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Desenvolvimento do Tagmar 2


Detalhamento da Profissão Sacerdote


Por Fábio Carvalho Magalhães [Fábio_CM]

Notas do Autor
Esta tarefa foi sem dúvida muito mais difícil para mim do que foi a dos guerreiros, e no final o resultado foi um texto muito menor.
Leiam e façam suas críticas com a ideia de que a intenção do texto é apresentar os sacerdotes antes de ingressarem nas ordens sacerdotais. Existe muita fonte de informação sobre cada deus e cada ordem sacerdotal, mas e aqueles sacerdotes que nunca entram em uma ordem? Aqui eu tento facilitar para quem busca interpretar um destes.

Lembrando que por se tratar de um texto que não entra no detalhe das especializações, há muito menos o que ser dito.
Uma grande dificuldade que tive foi criar a seção mestres da profissão. Os sacerdotes são de longe a profissão que mais tem personagens espalhados pelos livros, daí acabei achando poucas brechas para criar novos. No fim, acabei repetindo os que estão nos livros de referência, porque não achei cabível não considerar os líderes das ordens sacerdotais como mestres.
Aguardo suas contribuições.


“Se suas orações carecem de propósito, suas recompensas carecerão de respostas.”

Introdução

Os sacerdotes são os representantes dos deuses sobre a face de Tagmar. Os protegidos pelos criadores do mundo. Os fiéis que descobriram na fé o motivo de suas vidas e nos dogmas religiosos o caminho da completação pessoal.
Primordialmente baseados nos clérigos medievais da Terra, a profissão de sacerdote em Tagmar pode conceber desde pastores que ministram cultos e raramente pegam em armas, até guerreiros fortemente armados que espalham sua fé pelo campo de batalha, abençoando seus companheiros. A capacidade física destrutiva destes indivíduos não é superior a de um guerreiro ou a de um rastreador, porém a proteção divina fortemente representada pela possibilidade da realização das magias sacerdotais – os milagres ofertados pelos deuses – os torna uma especialidade altamente capaz de enfrentar satisfatoriamente qualquer desafio.

Os sacerdotes estão espalhados por Tagmar cumprindo na maioria das vezes funções eclesiásticas, administrativas, de doutrinação nos locais ermos, combate às blasfêmias e combate ferrenho aos demônios e demonistas. Sua função principal dependerá muito das necessidades do meio em que o indivíduo estiver inserido e do deus patrono deste sacerdote.

A maior parte dos textos referentes aos sacerdotes está incluído em textos de ambientação à parte deste. Este capítulo que você lê tem a pretensão de fornecer inspiração principalmente para a criação e o desenvolvimento de um sacerdote em início de carreira, antes deste se dedicar a uma ordem sacerdotal, embora seja de utilidade para personagens de qualquer estágio. Se a intenção de você, leitor, for buscar informações detalhadas a respeito da interpretação de um sacerdote de um deus em particular, a recomendação é buscá-la em leitura específica, especialmente o livro dos deuses e demônios e o livro das ordens sacerdotais.

Sacerdotes, Ordenados, Pregadores, Seguidores, Devotos e Portadores da vontade


Para evitar qualquer tipo de ambiguidade, a classificação dos sacerdotes neste texto respeitará a seguinte nomenclatura:

Sacerdote: Profissão jogadora de sacerdote, que tem acesso aos milagres e a proteção dos deuses. Ele é capaz de acessar o karma divino e, se também for ordenado, tem os deveres que a ordem religiosa lhe impõe e os direitos que lhe são garantidos, como o de ministrar cultos e oficializar uniões perante os deuses. Porém, muitos sacerdotes em início de carreira ainda não pertencem a nenhuma ordem. Sua bênção ocorreu antes que eles tenham sido ordenados. Um sacerdote nesta condição é chamado sacerdote não ordenado.

Ordenado:Indivíduo abençoado ou não que foi iniciado em uma congregação religiosa.

Pregador: Indivíduo iniciado na ordem religiosa, mas incapaz de acessar o karma divino, seja pela sua inaptidão natural, seja pela vontade dos deuses. Apesar disso, aos pregadores são atribuídos deveres iguais aos dos sacerdotes (são vulgarmente chamados como tais), embora raros sejam os casos que sejam capazes de ascender muito na hierarquia da igreja. As exceções possuem uma linhagem muito influente ou carregam alguma informação que deve ser mantida dentro da organização. Aos ordenados também é cedido o direito de ministrar cultos e realizar uniões perante os deuses. Podem pertencer a outra profissão jogadora.

Seguidor: Indivíduo que participa na periferia de uma determinada congregação religiosa. Um guerreiro de Crizagom que é guarda do templo, por exemplo. Estes indivíduos pertencem a outra profissão jogadora (ou a nenhuma) e não são capazes de acessar o karma divino. Quando iniciados em alguma ordem religiosa, jamais são capazes de ascender em sua hierarquia, cabendo a eles geralmente funções de proteção, espionagem, educação, contabilidade, arrecadação, etc.

Devoto: Aplicável a praticamente qualquer indivíduo de Tagmar que declaradamente faz suas orações orientadas a um deus específico. Os devotos podem ser desde plebeus até uma profissão jogadora qualquer. Eles não tem qualquer relação com a ordem religiosa, embora sigam seus dogmas por sua própria vontade.

Portador da vontade: São indivíduos especiais, que foram escolhidos pelos deuses além de um sacerdote comum, para uma tarefa maior que pode ou não ser explícita. Os portadores da vontade geralmente assumem posição de destaque politicamente, seja em meio a hierarquia religiosa, seja em meio a população comum. São sempre sacerdotes do deus que o escolheu.

Mestres da Profissão

Os grandes mestres sacerdotes de Tagmar são aqueles que conseguiram a maior aproximação com os deuses. Em quase todos os casos, eles atingem o mais alto grau dentro das ordens sacerdotais. Um mestre sacerdote também pode ser aquele com maior influência na sociedade devido a seus dons naturais, não tendo ainda recebido as mais altas bênçãos de sua divindade. Ainda, eles podem ser aqueles chamados dos “portadores da vontade” dos deuses; sacerdotes que, embora ainda não tenham recebido a 3ª bênção ou talvez nem mesmo a 2ª, já foram escolhidos pela divindade de alguma forma. A seguir segue uma lista dos mestres sacerdotes pelo mundo.

Rudor Maximus

Deus patrono: Blator
Atuação: Líder em atividade da Ordem dos Destemidos Senhores da Guerra.

Um homem respeitado como poucos mesmo fora da influência da ordem de Blator, Rudor é um líder invejado por muitos por sua capacidade de liderança, inteligência militar e preparo físico extraordinário, mesmo para seus 62 anos de idade. Ele é o irmão mais velho do general máximo de Verrogar, Idor Maximus.

Rudor se tornou um membro da ordem de Blator ainda muito jovem, influenciado por tradição familiar. Porém, isto nunca foi um fardo para ele. Ao invés disso, o Senhor da Guerra vestiu o manto da batalha com orgulho e satisfação, recebendo a bênção de Blator em sua primeira frente de batalha, aliado ao exército Verrogari. Sua dedicação à divindade nunca lhe foi em vão. Blator o viu como um verdadeiro representante de sua causa, e o abençoou novamente para que disseminasse sua fé, fazendo-o ganhar ainda mais respeito e influência, até que inevitavelmente chegasse a sua posição atual.

O livro das ordens sacerdotais traz mais informações sobre Rudor Maximus e a Ordem dos Destemidos Senhores da Guerra.

Jorehu Hafoli

Deus patrono: Cambu
Atuação: Líder em atividade da Ordem da Divina Prosperidade

“Um homem de sessenta anos, mas com a sabedoria de um elfo de 700.” Este é um dos boatos que giram ao redor deste senhor de grande vigor que lidera a ordem de Cambu.

Jorehu ficou conhecido entre seus pares após uma série de negociações diplomáticas que permitiram a abertura de rotas comerciais inimagináveis até seu pioneirismo, como um salvo-conduto para todas as caravanas de Plana cruzando o reino de Verrogar em direção a Dantsem e a fundação da guilda mais polêmica de Tagmar, responsável pelo frete de Porto Livre para o resto do mundo e vice-versa.

Seu grande talento para as negociações inicialmente o levou a prática de muitas atitudes ilegais. O sacerdote de Cambu Herenus foi seu descobridor, pois foi o homem que o ensinou a doutrina de Cambu e fez dele um verdadeiro negociante. Foi em algum momento desta época que Jorehu recebeu a bênção do deus. Desde então, sua influência dentro da ordem e os boatos sobre seus milagres só fizeram aumentar.

O livro das ordens sacerdotais traz mais informações sobre Jorehu Hafoli e a Ordem da Divina Prosperidade.

Linus Draku

Deus patrono: Crezir
Atuação: Líder em atividade da Ordem dos Dragões Vermelhos.

“A mão direita de Crezir”. Esta é uma frase constantemente associada ao nome de Linus Draku, o mais poderoso líder da história recente da Ordem de Crezir.
Abençoado pela deusa aos 15 anos, o sangue da linhagem dos Draku corre forte nas veias deste homem frio e destemido, que é capaz de invocar os mais poderosos milagres de Crezir, e aspirante a terceira bênção, dizem os fiéis.

O livro das ordens sacerdotais traz mais informações sobre Linus Draku e a Ordem dos Dragões Vermelhos.

Eduardi Supramati III

Deus patrono: Crizagom
Atuação: Líder em atividade da Ordem Sagrada dos Bravos Cavaleiros da Justiça.

O paladino mais influente da ordem de Crizagom é um homem com todas as qualidades que um representante deste deus deva possuir, sendo sua posição atual incontestável até por alguns de seus opositores políticos. Por este motivo, talvez, ele é abençoado pelo deus da justiça com a capacidade de reproduzir milagres poderosos.

O livro das ordens sacerdotais traz mais informações sobre Eduardi Supramati III e a Ordem Sagrada dos Bravos Cavaleiros da Justiça.

Eltrom Maltus

Deus patrono: Cruine.
Atuação: Líder em atividade da Ordem da Noite Eterna.

Um homem batendo as portas de Cruine. Assim chamam os inimigos de Eltrom, um sacerdote de 80 anos de idade e líder da Ordem deste deus. Embora muito se comente sobre sua sucessão, a verdade é que não há em toda a ordem alguém mais abençoado pelo próprio deus do que esta pessoa carismática e obstinada. Durante seus 50 anos de liderança, Eltrom foi o responsável pela destruição de centenas, talvez milhares, de mortos vivos. Os milagres que este homem é capaz de invocar são únicos, e alguns acreditam, embora sem garantia, que ele é portador da terceira bênção.

O livro das ordens sacerdotais traz mais informações sobre Eltrom Maltus e a Ordem da Noite Eterna.

Misandra

Deus patrono: Ganis.
Atuação: Líder em atividade da Ordem da Grande Mãe.

Esta bela jovem é portadora da vontade de Ganis. Escolhida pela própria deusa para ser a líder de sua ordem de sacerdotes, Misandra é tida muito mais como uma promessa em termos de liderança e poderes do que uma real mestre sacerdote. Independente disso, ela já é abençoada com a segunda bênção desde a adolescência
O livro das ordens sacerdotais traz mais informações sobre Misandra e a Ordem da Grande Mãe.

Alexia

Deus patrono: Lena.
Atuação: Líder em atividade da Ordem dos Primorosos.

Alexia é uma portadora de dons misteriosos. Alguns acreditam que esta jovem e lindíssima sacerdotisa é portadora de alguma bênção diferente oferecida pela deusa, outros dizem que ela realiza seus milagres para influenciar aqueles que a circulam. O fato é que sua presença é acalentadora e inquietante ao mesmo tempo. Ela possui um talento natural para sedução e persuasão, talentos estes que lhe garantiram alcançar sua posição atual na ordem.
O livro das ordens sacerdotais traz mais informações sobre Alexia e a Ordem dos Primorosos.

Enora

Deus patrono: Maira.
Atuação: Líder em atividade da Ordem dos Runcaim.

A mais alta posição dentro da ordem de Maira é ocupada por esta elfa milenar, sobrevivente do cataclismo e peça chave na expulsão do príncipe demônio Morrigalti. Enora é considerada a sacerdotisa mais poderosa de Tagmar, e a única que indiscutivelmente é possuidora da terceira bênção com todas as honras, tendo em seu repertório de milagres várias magias ancestrais. O próprio banimento de Morrigalti foi realizado através da evocação de poderes ancestrais, tão poderosos que apenas muito raramente foram vistos no terceiro ciclo. Ela é respeitada por todos, amigos e inimigos, que reconhecem em sua imagem a vontade de uma das mais poderosas deusas do panteão. Alguns acreditam que a devoção da sacerdotisa em uma época em que os deuses eram menos presentes no cotidiano de Tagmar, o segundo ciclo, é o motivo pelo qual a deusa agraciou sua preferida com poderes tão magníficos após o cataclismo.

Martom Amaatri

Deus patrono: Palier.
Atuação: Líder em atividade da Ordem da Luz.

Este nome emblemático representa o ápice da ordem do deus do conhecimento e da magia. Por muitos tido como morto, o elfo dourado Martom representa sua divindade sendo um dos mais poderosos sacerdotes sobre Tagmar. Seus milagres garantidos pela terceira bênção tornam-o imune a maioria dos conchavos e maquinações de sucessão mundanos.

O livro das ordens sacerdotais traz mais informações sobre Martom Amaatri e a Ordem da Luz.

Forje

Deus patrono: Parom.
Atuação: Líder em atividade da Ordem do Sacro Ofício.

Este velho anão de voz grave e imponente é o representante máximo entre os sacerdotes de Parom. Guia da ordem há mais de 100 anos, Forje é um sacerdote poderosíssimo que, dizem, foi responsável pela criação de dezenas de itens de metal abençoados. Estes itens, em sua maioria armas, foram de importância decisiva para a resistência de Abadom durante décadas na guerra contra a Seita. Na época Forje ainda era um jovem sacerdote artífice, mas já demonstrava um talento especial. Foi ainda durante a dominação Bankdi que, nos aposentos da Ordem do Sacro Ofício, este bravo foi nomeado Mestre-Artífice e assim permanece, até hoje, como o mais poderoso e influente dentre eles. Os rumores contam que desde o fim da guerra contra os demônios Forje não cria mais nenhuma arma abençoada. Não há razão forte o suficiente que o faça criar uma hoje.

O livro das ordens sacerdotais traz mais informações sobre Forje e a Ordem do Sacro Ofício.

Marconde Travescar

Deus patrono: Parom
Atuação: Ex líder da igreja de Parom em Luna.

Marconde foi um dos mais influentes sacerdotes de Parom, mas seu nome é rodeado de boatos dos mais exóticos. Os mais recorrentes contam que pouco antes do surgimento da peste em Luna os poderes de Travescar se multiplicaram – o que insinua a graça da terceira bênção. Porém, nesta mesma época ou pouco antes, um estranho homem com uma peculiar cicatriz no rosto teria chegado a Dariati e se aproximado do sacerdote. A amizade entre eles teria sido fulminante e teria mudado o comportamento de Marconde. Logo em seguida veio a peste. Portanto, esses boatos provavelmente exagerados contam que o homem da cicatriz corrompeu o sacerdote, que com seus novos e incríveis poderes teria criado ou disseminado a peste maligna – ou ambos!

Marconde Travescar está desaparecido há muito tempo, e não há pistas sobre seu paradeiro.

O livro dos reinos traz mais informações sobre o Marconde Travescar e a peste de Luna.

Yalas

Deus patrono: Plandes.
Atuação: Líder em atividade da Ordem da Divina Demência.

Yalas é um elfo com uma história triste, mas que por fim o levaram a revelação de Plandes, e o tornaram um portador da vontade deste deus. Criador da Ordem da Divina Demência, ele é um valoroso guerreiro que busca ensandecidamente por mais devotos à sua divindade. Yalas é portador de um dom razoavelmente comum aos sacerdotes de Plandes, porém muito mais marcante nele do que nos outros: a dom da profecia. As palavras deste elfo são sempre escutadas com o máximo de atenção por todos seus seguidores, pois em cada frase uma nova profecia de Plandes pode ser discretamente (ou não tão discretamente) proferida.
O livro das ordens sacerdotais traz mais informações sobre Yalas e a Ordem da Divina Demência.

Selros de Galatel

Deus patrono: Selimom.
Atuação: Líder em atividade dos Mártires da Ordem do Alvorecer.

Selros de Galatel é um meio-elfo poderoso com as bênçãos do deus da paz. Este sacerdote é líder espiritual dos Mártires desde o fim da guerra contra a seita. Durante as tempestuosas batalhas em que Ludgrim afastava os demonistas, Selros foi o sacerdote mais influente em converter os jovens órfãos nascidos entre os bankdis, aproximando-os dos deuses e enfraquecendo os demônios. Por sua tarefa nobre como poucas poderiam ser, o deus da paz o agraciou com poderes únicos e incomparáveis.

O livro das ordens sacerdotais traz mais informações sobre Selros de Galatel e os Mártires da Ordem do Alvorecer.

Capitão Farastal

Deus patrono: Selimom.
Atuação: Líder em atividade dos Pacificadores da Ordem do Alvorecer.

Este homem é o responsável pelo treinamento do braço forte dos sacerdotes de Selimom. É um homem dedicado a sua função, capaz de dedicar cada gota de seu sangue em prol do sucesso da propagação da fé de seu deus patrono.

O livro das ordens sacerdotais traz mais informações sobre Capitão Farastal e os Pacificadores da Ordem do Alvorecer.

Marcus Columbano

Deus patrono: Sevides.
Atuação: Líder em atividade da Ordem dos Filhos da Terra.

Este velho humano é considerado um dos mais poderosos sacerdotes vivos em Tagmar, apesar dos boatos sobre a 3ª bênção sobre ele serem dispersos e ambíguos. Columbano é guia a Ordem dos Filhos da Terra como Grande Lavrador há 30 anos, e atualmente reside em Efrim, onde comanda espiritualmente toda o reino de Eredra. Sua influencia se estende por todo o povo comum, que acredita e aguarda seu sinal para levantar-se contra os Portentans.

O livro das ordens sacerdotais traz mais informações sobre Marcos Columbano e a Ordem dos Filhos da Terra.

Características

A vida de um sacerdote raramente começa envolvida com as grandes ordens sacerdotais. Antes disso, a esmagadora maioria dos tagmarianos tem contato com organizações menores, com atuação e influência muito mais regionalizada, e que possuem diretrizes distintas quanto a atuação frente ao povo comum, mesmo tratando-se da mesma divindade. Porém, estas congregações tem estruturas que se espelham nas ordens mais poderosas, dominadas por grandes sacerdotes. Como apresentado no livro de ordens sacerdotais, as estruturas das ordens se dividem em clericais, militares e ocultistas. Dependendo da divindade preferida, o sacerdote acolherá uma destas características como sua, embora algumas variações sejam notadas de indivíduo para indivíduo.

Dentro da mesma ordem sacerdotal pode haver misturas de estruturas, podendo o sacerdote adotar qualquer uma delas. Os sacerdotes de ordens clericais são os menos belicosos, muitas vezes até sendo pacifistas. Eles são mais voltados a busca pela sabedoria e a contemplação. Os militares podem utilizar variadas armas e armaduras, estando limitados apenas pelas restrições da deidade seguida e os dogmas de sua ordem. Os ocultistas podem comportar-se como sacerdotes militares ou clericais comuns, ou mesmo como seguidores. A hierarquia de um membro da estrutura ocultista será sempre preservada. Para maiores detalhes, consulte o livro das ordens sacerdotais.

Um sacerdote em início de carreira já deve ter em mente em que tipo de estrutura está organizada a religião que escolheu. A partir daí, ele deverá obedecê-la para que possa ser reconhecido mais facilmente como um igual e convidado a participar de uma ordem sacerdotal. As congregações menores que são capazes de ordenar sacerdotes muitas vezes orientam seus acólitos nesse sentido, mas um novato, não ordenado, pode encontrar dificuldades.

Os sacerdotes possuem personalidades que variam muito segundo a inclinação de sua deidade patrona. Portanto, eles podem possuir qualquer temperamento. São características comuns a todos os sacerdotes o respeito a religião de todos os deuses, o desprezo aos demônios e aos demonistas, a contemplação de sua divindade e uma postura ritualística e formal perante os milagres, profetas e outras formas de manifestação divina.

Outra questão importante é que os sacerdotes sempre possuem boas intenções. A índole nunca maligna dos deuses de Tagmar faz com que os indivíduos de índole realmente perversa acabem não sendo abençoados. Porém, embora com boas intenções, os métodos empregados pelos sacerdotes podem variar muito segundo suas convicções. Desta maneira é possível encontrar membros desta profissão com os mais variados comportamentos, e um sacerdote “vilão” pode ser vil ou cruel, mas sempre em busca de uma missão maior, digna de sua divindade patrona.

Embora nenhum ordenado em sã consciência duvidaria do poder de um deus e da influência que este pode exercer em Tagmar, por vezes podem ocorrer desrespeitos mal fundamentados, especialmente entre os iniciantes, de sacerdotes para com outros sacerdotes ou pregadores, geralmente pondo em cheque sua fé ou intenções. Principalmente entre os de temperamento mais explosivo, estas demonstrações imaturas de desrespeito culminam, frequentemente, em lutas desnecessárias, que acabam manchando a imagem da religião para os presentes. A ocorrência destes eventos são um critério prático de avaliar os sacerdotes aptos para ingresso ou não em ordens sacerdotais.

As causas que mais levam a mal comportamento está constantemente associado com uma exagerada necessidade de “mostrar serviço”, levando os sacerdotes a cometerem acusações baseadas nos estereótipos que eles próprios desenharam dos seguidores de outras divindades. As vezes o acusador nem mesmo é um sacerdote ordenado (mas é possuidor da primeira bênção), o que significa que não recebeu uma educação formal por parte de outros pregadores.

A ocorrência destes acontecimentos influencia diretamente na forma como tanto as ordens dos sacerdotes, como também a comunidade presente e as pequenas congregações, enxergam o sacerdote. Como consequência, algumas regiões formam estereótipos próprios a respeito de uma determinada religião e seguidores deste ou daquele deus.

Aventuras

Os sacerdotes podem ter muitas razões para se aventurar. Alguns indivíduos, inclusive, já serão aventureiros antes de se tornarem realmente sacerdotes. Dentre as muitas circunstâncias motivadoras para um sacerdote tornar-se aventureiro, algumas foram selecionadas e descritas a seguir.

O sacerdote é um guerreiro em nome de sua fé. Sacerdotes militarizados encontram no campo de batalha a resolução de seus conflitos, destruindo os inimigos declarados da deidade para o qual jurou fidelidade, ou espalhando sua própria versão dos dogmas de seu deus.

Este tipo de sacerdote geralmente se torna o braço armado das forças principais das ordens sacerdotais. Eles estão entre os que mais ferozmente reagem ao mau emprego do nome dos deuses e invocam os milagres em batalha de forma a motivar seus companheiros.

O sacerdote precisa conhecer o mundo e os mecanismos por traz da sociedade. A igreja não é governada apenas pela fé, mas também, em igual proporção ou maior, pela política. Conhecer o povo e as maquinações políticas é um dos vários motivos que podem fazer um indivíduo desta profissão aventurar-se. Eles, as vezes, possuem uma visão ímpar de sua religião e buscam uma ascensão hierárquica de forma que possam pô-la em prática.

Geralmente os sacerdotes que escolhem este caminho e obtém sucesso acabam por tornar-se influentes na sociedade de alguma forma, seja através do poder militar que adquirem ao entrarem em uma ordem sacerdotal, seja através do próprio apoio popular que adquire por suas conquistas. Figurar entre os mais importantes na política de um reino ou ordem pode, inclusive, ser parte dos objetivos do personagem. Afinal, a melhor forma de espalhar sua fé é estar em uma posição de comando.

O sacerdote é um filantropo. Ao viajar e conhecer o mundo, o sacerdote espera adquirir sabedoria para fazer o bem ajudando os outros. Os dogmas de seu deus possivelmente o estimula a ter este comportamento, mas ele pode ter esta motivação antes mesmo de receber a primeira bênção, sendo agraciado com esta por deuses como Selimom ou Sevides, por exemplo, após sua jornada já ter começado. Os abençoados que escolhem este caminho invocam seus milagres com muita parcimônia e ritualidade.

O sacerdote busca uma revelação maior. Para muitos, a primeira bênção oferecida aos sacerdotes é a mais representativa revelação divina que um dos filhos pode receber. Entretanto, alguns sacerdotes não se satisfazem com estas manifestações e buscam uma explicação mais profunda. Eles se aventuram por Tagmar em busca de locais ou itens sagrados de sua divindade, sempre com a esperança de chegarem mais perto do verdadeiro karma da deidade. Eles não são movidos por cobiça, mas sim pela fé e por uma ambição que nasce no fundo de suas almas e os impelem a aventurar-se. Tendem a ser indivíduos comtemplativos e calmos, mas a influência da adoração a divindade sobre sua personalidade pode mudar isso drasticamente. Sacerdotes de muitas divindades diferentes podem apresentar este perfil, embora os locais que busquem explorar varie muito. Por exemplo, os sacerdotes de Ganis podem ser ávidos exploradores de mares ou rios, os de Quiris podem buscar campos e planícies, os de Maira ambientes intocados pelos filhos e os de Crezir locais de antigas batalhas ou armas divinas ancestrais.

Iniciando

Os deuses estão observando seus filhos todo o tempo. Esta frase pode ser atribuída a muitas pessoas em todos os cantos de Tagmar. E proferida por plebeus, artesãos, nobres e devotos em geral, mas o fato mais importante referente a ela é simples: é verdadeira.

Todo indivíduo comum de Tagmar (ao ler comum, entenda devoto e/ou filho de um devoto dos deuses criadores) cresce sabendo da influência do divino sobre a vida, a natureza e os mistérios. Todos conhecem lendas, simpatias e milagres que as divindades deixaram e deixam sobre o mundo, e também são cientes de que alguns escolhidos são capazes de manter um elo mais forte que a maioria dos indivíduos com os deuses. Eles sabem que, enquanto alguns dedicam suas vidas aos ideais de um deus específico, abraçando sua filosofia, outros são arrebatados pelos criadores, como se tivessem sido enviados ao mundo com uma missão especial. Esta é a forma como a maioria dos filhos comuns enxergam os sacerdotes. E esta também é a forma que muitos destes mesmos filhos comuns tornam-se sacerdotes.

Uma boa parte dos sacerdotes capazes de realizar milagres (que são de interesse para os personagens jogadores) optam pela carreira após uma visão ou um acontecimento grave que lhe põe a prova. Ao enfrentar e desvendar a missão, ou vencer esse acontecimento, o indivíduo realiza um milagre menor – a primeira manifestação divina. Isso é chamado pelos sacerdotes de “a primeira benção”, que se manifesta pela primeira vez na forma de uma intuição divinamente orientada.

Outros seguem uma tendência de clã, tornando-se ordenados por influência da família. Quando a fé deste indivíduo é verdadeira, pode acontecer dele ser agraciado com a primeira bênção. Ocorrem em muitos reinos a presença de linhagens de ordenados, que são famílias que tradicionalmente possuem seus integrantes iniciados em alguma ordem sacerdotal específica (geralmente do deus patrono daquela família). Embora seja raro que todos os descendentes sejam agraciados com a primeira bênção, a influência e o poder da família dentro de uma ordem pode ser determinado pela frequência com que estes presenteados aparecem.

Por fim, alguns indivíduos apresentam uma inclinação natural para a espiritualidade. Estes indivíduos possuem uma grande empatia, que atraem pessoas para seus círculo, tornando-o uma pessoa influente. Quando esta pessoa é declaradamente e verdadeiramente adoradora de um deus, a primeira bênção ocorre naturalmente.

O recebimento da primeira bênção é um momento único na vida de um sacerdote.

Quando agraciado com a primeira bênção, ele saberá de início o que está acontecendo. O abençoamento é uma a manifestação divina tão reveladora que seus poderes ficam disponíveis de forma consciente imediatamente. Sua única dificuldade será aprimorar sua sintonia com a divindade, aumentando assim seus poderes e talvez se candidatando a uma segunda bênção, mas essa é uma tarefa que só a experiência poderá cumprir. Veja mais sobre as bênção na seção magia.

Uma característica muito peculiar aos sacerdotes é que eles não treinam seus milagres. Diferente de magos, que precisam estudar exaustivamente suas fórmulas e rituais, um sacerdote simplesmente sabe, por uma intuição divinamente orientada, como evocar seus milagres. Desta forma, os sacerdotes podem dedicar grande parte de seu tempo para atividades como o estudo, a meditação ou até mesmo o treino com as armas, enquanto deixam o julgamento do merecimento do aumento de sua capacidade de realizar milagres à carga de sua deidade patrona. O julgamento divino é sempre misterioso, mas é evidente que aqueles com uma bagagem de grandes enfrentamentos contra as forças de oposição a deidade patrona tem seus dons milagrosos aprimorados.

Finalmente, a ordenação de um sacerdote em alguma congregação religiosa não é necessária para que ele seja agraciado com a primeira bênção. Alguns serão iniciados nas ordens apenas posteriormente, quando forem compelidos a participar ou quando a segunda bênção se tornar iminente. Estes sacerdotes não ordenados não possuem influência religiosa nas congregações, embora desfrutem de prestígio e respeito ímpar pelo povo comum.

Raças

Todas as raças formam sacerdotes capazes (exceções podem surgir na descrição da raça). Os deuses são cultuados por todos os filhos, que tomam emprestado parte do poder divino na forma do karma divino.

Para saber qual a preferência de cada raça em relação a cada deus, consulte os livros de ambientação sobre as ordens sacerdotais ou o texto descritivo das raças.

Religião

Em Tagmar, os deuses possuem uma grande influência sobre a sociedade. Eles agem de forma indireta sobre cada indivíduo, afetando suas vidas de forma tão paupável quanto seus reis e rainhas. E eles agem de forma direta sobre o mundo através dos milagres concedidos aos sacerdotes. Com isso, forma-se uma cultura religiosa muito forte, em todos as classes.

Os sacerdotes são movidos e guiados pela religião, cabendo a eles a representação máxima de sua organização e transmissão. Eles são os intermediários entre os deuses e o mundano. São respeitados e temidos.

O povo comum enxerga com maior frequência os ordenados, sejam eles abençoados ou não. Para o plebeu ignorante, um ordenado é tão respeitado quanto um sacerdote. Por essa cultura já irraigada no coletivo, muitos buscam a ordenação como forma de adquirir poder na sociedade. As congregações estão sempre em busca de acólitos, e muitos acabam conseguindo o que procuram. Essas pessoas em busca de interesses mesquinhos raramete recebem a bênção dos deuses, embora sejam formalmente ordenados, tornando-se pregadores. Porém, a manifestação de um milagre por parte do sacerdote é de tal forma impressionante que de imediato todos percebem que aquele é um abençoado pelos deuses, e o tratamento se torna mais carregado de veneração.

Aqueles que sentem uma ligação mais profunda com a deidade, que acreditam em seus dogmas e querem disseminá-la pelo mundo também buscam a ordenação, e quando estes interesses são de fato sinceros, existe a possibilidade do sacerdote ser em definitivo abençoado por seu deus patrono.

Os dogmas variam muito conforme a divindade adorada, e dessa forma a interpretação da religião. A constante diante disso é que estes dogmas guiarão o comportamento do personagem frente aos outros e aos desafios enfrentados. Portanto, os verdadeiros sacerdotes não se deixam levar por interesses pessoais, mas por uma crença de que o melhor para todos é o dogma religioso dos deuses - de todos ou quase todos os deuses - e que ele é o emissário abençoado para transmitir a mensagem de seu patrono.

Congregações religiosas

A religião em Tagmar se organiza principalmente através das ordens sacerdotais e das congregações. São modos significativamente diferentes de se envolver com a sociedade e com os ordenados, mas a segunda está mais próxima da população comum do que a primeira.

As ordens sacerdotais podem ser classificadas como o ramo mais próximo à divindade. Todos os seus membros são abençoados pelos deuses, o que faz dela uma organização muito poderosa. Seguidores a protegem, agindo como soldados, emissários ou diplomatas. Porém, os grandes mistérios correm apenas pelos corredores das fortalezas de cada ordem sacerdotal, acessível apenas pelos escolhidos, abençoados pelos deuses. O livro das ordens sacerdotais traz detalhes sobre as ordens de todos os deuses do panteão.

As congregações são os grupos independentes que existem sobre todo o território de Tagmar. Elas não possuem, necessariamente, vínculos com um quartel general central que una todas as congregações. Ao invés disso, podem exisir muitas congregações voltadas para o mesmo deus, cada uma com sua política interna de hierarquias e poder. Elas também podem exercer influências diversas nas cidades ou regiões onde estão instaladas. Uma congregação religiosa, porém, por mais poderosa que seja, nunca alcança a abrangência e influência de uma ordem sacerdotal (embora em escala local a influência de uma congregação específica possa ser insuperável).

A maioria dos sacerdotes inicia seus estudos sobre religião e todos os outros conhecimentos necessários para sua vida eclesiástica em uma congregação. Elas estão espalhadas por todo o continente e possuem templos em praticamente todas as aglomerações civilizadas. Um indivíduo que seja admitido em uma congregação religiosa passa por seus rituais de iniciação e recebe a "bênção" de um congregado entitulado Ramo; então é chamado ordenado.

O Ramo é um ordenado de hierarquia intermediára em qualquer congregação, podendo ou não ser abençoado pelos deuses. A ele cabem as tarefas de ordenar novos acólitos em nome da divindade. Diferentemente de uma ordem sacerdotal, as congregações não possuem uma organização que dependa das bênçãos divinas para permitir a ascenção na hierarquia, sendo muito mais política do que as ordens sacerdotais.

É impossível descrever a organização de todas as congregações que existem em Tagmar. Para cada divindade existem dezenas ou centenas espalhadas pelo continente, e todas elas possuem suas próprias regras de ascenção na hierarquia e a distribuição das funções. Porém, algumas atribuições são comuns em todas elas. Seguem as três principais:

Acólito: Iniciante na congregação. Esta pessoa ainda não passou por todas as provações necessárias para ser considerado completamente iniciado na religião, mas estuda e ora diariamente com esta finalidade.

Ramo: O ordenado com poderes hierárquicos suficiente para rezar missas, realizar batizados, casamentos, abençoar o povo, ordenar novos membros quando autorizado e outras atividades eclesiásticas. É o braço da congregação que alcança o povo e faz os contatos.

Senhor da palavra: O nível mais alto nas congregações, capaz, dentre muitas outras possibilidades, autorizar a ordenação de novos membros, autorizar missões, definir taxas cobradas dos fiéis, organizar treinamento dos guardas, proteger os tesouros. É uma posição política que, dependendo da abrangência da congregação, pode possuir uma razoável influência regional. Muitos filhos de nobres sem vocação para o real sacerdócio (e que portanto não são agraciados com a bênção) acabam tornando-se senhores da palavra de congregações. O título pode mudar de nome dependendo do estilo que assume o grupo ou inclusive por uma ordem do próprio senhor.

Localização

As congregações estão espalhadas por todo o continente. Como a religião é algo comum em toda Tagmar, praticamente todas as comunidades conhecidas possuem no mínimo um Ramo, que pode ser um pregador ou mesmo um sacerdote. Ele é o guia espiritual da comunidade e as vezes até um líder local. É o porta-voz com outras congregações, com as ordens sacerdotais e as vezes até com outras comunidades.

As congregações possuem suas sedes normalmente em cidades de porte médio ou maiores, onde a concentração de pessoas dispostas a seguirem os duros rituais religiosos é maior. Uma cidade grande pode ser a sede de várias congregações.

Assim que um ordenado cumpre com sua iniciação e aprende o suficiente dos rituais mais tradicionais, como celebrações de casamentos, funerais e até julgamento, em alguns casos, etc., ele é elevado ao posto de Ramo e direcionado a uma cidade. Geralmente o indivíduo possui alguma autonomia para escolher seu destino.

Os sacerdotes abençoados que se tornam Ramo são bastante respeitados e fortemente encorajados a permanecerem nas sedes para inspirar novos acólitos.

Veneração

As congregações religiosas não seguem uma norma padrão, mas geralmente elas se enquadram naquelas voltadas para veneração de poucos deuses e naquelas que abrangem todo o panteão. Depende muito da influência da divindade e das ordens sacerdotais da região. Elas são como escolas, que ensinam aos acólitos todas as regras e teorias sobre deuses e seus mundos, geralmente sem especializar-se em uma deidade em particular, embora cada congregado possua sua divindade patrona, à sua escolha.

Usos da religião

Mesmo que a concepção da religião seja transmitida pelas divindades, os filhos também a transformam e fazem uso dela, alterando de certa forma seus objetivos principais, especialmente nas congregações, onde a divindade encontra-se mais distante da liderança. Pelo menos desde o início do terceiro ciclo a religião tem sido uma poderosa ferramenta de manipulação. Esta forma mesquinha de interpretá-la se fortaleceu a medida que os séculos passavam, até a guerra contra a seita no fim do primeiro milênio derrubar a fé nos deuses para alguns, mas fortalecer a fé para outros. Naquele momento os deuses não se manifestaram fisicamente como fizeram no cataclismo, mas a aparição dos demônios e a revelação de que aquela maldade realmente ameaçava o continente fez ressurgir no coração dos fiéis a verdadeira fé. Desde então, o uso da religião como forma de manipulação diminuiu, embora perceba-se que, aos poucos, alguns charlatões voltam a surgir. Este é um comportamento predominantemente humano, talvez devido a vida curta e consequente rápida mudança cultural, talvez devido a uma característica inerente ao indivíduo humano, como a cobiça.

Relação com os fiéis

Os devotos de Tagmar seguem os deuses primariamente por eles estarem visivelmente presentes no cotidiano. Porém, nem sempre o motivo é este. Alguns indivíduos, seja da raça que for, possuem uma fé muito fraca nos deuses devido a suas experiências pessoais. Estas pessoas cultuam os deuses de forma formal e veem os sacerdotes com receio, sempre temendo que eles descobrirão sua “blasfêmia”. Elas são as pessoas que mais provavelmente agirão contra os sacerdotes em uma situação de conflito, e também são os mais aptos a tornarem-se vilões.

Grande parte do povo comum de Tagmar aprende e ouve sobre os deuses de seus pais, amigos e do ramo local desde a infância. Por isso normalmente a devoção da pessoa comum é internalizada, pouco reflexiva e com profundos vícios. Um sacerdote não adaptado a cultura local pode passar até mesmo por um impostor dependendo de sua postura quanto aos dogmas religiosos que uma comunidade isolada guiada apenas por um pregador possui. A forma mais rápida e eficiente de desfazer tal confusão é realizar um milagre. Como dizem os sacerdotes mais arrojados, “Um milagre faz milagre”.

Deparar-se com pessoas que realmente acreditam em sua divindade é muito agradável para qualquer indivíduo, e é gratificante para um sacerdote. Em contato com pessoas da mesma fé, em geral os sacerdotes tendem a ser mais abertos e generosos. Por isso existem também aquelas pessoas que fingem uma fé diferente da sua – se é que a possuem – afim de tirar vantagem dos servos dos deuses.

Magia

“ - Do que é feito o corpo dos deuses, vocês me perguntam? O corpo dos deuses é feito de karma. Eles nos emprestam seus corpos ilimitados para que possamos realizar nossos milagres”
Extrato do livro A descoberta dos deuses

Durante a criação, os deuses utilizaram seus poderes para criar tudo que é conhecido. Parte deste karma ficou armazenado em cada entidade e, com o tempo, essa energia em tudo o que foi criado ganhou características diferentes daquela original, que ainda hoje alimenta os poderes de todos os verdadeiros sacerdotes. Esse karma original – o karma puro, como gostam de chamar os estudiosos de magia – só é possível ser usufruído quando em perfeita e direta comunhão com os deuses, diferentemente do karma arcano, capaz de ser extraído do universo. Portanto, os sacerdotes são os únicos mortais capazes de realizar magias através da energia fornecida diretamente pelos deuses. Eles estão em união direta com as deidades, que lhes fornecem um caminho direto e poderoso para a energia que criou o universo. Desta maneira, o único limite real para o poder dos milagres sacerdotais é a vontade divina.

A magia realizada pelos sacerdotes é chamada universalmente de milagre, e reconhecidamente se divide em três níveis, sendo dois mais comumente acessados. O primeiro deles, denominada a 1ª bênção, permite a realização de milagres comuns a todos os deuses. A fonte dessa energia é o deus patrono do indivíduo, mas sua canalização ainda não é tão direta ou perfeita para que ele seja capaz de extrair o máximo da energia divina. Neste momento, o sacerdote não está, ainda, em perfeita sintonia com seu deus – o que não tem relação alguma com sua fé. Há sacerdotes capazes de realizar milagres que são fanáticos e, ainda assim, não são agraciados com os maiores poderes.

Um sacerdote precisa ser agraciado com o que é conhecido como a 2ª bênção para se capaz de realizar milagres mais complexos. Diferente da primeira bênção, neste momento o sacerdote não é capaz de detectar por si só a escolha divina. Um sacerdote agraciado com a segunda bênção não consegue, de repente, lançar um milagre específico de seu deus. Apesar da deidade já o ter escolhido, ele não estará pronto até que um segundo misterioso e inesperado evento ocorra.

Um sacerdote ou pregador de uma ordem sacerdotal do deus patrono do personagem será instruído a conhecê-lo e convocá-lo para a missão sagrada, geralmente através de simbolismos. Estes variam de divindade para divindade – alguns deuses são requintados nesse processo – mas podem aparecer na forma de sonhos, arte, alucinações, coincidências, enfim, da forma mais apropriada para a deidade e para a situação em que se encontra o indivíduo em questão.

Uma vez estabelecido o contato, o sacerdote candidato a segunda bênção será convocado para participar da ordem sacerdotal de sua religião. Apenas depois de sua iniciação que os primeiros vestígios da segunda bênção surgirão na forma de milagres.

Sacerdotes agraciados com a segunda bênção estão entre os mais poderosos evocadores de magia que se conhece. Ainda assim, eles são muito mais zelosos com seus poderes do que outras profissões evocadoras. Estes indivíduos sabem que sua capacidade divina não lhes pertence realmente, mas sim a uma entidade superior. Portanto, eles solenemente reverenciam a magia e a forma como lhes é atribuída.

O terceiro nível conhecido e mais raro de todos é denominado a 3ª bênção. As histórias dizem que os sacerdotes agraciados com estes poderes são capazes de milagres semi divinos, sendo os maiores representantes da divindade na face de Tagmar, aquém apenas dos próprios deuses e seus avatares. Embora muitas são as histórias de que no segundo ciclo a terceira bênção era mais comum, razão pela qual os milagres concedidos por ela são chamados ancestrais, no terceiro ciclo é comprovado que apenas um sacerdote a possui: A Runcaim da ordem de Maira, a rainha dos elfos dourados de Âmiem, Enora. Com seus mais de 14 séculos de vida, os poderes da sacerdotisa vão muito além de um elfo comum. Outras lendas circulam em Tagmar. Algumas dizem que O Mais Sábio também foi agraciado com a terceira bênção, embora outro neguem, dizendo que sua especialidade era a magia arcana. A terceira pessoa a que os boatos se referem com muita força é Marton Amaatri, o líder máximo da ordem de Palier. Seja pela natureza mágica do deus que segue, seja por sua própria presença imponente e misteriosa, este elfo dourado possui um ar de poder ao seu redor que alimenta muitas lendas. Por fim, existem muitos boatos, principalmente sobre os grandes mestres, sobre a capacidade de evocar os milagres concedidos pela terceira bênção. Porém, em todos os casos, não existem testemunhas oculares para comprovar isso ou, quando existem, estas não são suficientemente capacitadas para confirmar que aquele milagre era de fato um milagre ancestral. Não há registros na história de sacerdotes que tenham assumido publicamente esta capacidade, não se sabe o porquê.

Em adição a esses fatos comprovados, histórias contadas nos cantos mais tradicionalistas de Tagmar ainda fazem referência a uma lendária 4ª bênção. Esta graça dos deuses seria concedida apenas em tempos de grande dificuldade, e daria ao portador poderes realmente divinos. De acordo com as histórias, a aura do indivíduo receberia ela própria a essência da divindade, e este sincronizaria-se com o deus de forma que uma nova entidade renasça a partir dessa união. Tais seres seriam capazes de manipular o karma divino como um deus e teriam o corpo físico amplamente tonificados. Segundo as lendas, a última aparição da quarta bênção foi pouco antes do cataclismo, como forma de conter alguns avanços dos reis-feiticeiros, antes dos deuses descerem sobre os mortais. Estes abençoados são denominadas, em todas as lendas, de avatares.

Na proporção em que os sacerdotes respeitam os milagres divinos, eles acreditam que a magia arcana blasfeme a cada novo encantamento proferido. O karma remanescente não foi um presente dos deuses a ser explorado, mas uma consequência da criação do mundo que tem seu papel em manter o universo equilibrado. Isto não significa que um mago e um sacerdote em específico tenham que ser inimigos, mas sim que eles possuem filosofias diferentes. Um debate sobre a origem e a forma de manipular o mana entre um mago e um sacerdote bem instruídos poderia facilmente se tornar acalorado.

Outras Profissões

De todas as profissões jogadoras, os sacerdotes são os mais aceitos, em termos gerais. A aceitação específica a um grupo, porém, vai depender da orientação do sacerdote e seu deus patrono. Eles também são muito tolerantes quanto a membros de outras profissões, mas seus dogmas religiosos podem afetar seu comportamento perante certos tipos de pessoas.

Em geral, os sacerdotes se envolverão com guerreiros sem problemas. Os sacerdotes de Selimom são os mais resistentes a acompanhar membros dessa profissão, mas eventualmente será necessário. Os guerreiros são uma força poderosa e útil demais para desprezar.

“Seus poderes são corrompidos, mas os deuses permitem que o façam neste nível”. Esta é uma razão muito frequentemente dada por sacerdotes de todos os deuses para aceitar os magos. Eles se referem ao ocorrido com os reis-feiticeiros, que utilizaram a magia arcana de forma egoísta e foram impedidos pelos deuses. Embora os métodos dos magos para produzir a magia não seja aprovado unanimamemente pelos sacerdotes, os do clero de Palier serão muito receptivos para com esta profissão. Além disso, por a magia arcana ser uma arma potente, os sacerdotes da guerra sabem que sua utilização é fulminante se bem utilizada.

Os bardos podem ou não agradar os sacerdotes, dependendo a índole do primeiro e do deus patrono do segundo. Sacerdotes de deuses como Parom, Palier, Selimom e Lena tendem a se dar muito bem com artistas, que são peritos no uso da arte e, portanto, tem o foco em um talento apreciado por essas divindades. Os arautos, os grandes decifradores da personalidade, são os preferidos de sacerdotes dos deuses com personalidade complexa, Plandis, Ganis e Cambu. Por fim, os eruditos são os preferidos de sacerdotes dos deuses da guerra e da tríade da agricultura, que também estudam a sociedade como forma de se sobressaírem em campo de batalha ou distribuir a riqueza, respectivamente. Os sacerdotes de Maira são os únicos que mantêm um relacionamento de pouco interesse com todos os tipos bardo, embora não haja nada realmente impeditivo para a formação de uma amizade.

Os ladinos podem ser indivíduos muito complexos para dizer que os sacerdotes, que podem possuir qualquer personalidade, tenham um conceito formado. Em geral os assassinos serão mal vistos por quase todos, a menos que exista um interesse em seus serviços. Os piratas raramente serão bem vistos por qualquer sacerdote, exceto talvez os de Ganis, Crezir e Blator. Os ladrões também não terão uma boa reputação perante essa profissão, sendo os sacerdotes de Maira os mais neutros, e os sacerdotes de Crizagom e Cambu os que mais os repudiam.

Os sacerdotes da tríade da agricultura, de Ganis, Maira, Cambu, Cruine e os da guerra em geral fazem um bom conceito dos rastreadores. Os outros serão neutros.

Dicas de interpretação

A Fé

A força motriz dos sacerdotes é sua crença no divino, no poder superior, que é capaz de tornar o mundo melhor do ponto de vista dos dogmas de sua religião. Para o verdadeiro crente, não é necessário a manifestação divina para que sua alma saiba da existência das entidades superiores, criadoras de toda Tagmar. Essa incondicionalidade é a verdadeira fé, possuída necessariamente por todos os sacerdotes abençoados, mas compartilhada também por milhares de outros indivíduos não agraciados com tal presente. Contudo, a fé em Tagmar é inquestionável, pois os deuses são de certa forma evidentes. Apesar disso, em nenhum outro grupo de indivíduos ela se manifesta de maneira tão peculiar quanto nos sacerdotes.

A fé tem várias faces, e cada deus sabe utilizar as melhores delas a seu favor. Existem muitos seguidores e pregadores fanáticos, cegos com tanto afinco que seriam facilmente capazes de tirar a própria vida ou a dos outros em sacrifício aos criadores. Para a maioria dos deuses, esta não é a “fé” procurada. Em vez disso, são abençoados aqueles que enxergam a religião e os dogmas dos deuses com clareza e sabedoria. Estes tornam-se sacerdotes, tendo como sua primeira grande revelação exatamente isso, o motivo que os garantiu tal privilégio, fortalecendo sua crença.

Cada divindade em Tagmar possui uma esfera de influência. A religião que esta entidade criou possui seus dogmas, que são seguidos a risca pelos sacerdotes. Porém, a fé não é o comportamento em si. Ela é um sentimento, uma vontade mais profunda e intimamente ligada a aura do indivíduo. Apenas através dela os sacerdotes são capazes de compreender, ao menos em parte, os verdadeiros anseios dos deuses. É uma força que ao mesmo tempo em que amarra a mente a pré determinados conceitos e interesses segundo seus dogmas sagrados, liberta a aura para experiências mais elevadas, penetrando no ínfimo do reino dos deuses.

Ao assumir o manto de sua divindade, o sacerdote compreende que sua fé guiará a crença de centenas, milhares ou sabem lá os deuses quantos pelo caminho de sua religião. Ele deve aceitar sua responsabilidade como abençoado, e agir com sabedoria e resguardo afim de garantir o respeito de seus seguidores e a confiança de seus deus patrono.

Ser movido pela fé não é uma tarefa fácil, pois muitos a confundem com seus próprios interesses, esquecendo-se da motivação da entidade superior. Muitos pregadores se perdem neste momento, mostrando-se perpetuamente inaptos à bênção, pois guiar-se exclusivamente pela fé é a obrigação de todos os verdadeiros sacerdotes. Inspirados por ela, devem ser capazes de tomar as decisões mais difíceis, como poupar a vida de inimigos odiados e subjugados, escolher as palavras certas para evitar uma caçada, usar o bem de troca adequado para conquistar uma nova rota ou a estratégia correta para suplantar seus adversários, tudo de acordo com a orientação de seu patrono. Embora os sacerdotes irão unanimamente atribuir tais feitos aos deuses, é uma capacidade pessoal a de compreender a forma adequada de agir pelos dogmas. Mas se seus corações não forem impelidos pela fé, que permeará suas auras e permitirá a compreensão da divindade, suas ações serão esvaziadas do apoio dos deuses, e eles agirão errado.

A decisão é ainda mais difícil quando os dogmas da religião não preveem claramente a situação em que é colocado o sacerdote. É muito importante mencionar, embora a maior parte dos tagmarianos não saiba, que mesmo os mais experientes sacerdotes ocasionalmente são desviados dos rumos da fé. São estes os momentos de maior fragilidade para o abençoado e para seu grupo, pois é o período em que a divindade não o protegerá. Fé inabalável não é sinônimo de perfeição. Os filhos erram, mesmo os sacerdotes.

Por serem reconhecidamente o grupo com a mais poderosa fé dentre os filhos, a palavra de um sacerdote é sempre levada muito a sério, e suas sugestões serão sempre consideradas. Um sacerdote jamais será desacreditado a troco de nada, exceto em condições muito desfavoráveis, como uma situação em que a esfera de influência de sua divindade seja oposta a situação em que ele se envolveu. Mesmo assim, o respeito prevalecerá por todos os fiéis, pois insultar o servo abençoado atrai a ira daquele deus. Ou pelo menos é o que a cultura popular ensina.

O Focus Divino

Todo sacerdote precisa de um focus para realizar seus milagres e para ser capaz de sintonizar-se com sua divindade, afim de receber novamente a energia necessária para realizar milagres. Esse focus é, a princípio, um instrumento mundano que, através de um ritual místico realizado pelo sacerdote, cria um laço espiritual com seu dono, capaz de fazê-lo comungar com a divindade enquanto seu corpo e mente encontram-se em estado relaxado. Por este motivo, o focus costuma ser um símbolo sagrado da deidade seguida pelo individuo. Não porque essa não permitiria novamente a cessão de energia ao sacerdote caso o símbolo fosse aleatório, mas porque com um símbolo de seu deus o sacerdote aproxima sua mente e espírito da deidade, tornando-o ressonante com os dogmas divinos. Naturalmente, nenhuma deidade aceitaria um sacerdote que utilizasse como focus um símbolo que agrida sua fé, mas esse é um caso extremo de interferência divina, e que até então não se teve notícia. Como regra, a escolha do focus se baseia em uma limitação do mortal em comungar com seu deus utilizando uma ferramenta sem representação e não da aceitação do objeto pela divindade (embora a maioria dos sacerdotes não saiba disso).

As muitas formas que o focus pode assumir variam com a divindade em questão. Um clérigo iniciante faz a opção pelo seu focus antes mesmo de sua primeira bênção, quando abraça a adoração ao seu deus. Aqueles que são escolhidos inesperadamente (por uma vontade superior repentina) sempre possuem um laço de fé que os diferenciam perante seus pares. Assim, mesmo inconscientemente, possuem um item que será reconhecido pela deidade como intermediário entre a carne e o sagrado. Em uma situação como esta, são poucos os sacerdotes que optam pelo ritual para trocar seu focus. O fato da própria divindade tê-lo aceitado como intermediário serve, para o sacerdote, como uma mensagem divina de que este item deve ser mantido - mesmo que não possua mais nenhum outro dom especial, e que sua esfera de poder se restrinja a proteger o personagem da poderosa e pura energia divina direta.

É comum a crença entre os devotos que um focus adequado é capaz de favorecer ou não a um indivíduo receber a primeira bênção. Como já mencionado, muitos pregadores passam uma vida de fé e dedicação a divindade, e mesmo assim nunca são agraciados com a bênção. Desta maneira , uma grande cadeia de superstições circula o focus dos sacerdotes mais conhecidos.

Alguns devotos fanáticos, incapazes de realizar milagres, chegam a crer que ao conquistarem o item sagrado de um sacerdote serão imediatamente abençoado pelo deus. Obviamente isso não acontece, o que acaba levando muitos desses indivíduos a insanidade.

Quando um sacerdote morre, é comum aos nativos da região em que se encontrava o falecido prestar solenidades a ele. O focus que este sacerdote utilizara, no entanto, será reverenciado e utilizado como um talismã contra os maus presságios, protegendo pórticos, residências, hospitais e até mesmo templos, variando muito dependendo de sua finalidade original e a deidade que fora dedicado. Muitos pregadores acreditam nessas história ferrenhamente, especialmente, mas não unicamente, em cidades pequenas e afastadas das capitais, e não existe nada que comprove que esta cultura não tenha fundamento.

Por outro lado, outra crença bastante popular é de que ao destruir um focus utilizado por um sacerdote, o destruidor atrairá a ira divina para si e seus arredores. Muitas premonições de maus presságios foram feitas tendo a destruição de um focus como fundamento. Mais uma vez, a comprovação de tal fato é impossível para os habitantes de Tagmar, e talvez isso não passe de superstições tolas. Mas pode ser que, dependendo do sacerdote que um dia carregou tal item, o deus realmente não queira que o focus seja destruído. Ou talvez a morte do sacerdote é que acabe por atrair a ira dos deuses. Nada é possível comprovar e a dúvida sempre é uma constante quando se trata das motivações divinas.

Amparando-se nesta crença popular, aqueles que se julgam espertos e carecem de escrúpulos frequentemente abusam da fé dos filhos dos deuses e vendem símbolos religiosos que supostamente pertenceram a sacerdotes milagreiros e poderosos. Quando a ignorância local é devidamente atiçada, estes traiçoeiros e hereges comerciantes - embora não seja desta forma que julguem a si mesmos - conseguem fazer itens vulgares renderem boa quantidade de ouro. Desnecessário mencionar que esta prática é fortemente repudiada pelos ordenados e que um contrabandista destes capturado será julgado pela igreja e receberá penas muito fortes, que podem variar entre prisão, morte ou escravidão, dependendo da região.

Ordenação Religiosa

A ordenação é o momento mais importante na vida de um sacerdote, salvo o momento da primeira bênção. Ela é a atribuição dos deveres e direitos aos quais um sacerdote é atribuído. Em Tagmar, ela pode ocorrer de forma oficial, quando uma entitade religiosa formalmente imbui o personagem com seu título, ou informal, quando a própria situação do personagem perante o indivíduo comum lhe garante um status diferenciado, seja por conta da demonstração de seus poderes ou de sua influência. Abaixo estão descritas estas formas de ordenação, que são as mais comuns do continente.

Ordenação formal

Ordenados desta forma participam de uma série de ritos religiosos antes de serem considerados sacerdotes (que, na verdade, são apenas ordenados) e parte da congregação religiosa em questão. A maior parte dos sacerdotes que receberam a primeira bênção se encaixam nesta categoria, o que é natural, uma vez que são os que dedicam suas vidas a deidade.

Os testes de confiança para ser ordenado envolvem provas de devoção e personalidade, embora em geral sejam bem menos rigorosos do que os necessários para a participação efetiva em uma grande ordem sacerdotal. A influência desta congregação é local, porém os deuses não o são. Assim, embora não tenha autoridade fora de sua jurisdição, um personagem ordenado em uma congregação em Ludgrim será reconhecido como tal e respeitado (o que é diferente de obedecido) em uma aldeia em Portis, por exemplo.

Indivíduos ordenados desta forma e que possuam a primeira bênção podem ser elevados a uma ordem sacerdotal. Para isso é necessário muita dedicação as tarefas da igreja e profunda e verdadeira devoção. Mesmo assim, ordenados apenas com a primeira bênção dificilmente alcançam alto status dentro de uma ordem sacerdotal maior (embora alguns se tornem os mais influentes em congregações menores). As pequenas congregações que tem sacerdotes elevados às ordens ostentam com orgulho o nome deste ex-companheiro. Eventualmente, sacerdotes oriundos de uma congregação ainda mantém os laços após ingressarem na ordem sacerdotal, mantendo sua posição nas duas. Quase sempre a hierarquia na congregação sobe rapidamente quando isso acontece.

Ordenação milagrosa

Ordenados desta natureza detém muito respeito perante o povo, embora sejam, por vezes, alvos de alguma inveja dos que são ordenados formalmente. A ordenação milagrosa ocorre, necessariamente, com o acompanhamento da primeira bênção. Ao receber esta dádiva, o personagem também terá o direito de se apresentar a uma congreção menor de sua divindade e reclamar autoridade. Este tipo de ordenação não reconhece fronteiras, portanto, o personagem deterá a autoridade de um ordenado em qualquer lugar de Tagmar, mesmo que a ifluência de sua congregação original não tenha tal alcance.

A ordenação milagrosa é pouco comum, mas é motivo de muito orgulho para a maioria das congregações quando ocorre com um acólito ou sacerdote já ordenado formalmente. Isso quer dizer que um indivíduo pode ter recebido uma ordenação milagrosa (que seria a primeira bênção) após já ter recebido a ordenação formal. Esta é a categoria padrão para os personagens jogadores em Tagmar.

Um sacerdote ordenado desta forma será conhecedor dos dogmas de sua igreja de forma diferenciada. No momento da primeira bênção o sacerdote recebe, diretamente da deidade na forma de inspiração, sonho, conversa direta ou qualquer outro meio, os dogmas que deverá seguir. Desta forma, os sacerdotes ordenados milagrosamente, mais do que escolhidos pelos deuses, são a fonte mais direta dos dogmas de sua igreja.

Ordenados milagrosamente não são eximidos de suas responsabilidades clericais. Para ascenderem realmente na hierarquia da igreja eles ainda precisarão dedicar muito de seu tempo aos cultos e as doutrinas específicas. Isto quer dizer que todas as etapas de privação temporária (que podem variar desde diversão, sexo ou alimentação até privação de liberdade ou autoflagelo, a critério do mestre, de acordo com a divindade em questão) normalmente requisitadas na ordenação formal ainda precisarão serem cumpridas pelo sacerdote para que seja permitido a ele elevar sua autoridade e influência.

Ordenação popular

Este é um tipo diferente de ordenação, que não possui o aval das congregações ou ordens sacerdotais, tampouco de qualquer deidade. A ordenação popular ocorre quando um devoto ergue a bandeira da divindade e prega em sua sociedade de forma tão convincente e carismática que acaba por conquistar simpatizantes e seguidores. O indivíduo não goza de nenhum privilégio perante a igreja, mas detém uma influência considerável perante o povo local.

Todos os ordenados de forma popular são líderes natos. Quando reconhecidos pela igreja e considerado inofensivo ou colinear com os desejos do clero, eles são convidados a participar de uma congregação. Quando suas intenções são discrepantes com aquelas da igreja local eles são caçados como hereges, mas não antes de uma forte campanha para desacreditá-lo. Atacar um ordenado desta forma sem desacreditá-lo pode ter consequências tão desastrosas como um levante popular. Este tipo de ordenado pode pertencer a qualquer profissão de personagem. Exemplos de ordenados populares são comuns na história de Tagmar, porém o mais trágico é o levante herege dos Bankdis, que acreditavam no poder dos demônios e foram capazes de converter grande parte da população do continente. Geralmente a ordenação popular não possui qualquer tipo de hierarquia.

Verbetes que fazem referência

Ambientação em Oficialização, Força, Parte 2 de 9, Parte 8 de 9, Profissões Jogáveis

Verbetes relacionados

Tempo e Dores | Livro Ilhas Independentes | Bardos | Guerreiros | Ladinos | Magos | Sacerdotes | Detalhamento dos Anões | Detalhamento dos Elfos | Detalhamento dos Humanos | Detalhamento dos Meio-elfos | Detalhamento dos Pequeninos
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