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Ganis .  

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Prefácio

... O barco estava inteiro, mesmo depois daquela incrível tempestade. Podia me lembrar bem: raios para todos os lados, um atingindo a vela secundária. Uma chuva forte, quase caindo granizo do céu. As ondas de três metros de altura, que haviam tragado vários de meus homens para o mar. Mas, depois de algumas horas de desespero, o mar estava se acalmando, e o céu se abrindo novamente. Ainda havia alguns sinais da tremenda tempestade, mesmo que poucos”.
... Comecei a contar os tripulantes. Três haviam sido levados para as profundezas, mas eles não morreram sem honra. Dois deles eram os que mais tinham ajudado durante a tempestade. O navio continuava de pé, e eles se sacrificaram para o bem de todos. Mesmo assim, estavam todos abatidos com as mortes.
... Eu deixei os marujos fazendo o trabalho de reconstruir as partes do navio que haviam sido quebradas e parei para pensar. Por que a impiedosa Ganis faria aquilo comigo? Por que ela, tão pacífica, pedia sacrifícios em troca de outras vidas? Que pessoa tinha tamanha maldade para obrigá-la a fazer isso? Não podia entender de forma alguma. Na verdade, nada na minha vida fazia sentido depois que comecei a praticar a navegação. Será que eu precisava ser castigado, será que tudo isso não passava de um teste...?
... ao longe via golfinhos pulando para fora das águas. Eles eram felizes e eram do mar, assim como eu. Então, eu vi uma coisa muito estranha: uma pequena cabecinha humana saia das águas. Primeiro eu pensei que eram os corpos de meus tripulantes falecidos, mas eu vi os lindos cabelos daquela mulher que emergia, e em seu rosto estava estampada a tristeza e a pena.
E então ela cantou. Comecei a ouvir uma voz tão bela que perdi a respiração. Fechei os olhos e continuei acompanhando aquela voz. Não precisava de esclarecimentos, nem precisava falar nada para aquela misteriosa figura. Só fechei meus olhos e ouvi... Depois de um tempo, não ouvia mais nada.
... Abri os meus olhos. Estava na minha conhecida cabine. À princípio, não sabia o que tinha acontecido, então comecei lentamente a me lembrar. A tempestade, os tripulantes mortos, os golfinhos... e então a mulher.
[...] Levantei e perguntei aos outros tripulantes o que havia ocorrido. Responderam-me que tinha caído de exaustão no convés do barco, e que eles me levaram até a minha cabine.
[...] Percebi então a resposta da pergunta que me afligia. Ganis, a caprichosa deusa dos mares, não era má. Só fazia o que era necessário fazer para manter o equilíbrio. Mesmo que essas ações deixassem vítimas, ela sabia o que estava fazendo. Naquele momento, ajoelhei-me e rezei para ela. Para me redimir de ter pensado tanta bobagem.
Naquele exato instante, um arco-íris raiou.
Texto extraído do livro “Minhas Andanças”, autor desconhecido, capítulo 3 – O Mar.

Concepção

A bela deusa das águas, aquela que reina absoluta sobre os rios e oceanos, levando suas águas fecundas de vida para todos os cantos do mundo conhecido. Ganis é a regente de todo reino das águas, portanto seu reino rivaliza em esplendor e extensão com o próprio mundo de Tagmar. Ela controla o leito dos rios, o movimento das marés, o refluir das ondas e até a tão temida fúria do oceano. Todos aqueles ligados às águas, principalmente aqueles que arriscam suas vidas diariamente cortando as traiçoeiras ondas do mar, tem fanático temor e veneração pela deusa, fazendo inúmeros sacrifícios em sua honra e nunca deixando de agradecer as bênçãos recebidas.
Os ensinamentos de Ganis dizem que a água é o elemento mais importante de todos, mas que precisa existir um equilíbrio entre todos os elementos para o mundo continuar de pé. Também ensina a respeitar o mar, rios e lagos, não desviá-los sem motivo ou sujá-los por ganância.
Como praticamente todos os habitantes de Tagmar sabem a importância dos frutos da água para vida, todos conservam certo respeito por Ganis. Os navegadores que querem seguir carreira veneram Ganis, e fazem oferendas a ela para que a mesma não lance uma tempestade em “seu turno no mar”. Quase todos os habitantes de cidades portuárias, costeiras, ou que moram perto de rios ou lagos importantes também veneram Ganis.
Ganis possui uma ordem própria, a Ordem de Ganis, que tem como objetivo levar a palavra de Ganis e espalhar a sua fé por Tagmar. Ela tem muito orgulho de “seus filhos” da ordem, que acreditam fervorosamente em todas as suas palavras. A sede principal deles localiza-se em Conti, a cidade com mais devotos da deusa.

Área de Atuação

Ganis é venerada em todas as cidades portuárias, costeiras ou que foram construídas perto de um rio ou lago importante para o dia a dia dos habitantes. Mas os devotos fervorosos concentram-se basicamente em Conti e Porto Livre.

Temperamento

Ganis é conhecida por sua personalidade instável e caprichosa. Apesar de mãe zelosa e benevolente para com seus filhos queridos, é extremamente severa para com os mesmos, revoltando-se diante da menor demonstração de desobediência e mostrando todo seu descontentamento com uma fúria muito conhecida pelos homens do mar. Os poucos que ainda vivem contam histórias fantásticas de suas vidas e aventuras pelo mar errante. Apesar desse lado genioso, Ganis é uma mãe carinhosa que cuida muito bem de seus filhos, que sempre se encontram a salvo navegando em suas águas.

Representação

Alguns velhos lobos do mar juram por todos os deuses que, após as terríveis tempestades em alto mar, assim que os primeiros raios do sol vem anunciar o fim da tormenta, podia ser vista uma mulher de uma beleza esplendorosa, com longos cabelos loiros, pele branca e olhos de um verde tão profundo que mais pareciam um par de esmeraldas, caminhando por sobre as águas trajando um translúcido vestido branco, realçando suas belas formas e ostentando sobre a cabeça uma belíssima coroa dourada incrustada de pérolas e pedras preciosas.

Símbolo

O símbolo universal de Ganis é a água, porém tudo aquilo que faça referência à água pode ser utilizado: uma fonte, uma piscina, um lago, algumas criaturas marinhas, tudo que venha do mar e dos rios pode representar Ganis; porém, a representação mais popular da deusa é a do Nautilus (caracol marinho).

Cores

A cor universal da representação de Ganis é azul. Qualquer tom de azul representa Ganis. Mas o mais usado atualmente é o azul-marinho, que representa o mar e os rios, lugares onde a deusa mais atua.

Festas e Celebrações

Dia do Mar (1º dia do mês da Água)

É um dia em que todos os navegantes se juntam no cais mais próximo e fazem oferendas para Ganis, pedindo desculpas ou agradecendo por tudo que ela faz por eles. Conti faz uma grande celebração nesse dia, com direito a danças e bebida aos montes. O Dia do Mar acontece sempre após a primeira tempestade do solstício de cada ano.

Dia da Sobra (26º dia do mês da Vida)

Antigamente, esse dia não era comemorado com tanta afeição como agora, mas os sacerdotes de Ganis incentivaram essa prática. Nesse dia, a quantidade de peixes no mar praticamente dobra, e os pescadores costumam passar o dia inteiro pescando.
Existem festas e torneios de “quem pega o maior peixe”, mas o melhor é quando as famílias dos pescadores se reúnem para comer a grande refeição. Com o dobro de peixes, ocorre comércio também duplica, e no final todos acabam ganhando nesse dia.

Festa da Prosperidade (15º dia do mês da

Paz)
Em honra de Sevides e Ganis, trata-se de uma comemoração muito apreciada nas regiões litorâneas e em comunidades próximas a grandes fluxos d’água. No meio da manhã, os sacerdotes de Ganis e Sevides conduzem seu rebanho aos mares ou rios, entoando cânticos e preces ao casal celestial da fertilidade. Durante a cerimônia, fazem-se oferendas levando produtos de lavouras e criações para a água, e levando água para a terra das plantações e pastos, simbolizando a união eterna de Sevides e Ganis.

Relação entre deuses

Nutre um grande amor por Sevides, contudo fica muitas vezes colérica pela postura despreocupada dele perante questões mais importantes que a colheita. Mãe zelosa de Liris e Quiris. Tem um relacionamento conturbado com sua filha Liris e tem extremo amor pela obediência de seu filho Quiris.
Apesar de respeitar Maira em diversos assuntos relacionados aos mortais, apresenta sua própria opinião e interesses. O seu lado irado agrada Crezir e Blator, enquanto que Selimom e Crizagom preferem sua faceta mais bondosa e serena.
Possui relacionamento estável e diplomático com os demais deuses.

Descendentes

Ganis vagava errante um dia em seu reino aquático quando foi procurada por seu irmão Sevides. Este se encontrava, por motivos desconhecidos, em um momento de extrema infertilidade. Seu ser se assemelhava às estéreis areias do deserto de Blirga. Talvez fosse uma maldição de um poderoso ser demoníaco ou talvez uma brincadeira de mau gosto de algum outro deus. O fato foi que uma vez colocada a par do estado de Sevides, Ganis não pôde recusar o pedido de ajuda e se uniu a ele para que, assim como suas águas, ele também voltasse a ser fértil e os verdes campos de Tagmar pudessem florescer novamente. Dessa abençoada união, nasceram duas criaturas de uma beleza e doçura incomum: Quiris e Liris. As histórias contam que a admiração da mãe por seus filhos era tamanha que no dia do primeiro aniversário destes, Ganis, dos fios dourados de seus cabelos, criou as ninfas e as deu de presente aos seus rebentos para que elas lhes fizessem companhia. As escrituras antigas relatam que as ninfas eram muito comuns antes do cataclismo. Nos dias de hoje, porém, elas só são encontradas em Dartel.

Reinos onde a religião mais atua

Seu culto é ainda mais influente entre os povos marítimos e ribeirinhos. Atrair a ira de Ganis é fatal para aqueles que vivem do mar. Seu culto é forte em Conti e em Porto Livre, nesse último seu culto tem tido um traço mais bélico.

Influência das ordens na política dos reinos

Seu culto exerce grande influência em Tagmar, até mesmo nos reinos que ficam dentro do continente e não têm acesso ao mar, porque todos sabem da importância da água para a manutenção da vida. Longos períodos de seca, ausência de rios subterrâneos para irrigação, etc. são tidos como desagrado a deusa, por isso os sacerdotes de Ganis são muito respeitados em todo o continente.
Nível de popularidade
Seu nível de popularidade é alto entre os reinos marítimos e entre todos aqueles que vivem direta ou indiretamente de suas bênçãos.

Religião

O culto a Ganis está voltado ao respeito ao mar e a preservação dos seres marinhos. A água é princípio de vida, e para os devotos de Ganis, ela é a mãe de toda forma de vida existente. Até mesmo daqueles que dizem ser filhos de outros deuses, eles são na verdade filhos de Ganis. Sendo assim, a preservação da vida é uma doutrina fundamental no culto a Ganis.

Templo

Os templos de Ganis são geralmente próximos à região costeira, usam bastante vidros para que a vista para o mar seja privilegiada. Em alguns, encontram-se piscinas ou espelhos d’água no centro do templo, onde o sacerdote preside o culto com os pés imersos na água.

Vestimenta

Suas vestes são grandes togas que cobrem completamente o corpo da sacerdotisa; em cor azul mais escuro para as sacerdotisas mais experientes, e para as sacerdotisas mais novas, em cor mais clara. Todas usam jóias de coloração azulada, violeta ou branca, e possuem colares e pulseiras feitas de objetos marinhos como conchas, pérolas e pequenas estrelas do mar.
Caminham sempre descalças dentro do templo, após lavarem seus pés na entrada.

Locais sagrados

Templo costeiro no Reino de Conti: o mais belo templo dedicado a deusa Ganis é o Templo Costeiro no Reino de Conti.
Construído a apenas 300 metros da praia rochosa próxima à cidade. É ligado ao oceano por um grande canal de 50 metros de largura. Por onde todos os dias o mar adentra até o templo preenchendo com suas águas os grandes canais interiores.
O templo é dividido em duas partes com três pavimentos distintos. O primeiro pavimento é o oceânico e é formado por uma série de canais que se ligam e formam a entrada do templo e pequenas pontes ligam as ilhas artificiais até o templo. Nestas ilhas, pode-se caminhar por tranquilos jardins e desfrutar de momentos agradáveis.
No segundo pavimento, dividido em duas partes, fica o templo onde as liturgias são feitas na presença de sacerdotes e sacerdotisas para a população. Esta área é coberta e grandes fontes internas são dedicadas aos adoradores onde depositam pequenas moedas para buscar as graças da deusa.
No final do templo, existe uma grande estátua da deusa Ganis com cerca de 7 metros de altura, toda feita em bronze, em cada lado da parede do templo. Há uma cabeça de peixe a 8 metros de altura feita em pedra, de onde sai água incessantemente formando uma cortina de água.
Esta cortina serve de passagem para os sacerdotes que leva ao terceiro piso. Esta mesma água corta o grande salão em três partes e sai pelas escadas se juntando à água salgada dos canais.
O terceiro pavimento é feito de grandes muros, onde é proibida a entrada de qualquer um que não seja pessoal do templo. O lago artificial criado tem, em seu interior, uma pequena câmara de pedra onde os rituais mais misteriosos são feitos, somente pelas sacerdotisas e durante as luas cheias.

Itens Sagrados

Bastão das Tempestades: bastão feito em ouro com duas jóias azuis colocadas em cada uma das extremidades. Através deste objeto, é possível ter controle sobre as tempestades, furacões, mares e rios. Também é possível manipular a água em suas mais diversas formas.

Doutrinas do culto

  • Proteção nos mares;
  • Respeito aos rios, lagoas e oceanos;
  • Busca da pureza da alma;
  • Bondade para com os viajantes;


    Verbetes que fazem referência

    Livro dos Deuses

    Verbetes relacionados

    Blator | Cambu | Crezir | Crizagom | Cruine | Ganis | Lena | Liris | Maira | Palier | Parom | Plandis | Quiris | Selimom | Sevides | Prólogo | Epílogo
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