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Branaxis  

Branaxis, O Pesadelo Medonho


Prefácio


Havia sido muito fácil. Pelo menos foi divertido. Divertido brincar com os Deuses, brincar com os Filhos deles. Já havia derrotado a todos. Manipulado seus medos e sentimentos e usado contra eles. O grito pavoroso delas ainda ecoava em seus ouvidos, o grito de Maira, Ganis e Lena afogadas no próprio desespero. Crezir havia sido forte, forte como seu pai, Blator, mas não aguentou seu próprio medo. Selimom até pensou que resistiria, mas logo sua expressão tão serena se transformou numa máscara de agonia. E no caminho de sua destruição, assassinara milhares de guerreiros celestes. Então chegou a vez de Plandis, e uma dúvida pairou em sua mente: Do que aquele Deus insano tinha medo? Não importava. Já havia visto o medo até no pai do lunático, o Deus da Paz.

Invadiu o seu reino e buscou pelo Deus, assassinando até os maiores generais de Plandis com um simples olhar. Chegou a uma torre espiralada de piso xadrez e paredes espelhadas. Só não matara os Deuses até agora, porque exigiria muito poder, então preferia se alimentar com o pavor deles até chegar o momento do golpe final...

Percorreu as escadarias para cima, mas às vezes tinha a sensação de que no lugar de subir, descia cada vez mais profundo. Seu rosto ainda mais distorcido olhava de volta para ele na miríade de espelhos e continuava buscando pelo deus louco. Ele não sabia, mas no momento que pisara na torre, seu corpo havia caído numa armadilha do sono eterno, amaldiçoado pelo próprio Deus, e agora sua busca infinita se dava em seus próprios sonhos. Então Plandis se aproximou do corpo caído do titã-segundo, e com as próprias mãos arrancou a consciência do inimigo sonhador e a prendeu numa urna. No momento em que sua mente foi presa na urna divina, o sonho de Branaxis se distorceu e se transformou em um pesadelo.

Assim, o próprio Medo se engolfou no desespero de um pesadelo. Plandis falou perto da urna, e Branaxis pôde ouvir sua voz ecoando com as palavras: "Aprisionaste minha família em seus medos e me desafiaste. Pagarás para sempre pelo que fez criatura abominável. Jamais me encontrarás..."

O herói dos deuses baniu de volta o corpo do inimigo para seu reino infernal, mas escondeu a urna em um lugar secreto em outro reino ou outro plano. Com este ato, os deuses se libertaram da maldição do titã-segundo.

Extraído de O Livro de Maudi, do capítulo "Pesadelo Medonho", Biblioteca de Saravossa.


Concepção


Filho do Deus caído Heldrom, e da vaidosa princesa infernal Fulvina, o titã-segundo Branaxis nasceu com uma aparência medonha e deformada. Suas partes divina e demoníaca se rejeitaram, e assim, sua pele ficou com fina, que lembrava queimaduras que descascavam ao menor toque. Apenas isto seria o suficiente para causar ojeriza para a Princesa da Vaidade, mas seu rosto deformado mantinha uma expressão de dor congelada em um dos lados, com um olho mais alto que o outro, e no lado da face que era expressivo sua pele fina por vezes abria-se em buracos por onde era possível ver as cavidades internas do rosto. Da mesma forma, sua pele fina descamava por todo o corpo e exibe seus órgãos internos. A dor expressa em um de seus olhos desperta pesadelos em quem quer que o veja.

Devido a estes infortúnios, sua mãe se afastou dele. E restou ao pequeno Branaxis ser cuidado e treinado pelo próprio pai até que pôde conquistar seu próprio reino infernal. Amargurado pelo abandono, desde cedo aprendeu a usar sua aparência de uma forma vingativa contra a mãe, e logo conseguia também manipular os outros e canalizar o poder do medo. Por isso, é considerado como a encarnação do medo. Sua habilidade de manipulação herdou da mãe, ou talvez nasceu do desejo de se tornar melhor que ela em uma de suas maiores façanhas.

Desde sua "luta" com Plandis está aprisionado: sua mente selada em uma urna num lugar escondido por Plandis, e seu corpo no fundo do inferno. E apesar disso, seu poder é grande e muitos demônios surgem dessa energia maligna.

Eles são capazes de entrar nos sonhos das pessoas e torná-los quase que reais. Conhecem os medos delas em suas representações nas mentes enquanto dormem, e criam diversas situações que as fazem encará-los. Frequentemente os humanos enlouquecem ao acordar, ou ainda, numa tentativa desesperada de se livrar de seus sonhos, vendem sua alma aos gênios do mal. As almas são levadas ao inferno, onde esses demônios as usam para tentar soltar seu grande mestre, espalhando em seguida o caos e medo por Tagmar.


Temperamento


Este Príncipe manipulador e vingativo herdou essas características de seus pais. Adora envolver as pessoas em jogos de terror que planeja meticulosamente para as fazer enlouquecer de tanto medo. Conhecedor de tudo aquilo que aflige cada vítima, nunca pretende matá-la, preferindo fazer com que enlouqueça ou se submeta a seus domínios.

Adora ouvir os gritos pavorosos de suas vítimas quando as envolve em seus jogos. Quanto mais forte e tenebroso o medo de cada vítima, mais poderoso Branaxis se torna. Apesar disso, mesmo o medo mais banal é utilizado de forma impecável por Branaxis.

Branaxis nutre uma vontade imensa de aprisionar todos os Deuses e governar a criação deles, mas também deseja se vingar de sua mãe que o abandonou por causa de sua feiura medonha.

Os seguidores de Branaxis sabem que ele está aprisionado e somente com o Livro do Medo (ver Itens Demoníacos) podem invocar parte da força desse Príncipe, e tentam a todo custo encontrar a Urna de Branaxis para romper a maldição e libertar seu mestre. 


Representação


Branaxis pode aparecer de diferentes formas, normalmente aquela que amedronta mais a sua vítima. De forma geral, é um homem alto, de cabelos pretos curtos e olhos totalmente negros em um rosto horrendamente desfigurado. Sua pele é extremamente pálida e veste uma longa vestimenta cor grafite, que cobre todo seu corpo e libera uma fumaça negra. E é dessa fumaça negra que seus demônios, os Pesadelos, são criados.


Símbolo:



Branaxis não possui um símbolo próprio, porém é encontrado na capa do seu Livro do Medo o seguinte símbolo:

Esse Símbolo também é encontrado em muito de seus seguidores, “tatuado” em seus braços, ou em outros lugares, e normalmente é mais escuro e negro para seguidores de 2º e 3º graus.

Seus seguidores atribuem o símbolo a um significado oculto. A chama negra do interior simboliza a força de Branaxis. O pentagrama representa as cinco formas diferentes de manifestação do medo, que são: susto, fobia, terror, pesadelo e pânico. Os dois círculos que envolvem o pentagrama representam a prisão eterna que Plandis impôs a este Príncipe.


Relação entre deuses


Antes de ser aprisionado por Plandis, Branaxis nutria uma vontade de manipular todos os Deuses com imagens terríveis. Ele pretendia alimentar-se do medo causado nos deuses para o próprio poder extraído deles para assassiná-los. Depois disso, pretendia ser o governante do plano material e aterrorizar a criação dos deuses.


Relação com Outros Príncipes Demoníacos


Odeia especialmente sua mãe Fulvina, que o rejeitou, ao mesmo tempo deseja em seu íntimo ser aceito por ela. Teria uma boa relação com seu pai Heldrom, porém está preso dentro de seus próprios pesadelos.


Festas e Celebrações


Noite do Pesadelo (dia 21 do Mês da Paz)


Este dia é o preferido de todos os seguidores de Branaxis, e talvez de alguns seguidores de outros Príncipes. Um dia após o Dia do Amor e Paz de Selimom, neste dia muitos Pesadelos são invocados para espalhar medo e caos nos habitantes de Tagmar e seguidores dos Deuses. Muitas pessoas enlouquecem depois desse dia, outras se convertem ao culto e perdem suas almas. Às vezes a Casa do Medo aparece na Noite do Pesadelo, atraindo viajantes incautos para uma armadilha medonha.

Dia do Silêncio (dia 19 do Mês da Paixão)


Esse é o dia em que os seguidores de Branaxis dedicam para se reunirem e ficarem em silêncio em respeito pela derrota de Branaxis. Quando conseguem, seus seguidores realizam um sacrifício de algum sacerdote de Plandis, e então "enviados" de Branaxis, chamados de Enviados Silenciosos, surgem para aterrorizar seus inimigos até a morte. A data escolhida para esta celebração é o mesmo dia em que Plandis é homenageado, para afrontá-lo.


Área de Atuação


Ele costuma agir a noite, para assolar os inimigos ou pessoas marcadas pelos cultistas, ou os alvos que chamaram sua atenção em sonhos (muitas vezes são pessoas marcadas pela loucura ou pela dor). Como foi abandonado, também tem um prazer em particular em atacar mulheres que por algum motivo rejeitaram ou abandonaram seus filhos. Também pode atuar através de guildas de assassinos, dando pesadelos ou em alucinações aos líderes das guildas para que eles considerem algumas pessoas seus "alvos".

Também atua sempre quando é invocado pelo Livro do Medo. Que é usado por cultistas em seus ritos, ou especialmente quando desejam atormentar e assassinar seus inimigos.


Descendentes


Possuí como descendentes os Pesadelos e os Enviados Silenciosos. Na verdade, são apenas demônios nascidos da energia que emana de seu corpo adormecido, que possuem em comum um poder especial único concedido por Branaxis: podem entrar nos sonhos de suas vítimas e manipulá-los da maneira que bem entendem. Estes demônios só podem ser invocados e controlados por quem possuir o Livro do Medo.

Os pesadelos tem a aparência de cavalos negros alados como pégasus, mas decrépitos como zumbis, e são demônios. Podem fazer seus ataques dentro dos sonhos das vítimas. Os Enviados Silenciosos são demônios humanoides sem pupila e sem boca e com buracos no lugar de nariz e ouvidos, vestem mantos grafite e flutuam sobre o chão. Eles possuem grandes garras que usam para atacar seus alvos. Ambos possuem um olhar maligno e pavoroso.

Enquanto os Pesadelos podem entrar no sonho das vítimas, os Enviados Silenciosos atacam pessoas acordadas. As vítimas de um Pesadelo podem morrer se também morrerem no sonho. Já os "enviados" paralisam e roubam a voz das pessoas que não poderão se defender ou gritar por ajuda. Depois os apavoram até a morte com alucinações terríveis com seus piores medos. Os mais fortes sobrevivem a estes ataques, mas ficam enlouquecidos e mudos.


Cores


Sua cor é o grafite.

Países em que o culto mais atua


Em Azanti, com as intrigas relacionadas a dominação por Filanti, este culto cresce atraindo quem reza pela morte de seus inimigos. Estas pessoas acabam fazendo parte dos rituais demoníacos para mandar os Enviados Silenciosos assassinarem seus inimigos.

Mas talvez o culto tenha se originado no reino de Abadom, em busca da localização secreta da sede da ordem de Plandis. E de lá se espalhou pelas fronteiras próximas a Dartel, atraídos pelo mistério em torno da região.


Religião


Os seguidores de Branaxis são divididos em 3 graus, variando de acordo com a “fé” e tempo de culto a esse demônio:

1º Grau ou Iniciantes ao Culto: São seguidores iniciais, com pouco tempo de culto. Já possuem a marca tatuada em seus braços e a pele começa a se tornar pálida. Quando os demônios de Branaxis são invocados a uma casa, castelos, etc., não são afetados por seu poder, porém podem sofrer em caso de punições. Acompanham seguidores de 2º grau em invocações e cultos a Branaxis.

2º Grau ou Regente do Culto: Seguidores mais fervorosos e com bastante tempo de culto, determinados a espalhar o culto. Para alcançar este grau, devem participar de um assassinato de um alvo escolhido pelos líderes, e o sangue da vítima é usado em um ritual com o Livro do Medo. A marca se torna mais negra e a pele mais pálida. Já podem ler o Livro do Medo e invocar os demônios com a ajuda de mais 3 seguidores de 2º grau. Normalmente são regentes ou co-regentes do culto da Invocação do Livro do Medo.

3º Grau ou Olhos Negros: Poucos chegam a esse grau de culto. Seguidores fieis, que se entregam de corpo e alma totalmente ao culto. Passam por uma grande provação feita pelos demônios, para assumir esse cargo. Sua marca se torna totalmente negra e passará a ficar nas costas, e a pele se torna muito pálida, além de serem agraciados com o objeto Olhos Negros (ver Itens Demoníacos). Podem ler o Livro do Medo e invocar os demônios sozinhos.

Há 2 cultos importantes de invocação:
  • Invocação do Livro do Medo:

    O mais poderoso culto de Branaxis. Neste culto há invocação dos demônios com o auxílio do Livro do Medo. O culto consiste em um ritual onde um sacerdote, de preferência de Plandis, é morto e seu sangue é derramado sobre o Livro. Enquanto o sangue é derramado sobre o símbolo da capa, os seguidores começam um cântico macabro em adoração a Branaxis. Quando o Livro estiver todo vermelho, o regente, junto com outros 3 co-regentes, abre e lê as inscrições em sangue que estiverem no Livro. Assim que terminar de ler, os demônios de Branaxis, assim como uma impressão dele, são invocados para o local da invocação (casas, castelos etc.). O local se torna maldito e qualquer pessoa que entrar nesse local enfrentará todos os seus medos, conjurados pelos demônios. Tudo se passará dentro da cabeça das pessoas que estiverem dentro do local, como se estivessem num sono profundo e parecerá ser muito real. As vítimas poderão perder a alma, enlouquecer ou qualquer outra implicação causada pelo sono, menos morrer. Esse culto só pode ser invocado uma vez a cada mês.

  • Rito do Medo

    Esse culto consiste no rito de passagem que diversos seguidores fazem para alcançar o 3º grau de seguidor. O seguidor precisa derramar o próprio sangue no Livro do Medo e clamar pela ascensão. Depois que o Símbolo estiver negro, o seguidor abre e começa a ler. No fim da leitura, um Enviado Silencioso virá para fazer o seguidor enfrentar seus próprios medos. Se conseguir superá-los, se tornará um Olho Negro. Porém se falhar morrerá e a alma será arrastada para o inferno.


    Templo


    Um velho casarão de 3 andares que replica a Casa do Medo de Branaxis. Neste local os seguidores são aceitos, diversos cultos são realizados, e planos para a libertação de Branaxis são postos em prática. Não se sabe onde se localiza, mas se suspeita que é em algum lugar próximo a Dartel.


    Vestimenta


    Seguidores de Branaxis não usam uma vestimenta em comum, para não serem perseguidos. Contudo, todos possuem tatuado o símbolo do Príncipe, normalmente em seus braços ou em outros lugares do corpo.


    Locais Profanos


    A Casa do Medo de Branaxis é a construção mais tenebrosa que um aventureiro pode se deparar. Sabe-se que ela surge em Tagmar pelo menos uma vez a cada 10 anos, ou quando há grandes concentrações de energia maligna no plano material. De longe não parece mais que uma velha casa de 3 andares abandonada, porém o seu interior é capaz de causar medo nos mais valentes guerreiros. Entrar é quase garantia de não sair. Ela é como o próprio demônio, quem entra nela parece viver seus piores pesadelos. Essa casa normalmente aparece em trilhas montanhosas e dela se desprende uma estranha neblina, que se alastra por 1 km. Uma vez adentrado na neblina, a única forma de escapar é entrar na casa e superar os próprios medos. Ou contar com a interseção direta de Plandis.


    Itens Demoníacos:


    Olhos Negros


    Olhos idênticos ao dos demônios Pesadelos. Todo seguidor de 3º grau possui um par. Esses olhos dão a capacidade para seu usuário de saber quais são todos os medos e aflições de uma pessoa. Se a pessoa estiver dormindo, o usuário poderá entrar no sonho dela e transformá-lo como quiser, assim como os Pesadelos. Contudo o uso desse olho causa um efeito colateral no usuário: a destruição da alma. Depois de muito tempo usando, a alma da pessoa é totalmente destruída, sobrando apenas o corpo dela, que se torna um Pesadelo, sendo controlado por Branaxis. Estes olhos não podem ser retirados.

    Livro do Medo


    Livro utilizado para cultuar Branaxis e realizar invocações. Livro de capa negra, com o símbolo de Branaxis em vermelho. Além de ser utilizado nos cultos de Invocação e no Culto de Passagem, é utilizado para invocar Pesadelos. Quando não está sendo utilizado em cultos, parece um livro comum, pois não está escrito nada. Para invocar Pesadelos ou Enviados Silenciosos, basta derramar um pouco de sangue na capa do Livro, e clamar por Branaxis. Depois abrir o Livro e ler as inscrições que aparecerem. No fim da leitura, um ou mais demônios serão invocados.

    Apesar de grande parte dos exemplares deste livro terem sido queimados na guerra contra a seita Bankdi, novos exemplares surgiram ao longo dos anos. Especula-se que os cultistas que atingem o grau de Olhos Negros, por ganharem a mesma marca do livro nas costas, tem sua pele transformada nestes livros depois de morrer.


    Doutrinas do culto

    • Trair o culto é morte na certa;
    • Ajudar os Pesadelos e Enviados Silenciosos a juntarem o máximo de almas possíveis;
    • Espalhar o medo e o terror entre as pessoas;
    • Assassinar quem se colocar no caminho do culto;
    • Encontrar a localização da Urna de Branaxis e Libertá-lo;
    • Perseguir sacerdotes de Plandis.



    Influência do culto na política do reino


    Líderes dos Reinos de Verrogar e Dantsem ficam preocupados com os rumores sobre as ações desse culto, que poderiam influenciar na decisão entre a guerra desses dois reinos. Moradores das cidades, soldados e até líderes, são as pessoas mais afetadas pelo medo imposto por esses adoradores de Branaxis.

    Em Luna, o Rei Navarro têm se preocupado com esse culto, pois aparentemente, os seguidores de Branaxis não são afetados pela peste e parece que quando mais se espalham por Luna, mais focos da peste aparecem.

    Em Abadom e na Levânia, sua influência é mais discreta. O culto provoca assassinatos de sacerdotes e pessoas que estariam no caminho do crescimento do culto ou de seus membros.


    O reino de Branaxis


    É o décimo primeiro reino infernal onde os condenados por assassinato encontram sua morada.

    A cidade é conhecida como Rubiniate, e parece uma grande necrópole dentro de um mundo de pesadelos. Tumbas flutuam no ar e condenados se movem entre elas e a grande pedreira no solo carregando blocos de pedra em escadas espiraladas em ângulos estranhos que às vezes chegam a ficar de cabeça para baixo.

    Quando um condenado chega ele é levado pelos demônios para arrancar pedras do solo e construir uma escada e uma tumba suspensa. Quanto maiores os pecados do condenado, maior a escadaria e a tumba que terá que construir. As almas das pessoas se movem como se não tivessem controle próprio e seus rostos atormentados ficam sempre congelados numa expressão de medo extremo. Demônios nas formas mais bizarras materializam os medos dos condenados os apavorando e provocando constantemente enquanto eles tentam continuar a construção. Pesadelos cavalgam pelo ar se alimentando desse medo.

    Ao terminar o serviço, os demônios fazem o condenado adormecer e então arrancam sua consciência e a guardam em uma urna cerimonial. Finalmente sepultam seu corpo espiritual junto com a urna na tumba. Durante este período, cada condenado enfrenta seu próprio inferno em um pesadelo sem fim. Há rumores de que assim, a energia desprendida pelas almas atormentadas da mesma forma que o Príncipe abre uma brecha para que Branaxis entre em contato brevemente com algum de seus filhos. Quando o condenado se entrega e deixa de oferecer energia com este tormento, ele renasce como um Enviado Silencioso ou até mesmo um Pesadelo.


    Estela, a Alma Fria, a Guardiã


    Essa história fala sobre as duas primeiras vítimas de Branaxis e a criação da Guardiã. Há muito tempo, quando os cultos aos demônios estavam começando a se espalhar por Tagmar, a Casa do Medo surgiu pela primeira vez. Ninguém sabe ao certo onde e quando, mas sabe que as duas primeiras pessoas a entrarem por suas portas foram duas irmãs, Estela e Evem. Sabe-se que Branaxis havia preparado algo realmente de mau agouro para aquele dia, pois tinha a esperança de criar algo que superasse os Pesadelos. E assim ele criou.

    As irmãs já estavam na casa há incontáveis dias. Se sentiam cansadas e horrorizadas, haviam enfrentados terrores que nenhum mortal deveria passar. Desde que cruzaram aquele portão, as coisas dentro daquela casa pareciam ser de outro mundo. Presenciaram seus pais sendo comidos por demônios. Haviam sido mutiladas e depois reconstruídas em um instante. Cada vez que morriam, pensavam que era o fim, porém sempre acordavam de novo na casa. Não conseguiam morrer e também não conseguiam sair daquele inferno. Inferno era a palavra que descrevia aquele lugar. E morrer seria uma benção bem-vinda. Havia também aquela fome descontrolada. Porque Estela sentia tanta fome? Já havia perguntado para Evem se sentia a mesma a coisa, mas Evem não sentia fome alguma.

    Estavam de volta ao salão principal. Assim que chegaram no aposento, Evem estremeceu e começou a choramingar. Foi naquele salão que ela havia presenciado um demônio de 2 cabeças comer o coração da irmã e encher sua cabeça de pregos. Estela notou a reação da irmã e falou:

    - Acalme-se Evem. Está tudo bem. Acho que vamos conseguir sair daqui agora.

    Então foram surpreendidas por um cachorro de uns 2 metros de altura, que entra na casa arrebentando a porta e saltando em cima de Evem. O grito de Evem foi silenciado pela mordida da fera em seu ventre. Estela corre na direção do cachorro para tentar tirá-lo de cima da irmã, mas as entranhas da irmã já estavam arrancadas de sua barriga. Ao ver aquela cena, uma fome monstruosa tomou conta de Estela. Pegando uma cadeira com um dos pés pontiagudos, Estela penetra a cadeira na cabeça do cachorro que estava distraído com sua irmã. Com um som agudo, a cabeça do cachorro é atravessada pela cadeira. Empurrando o corpo do cachorro para longe, Estela se ajoelha por cima do corpo de Evem, quando nota que ela ainda está viva.

    -Est... Est-ela... me aju-de...

    - Calma Evem... Shiiii... está tudo bem agora... Essa vai ser a ultima vez que você vai morrer, fique calma.

    - Ulti... Última?

    - Isso mesmo. – fala Estela soltando uma risada macabra quando avança sobre o corpo da irmã e começa a devorar tudo que encontra. A última coisa que Estela ouviu foi os gritos agonizantes de sua irmã, antes de se transformar em A Alma Fria, A Devoradora.

    Estela se tornou a Guardiã de Branaxis, protegendo e vagando pela cidade de Rubiniate. E às vezes, ela aparece na Casa do Medo. Na cidade, é altamente temida pelos condenados, pois devora todos os que cruzam seu caminho, porém, ela não os destrói. Ela imobiliza sua vítimas, pois possuí uma força extremamente alta e retira toda a pele e músculos para depois comer. As vítimas são condenadas a vagar pela cidade apenas com os ossos do corpo, pois o que já está morto não pode morrer.

    Em Rubiniate, sua aparência é de uma mulher alta de pele amarelada, com os dentes pontiagudos que saem um pouco de sua boca grande, e incorporou nesta forma o que mais assustou a sua irmã: a cabeça cheia de pregos e o peito sem coração. Seu corpo é meio torcido, porém possuí uma agilidade e força impressionantes. Ela possui uma capacidade de regenerar ferimentos ao devorar qualquer pessoa e também se torna mais forte quando está bem alimentada.

    Na Casa do Medo é onde se torna ainda mais perigosa. Ela se disfarçará de Estela antes de se tornar a Guardiã, parecendo ser outra vítima de Branaxis. Ela engana as pessoas que estão dentro da casa, procurando se alimentar de todos. Sua aparência é extremamente bonita como era quando ainda era humana. Possui uma grande capacidade de seduzir os homens, utilizando desse artifício para devorá-los facilmente. Sua principal fraqueza é outras mulheres, pois estas sentem algo estranho, porém inexplicável, nos gestos aparentemente gentis da jovem. Por essa razão, Estela primeiro elimina as mulheres, pois com os homens ela pode se divertir muito mais. Estela também aprecia muito mais a carne de mulheres à carne dos homens, talvez por que sua primeira "refeição" tenha sido sua irmã.

    Verbetes que fazem referência

    Livro dos Demônios

    Verbetes relacionados

    Introdução | Prólogo e Epílogo | Anasmadis | Antredom | Branaxis | Diatrimis | Ekisis | Fulvina | Heldrom | Mocna | Morrigalti | Ricutatis | Seinoniz | Udoviom | Vouxis