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Sevides  

Autores: Alesso Sartorelli e José Rodontaro

Prefácio

Amadeu por muitos anos foi um grande devoto do deus Sevides. Muitos poderiam dizer que seria por causa de sua profissão, ele é um agricultor, mas aqueles que o conhecem sabem de seu carinho por este deus e por tudo o que ele representa.

Apesar de ser um humilde agricultor, sempre ofereceu o que podia e um pouco mais para os sacerdotes de Sevides, ajudando sempre a manter o templo.

Sua vida humilde deixava-o sempre atarefado com os afazeres da terra, mas, ao contrário dele, seu irmão Janil, um jovem impetuoso, decidiu buscar na cidade o conforto de uma vida que não encontrava no campo.

Janil viveu e trabalhou em diversos locais, mas o motivo de sua queda foi o jogo. Perdeu uma grande soma de moedas e caiu nas mãos de agiotas para pagar suas dívidas de jogo.

Não tendo como saudar as dívidas, fugiu para o campo e refugiou-se na casa de seu irmão. Porém, uma semana depois, seis homens armados apareceram na casa de Amadeu para buscar Janil e o dinheiro que devia. Temendo pela vida de seu irmão e de sua família Amadeu, ofereceu a colheita como forma de pagamento.

Faltavam seis meses para a colheita e os homens concordaram. Sabia que Amadeu jamais teria o dinheiro e que, no final, estes iriam ter a colheita, e também as terras como pagamento da dívida.

No final da noite, Amadeu orou para o deus Sevides em busca de força e de uma colheita melhor.

Na manhã seguinte, quando ainda se preparava bem cedo para ir ao campo, ouviu o som de palmas à sua porta e foi ver quem era. Um homem com seus 34 anos de idade estava buscando alimento e, em troca, pagaria com serviço.

Amadeu apesar de ter pouco alimento, ofereceu sem necessidade de pagamento, mas ainda assim o homem desejou ajudá-lo no campo.

Pelos longos meses seguintes, Amadeu, Janil e o desconhecido cultivaram a terra e trabalharam incessantemente na colheita.

Quando o dia da colheita chegou, Amadeu ficou a rezar por horas a seu deus e depois foi trabalhar. Incrivelmente, haviam conseguido, no final da colheita, muito mais sacas de grãos que jamais haviam conseguido e assim saudaram a dívida de Janil.

Amadeu convidou o desconhecido para morar com eles e para continuarem a trabalhar juntos; mas este declinou, alegando que tinha outros campos para trabalhar também; partindo sem mais nada dizer.

Por anos a fio, Amadeu e seus descendentes continuaram a trabalhar em suas terras e a venerar o deus Sevides, sem jamais saber que aquele que um dia os ajudou foi seu próprio deus.

Extraído de A Formação do Mundo, Livro de Maudi - Biblioteca de Saravossa.

Concepção

Quando o mundo ainda era sem vida, feito de fogo e água, os titãs governavam e o caos imperava. Durante os primeiros milênios, os titãs viveram e prosperaram neste mundo. E os deuses, pouco a pouco, manifestaram-se, buscando sua criação e trazendo ordem.

No mundo já dividido em água, terra e céu, a vida não existia. Animal ou planta habitava-o, e o silêncio imperava. Do silêncio, três figuras surgiram e, ao tocarem a água, esta borbulhou e a vida começou a surgir em pequenas formas e, em pouco tempo, em maiores. Quando tocaram a terra, houve um tremor e uma onda de calor e fertilidade espalhou-se. Pequenas plantas surgiram e, com o tempo, outras maiores vieram.

Por muitos séculos foi assim, as três figuras fizeram do mundo sua obra. Criaram animais de tamanhos e formas diferentes. Mas o mundo ainda estava incompleto, apesar de cheio de vida e beleza havia ainda um vazio, um silêncio. Foi quando os demais deuses desceram. Criaram seus filhos que viveriam neste mundo e preencheriam este silêncio. Assim nasceram as raças conscientes de Tagmar.


Dentre as três figuras, estava um dos mais velhos. Um ser feito em luz e fogo. Um dos três deuses que ajudaram a criar o mundo. Ele porta um cajado feito de madeira e folhas, vivo e em constante crescimento. A cada toque deste no chão toda a vida a sua volta pulsa e cresce. Quando as crianças tomaram conhecimento de sua existência ele se apresentou.

Seu nome é Sevides.

Áreas de atuação

Como deus da agricultura, é responsável pelo amadurecimento dos frutos, pelo desenvolvimento das plantas e a fertilidade das espécies. Aqueles que acham que seus atributos resumem-se somente a plantação estão muito enganados. Sua responsabilidade também estende-se aos animais domésticos e à pecuária.

Temperamento

Sevides é um deus pacífico e sempre atarefado com suas responsabilidades. Aparentemente, é visto como distante em relação aos acontecimentos mais imediatos relacionados às raças de Tagmar; contudo, está sempre buscando oferecer a seus filhos o alimento de cada dia, como um pai zeloso.

Representação

Sua representação mais comum é de um senhor de mãos e pés calejados, portando um cajado envolto por ramos, um pastor ou um agricultor. Isso varia de localidade e da raça que o cultua.

Está sempre ligado à natureza e ao desenvolvimento de animais domésticos, pecuária e plantas.

Símbolo

Seu símbolo clássico é o sol, sendo composto por um círculo dividido em quatro partes iguais por linhas sinuosas. As quatro partes são relativas às estações do ano.

Cores

A sua cor é o marrom.

Festas e Celebrações

Festa da Fertilidade (7º dia do mês da Semente)

Como é chamada a festa de gratidão a Sevides pelo amadurecimento das frutas, desenvolvimento das plantas e dos animais.

Neste dia, são feitos sacrifícios de pequenos animais e, com parte da abundante colheita, é realizado um grande banquete. Há uma cerimônia que começa bem cedo, antes do sol nascer, e termina durante a tarde.

No grande banquete realizado entre os agricultores, ocorre troca de alimentos entre os participantes. Nos campos, é feita uma oração em agradecimento a Sevides e, em seguida, são quebrados sete ovos e misturados dentro de uma jarra contendo leite. Seu conteúdo é espalhado por um sacerdote no campo e termina com cânticos de prosperidade.

Festa da Prosperidade (15º dia do mês da Paz)

Em honra a Sevides e Ganis, trata-se de uma comemoração muito apreciada nas regiões litorâneas e em comunidades próximas a grandes fluxos d’água. No meio da manhã, os sacerdotes de Ganis e Sevides conduzem seu rebanho aos mares ou rios, entoando cânticos e preces ao casal celestial da fertilidade. Durante a cerimônia, fazem-se oferendas levando produtos de lavouras e criações para a água, e levando água para a terra das plantações e pastos, simbolizando a união eterna de Sevides e Ganis.

Festa da Fartura (30º dia do mês da Semente e 1º dia do mês do Ouro)

Dois dias em homenagem a Sevides e a Cambu, propositadamente inseridos entre os meses que homenageiam essas divindades. Trata-se de uma festa de dois dias, com cerimônias religiosas nos templos desses dois deuses, acompanhadas também por uma grande feira regional, simbolizando a intersecção entre o campo e as comunidades urbanas.

Relações entre deuses

Seu relacionamento com os demais deuses é tranquilo, gozando de grande afeição por Palier e Plandis. Sempre busca Cambu para obter informações sobre acontecimentos mais recentes e passa parte do seu tempo a admirar as raças conscientes de seu templo.

Tem por Ganis um grande amor e respeito, sendo carinhoso e atencioso; contudo, grandes brigas costumam agitar os recantos celestiais pela impulsividade de Ganis em cobrá-lo uma posição mais atuante no panteão.

Com seus filhos, Liris e Quiris, tem uma relação mais do que afetuosa, são partes de um grande ciclo e, como tal, componentes indissolúveis de uma existência.

Descendentes

Têm dois filhos: Líris, a deusa da colheita e Quíris, o deus do plantio.

Reinos onde a religião mais atua

Sua influência não é restrita a um reino ou outro. Todos os reinos que possuem uma área agrícola ou criação de animais têm templos e sacerdotes de Sevides. Sua influência está mais ligada a regiões agrárias e é menor em áreas urbanas.

Influência das ordens na política dos reinos

Sua influência não é pequena entre os poderosos. Como se pode iniciar conquistas ou defender seu povo se o reino passa fome? Todos os anos, sacerdotes de todos os reinos são chamados por seus respectivos líderes locais para pedir graças e conselhos de como garantir fartura em suas mesas.

Nível de popularidade

Sua popularidade entre as camadas mais pobres da população é alta, em especial entre os agricultores e pastores.

Religião

A religião está mais voltada para a natureza, para o equilíbrio das raças entre as plantas e os animais. Um equilíbrio delicado que é sempre exaltado pelos sacerdotes de Sevides.

Seus templos estão localizados em áreas agrárias, havendo poucos templos em cidades ou grandes vilarejos comerciais.

Existem centenas de templos e pequenos santuários de Sevides espalhados pelo mundo. Muitos destes se encontram em caminhos para os campos de cultivo outros em áreas de pastoreio. Em vilarejos, é comum a atribuição de realizar casamentos da população, pois a benção deles aumenta as chances de o casal ter filhos.

Templo

Os templos de Sevides são todos muito simples, feitos em pedra, tijolos cozidos ou mesmo em madeira, e costumam ser muito amplos. Ficam localizados em estradas que levam a áreas de plantio ou criação de animais.

Todos têm a forma de um retângulo com não mais de três metros de altura. No seu interior temos desenhos de animais e plantas, e os mais grandiosos possuem pequenas estátuas de animais e do próprio Sevides cuidando da lavoura ou dos animais.

Na parte externa, temos sempre plantas, trepadeiras pelas paredes exteriores, jardins floridos e uma grande quantidade de árvores frutíferas da região.

Pequenos santuários são criados próximos aos campos ou estábulos onde os trabalhadores locais, antes de iniciar suas atividades, oram a Sevides.

Vestimenta

Suas vestes são simples, grande parte delas feitas em tecido de algodão cru. Usam mantos grossos com um grande cordão feito de linho trançado e de coloração cinza. O cordão, que é usado amarrado na cintura, tem, em sua extremidade, nós que simbolizam as graças conseguidas dentro da ordem e sua importância nela. Costumam usar chinelos feitos de couro curtido, um cajado de madeira e uma pequena bolsa de sementes presa ao cordão da ordem. Assim como o cordão, o cajado tem grande importância simbólica para os membros da ordem que tratam a todos como membros de seu “rebanho”.

Locais sagrados

Rio Sevides. Nasce aos pés de uma grande árvore, e divide-se em três. Acredita-se que as águas da bacia do Rio Sevides tragam a alta fertilidade das terras da região. Camponeses de todas regiões de Tagmar acreditam que se, em épocas de secas ou pragas muito fortes, as suas terras forem regadas com um pouco das águas do Rio Sevides, elas voltarão a dar boas safras.

Itens Sagrados

Os altos sacerdotes de Sevides contam como item sagrado uma pequena caixa de madeira. Não se sabe ao certo qual é a sua propriedade mística, mas os mais sábios membros da ordem acreditam que se trate de um amuleto capaz de fazer com que os animais ou plantas não sejam mais capazes de se desenvolverem ou, se bem usado, seja capaz de garantir seu pleno desenvolvimento, ou ainda acelerar este desenvolvimento permitindo que, em menos tempo, seja capaz de colher ou ter o nascimento de um animal sadio.

Outro grande item sagrado de Sevides é o famoso Arado de Ouro que atualmente se encontra no tempo de Sevides na cidade de Tória, Calco. Dizem que este arado mágico tem enormes poderes divinos e que, devido a isto, a região de Tória é considerada a terra mais fértil de Tagmar, superando inclusive os de Eredra. Há também lendas que contam que, sobre este item sagrado, pesa uma grande maldição.

Doutrinas do culto

• Zelar por todas as criaturas vivas;
• Buscar o equilíbrio dos seres com a natureza;
• Proteger as pessoas indefesas e as propriedades;
• Agradecer a boa sorte.

Verbetes que fazem referência

Livro dos Deuses

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