qualquer pessoa que sinta prazer com o sofrimento alheio.

Descendentes

Vinega, a dançarina súcubo do reino de Ricutatis. Ela é a mais bela e mortal dentre as filhas de Ricutatis e sempre a primeira a conceder à primeira dança às almas dos condenados que adentram pela primeira vez no reino de Ricutatis.

Sua beleza só é superada pela sua crueldade e poder, sendo a segunda criatura mais poderosa deste reino.

Cores

Sua cor é o roxo.

Países em que a religião mais atua

Seus seguidores têm crescido muito em Verrogar e Filanti.

Religião

É venerado secretamente por torturadores e carcereiros. Assim, como todos os sádicos que gostam de ver o sofrimento dos outros. Em suas cerimônias uma vítima inocente geralmente é trazida amarrada e torturada por horas a fio até a morte.

Templo

Seus templos são belos, cheios de riquezas e de grande luxo. Todos que entram pela primeira vez têm a sensação de estarem em um salão real ou em um dos templos mais luxuosos já vistos. Contudo percebe-se que sob a beleza para os olhos, existe um templo dedicado ao sofrimento e a dor.

Vestimenta

Seus mantos roxos cobrem grande parte do corpo deixando somente mãos, pés e rosto a mostra. Sob o manto, o demonista usa cintos com ganchos de ferro que marcam, cortam ou dilaceram sua pele e corpo.

As cicatrizes são vistas como presentes a Ricutatis, um sacrifício de sofrimento.

Locais Profanos

Os locais considerados profanos são os calabouços, as salas de torturas, as arenas ou qualquer lugar que tenha ocorrido ou que ocorram grandes atos de tortura e sofrimento.

Itens Profanos

A dama de Cobre

É assim chamado o sarcófago de ferro com o rosto de uma bela mulher esculpido em cobre. No interior dele se encontram 29 pontas perfurantes. Essas pontas estão estrategicamente colocadas para jamais perfurar um órgão ou penetrar muito profundamente, o que provocaria um dano permanente, apesar de isto ocorrer algumas vezes.

A máscara da Infâmia

São máscaras feitas de ferro que mais se assemelham a uma gaiola, onde olhos, nariz, orelha e língua são castigados juntos ou separados. A cabeça fica dentro da máscara e sob influência do demonista. A máscara foi criada com o intuito de escravizar todo aquele que usa, ficando sob controle da casa de Ricutatis.

Doutrinas do culto

  • Oprimir
  • Tiranizar;
  • Levar o sofrimento aos demais;


Influência das ordens na política do reino

A sua influência se manifesta na forma de crueldade com os mais fracos e indefesos, como tortura aos presos de guerra que se entregaram ou prisioneiros comuns. Existe um obscurecimento na alma e na compaixão dos seres, que passam a divertir-se com o sofrimento alheio.

O reino de Ricutatis

É o primeiro reino infernal onde os perversos encontram sua morada.

A cidade é conhecida como Farzelo. Os recém-chegados são recebidos graciosamente por Simonio, O guardião da cidadela. Este logo conduz os visitantes em “passeio” pela bela e encantadora cidade, com ruas limpas, prédios novos e bonitos. Todos são levados para o palacete de Ricutatis que sempre oferece uma grandiosa festa de “boas vindas”. Mas como em tudo que Ricutatis faz, não tarda a máscara a cair, e os desafortunados logo descobrem que por trás das belas fachadas se escondem os horrores deste príncipe demônio. Seus calabouços são tão tenebrosos que não há palavras para descrever tamanhas atrocidades que se passam neles. Com certeza Farzelo é o pior local que uma pobre alma pode ter como destino.

O guardião Simonio

Simonio desde cedo sempre buscou a riqueza e viveu durante toda sua infância pobre as voltas dos belos e luxuosos bailes oferecidos pelos nobres locais. Foi graças a este convívio que conseguiu seu primeiro trabalho como ajudante de cozinha. Não tardou para que o jovem aprendiz se mostrasse capaz para o trabalho como servo de salão, servindo os alimentos e preparando as mesas antes dos jantares e almoços de luxo. Tamanha foi sua dedicação que se tornou, aos 19 anos, o mais jovem segundo mestre de cerimônia.

O salário era bom. Na verdade acima da média dos demais trabalhadores locais e o respeito entre os demais servos era inquestionável, mas a ambição falou mais alto e, para conseguir alcançar um cargo maior, sabia que deveria se livrar de seu superior.

Contratou assassinos que mataram seu desafeto e logo foi promovido a grande mestre de cerimônia.

Dedicado e perfeccionista, Simonio rapidamente se transformou em um requisitado mestre de cerimônia, organizando grandes eventos e orgias para os nobres. Assim, aos 23 anos alcançou a glória e o poder que tanto almejou. Foi também nesse período o início de sua decadência, quando viu pela primeira vez Anibele, a filha do governador da cidade. Ele o havia contratado para realizar a festa de 15 anos dela.

Foi amor a primeira vista, mas Anibele, filha de aristocratas, jamais se apaixonaria por um simples trabalhador, por mais dinheiro que tivesse. Simonio engoliu seu orgulho e coração ferido e, mesmo assim, fez da festa de Anibele a mais bela já vista na cidade.

De coração ferido, mergulhou em seu trabalho e fez uma pequena fortuna. Até que, dois anos depois, Anibele foi procurá-lo para que ele realizasse sua festa de casamento. Apesar de todo o tempo passado, o amor que sentia por Anibele ainda existia e tamanho foi o desespero em saber que o amor de sua vida casaria com outro, que Simonio buscou nos deuses o poder para conquistar o amor que não tinha. Mas suas preces não foram atendidas.

Desesperado por perder sua amada, Simonio fez o impensável, recorreu aos príncipes infernais. Foi quando Ricutatis ofereceu sua ajuda, mas para tanto ele deveria colocar na sopa um liquido dado por um de seus seguidores.

Simonio fez conforme foi ordenado e todos na festa morreram envenenados, até mesmo seu grande amor. Tomado pelo desespero, lançou-se do alto de um torre. Foi assim que ele foi parar em Farzelo.

Agora Simonio organiza as grandes festas de recepção para as almas dos condenados, como seu mestre ordena.



Verbetes que fazem referência

Livro dos Demônios

Verbetes relacionados

Introdução | Prólogo e Epílogo | Anasmadis | Antredom | Branaxis | Diatrimis | Ekisis | Fulvina | Heldrom | Mocna | Morrigalti | Ricutatis | Seinoniz | Udoviom | Vouxis