Discutir Histórico Ver Ultima Mudança Editar Pesquisar
Ordem de Parom .  

Esta página contém material oriundo dos livros oficiais e não pode ser editada

A Ordem do Sacro Ofício

Seus olhos focaram mais uma vez a contínua chama amarelada. Trêmula como sino batido, quente brilho de lava.

No silêncio perdido da sala, Eberc buscava o fim de seu sofrimento. O alvorecer brilhou entre as fileiras desiguais no teto elevado, conduzindo luz pelas finas teias de aranha e iluminando o pequeno aposento.

Sentado no banco por ele mesmo criado, desfrutava de um momento único, só seu. A mesa de lei estava ferida, uma laceração marcada às unhas rígidas. Já não mais falava, nem o gosto d’água sentia. Oprimia sua respiração para que a pequena chama a sua frente não morresse. Apenas contemplava.

Sabia que em poucos minutos seria afastado desse solene descanso, onde seu pensamento já não o confundia. Era uma questão de tempo.

Seus braços desceram velozmente, chocando-se contra a rigidez incólume da madeira. O pó ali contido encheu o ar de pequenos pontos brilhantes. E mais uma vez ele atormentou-se.

Porque eu? Porque agora? Porque não penso? Essas três frases rondavam a mente de Eberc desde que fora escolhido pelo Mestre artífice há uma semana atrás. As palavras continuam marcadas como uma canção melodiosa: “Eberc, martele desejo, traga a força, congele o medo e dê vida a música”. Eberc sabia no que se resumia essa frase: criar um item que exultasse o divinismo.

Como? Como podia criar tal item? Três vezes o Sol coroou o céu e por três vezes a lua lançou sua brancura na terra, mas todo esse tempo fora desperdiçado, sem nem um projeto ter sido concluído. Estava no fim para agradar seu mestre, seu rei, seu deus.

As teias de aranha, no teto esbranquiçado, balançaram ao sinal da leve brisa matutina que descia pelas fileiras logo acima. Rodopiante, a brisa dançou solta até chegar à mesa. A chama da vela vibrou uma vez.

Eberc piscou timidamente, sentindo a frieza da brisa desse novo dia.

A chama da vela vibrou outra vez.

Os braços juntaram-se, entrelaçaram-se como se casados. A boca seca soprou um “haaa”.

A chama da vela apagou-se. A brisa cessou.

O silêncio fora cortado com as palavras rapidamente expelidas por Eberc.

-Martele... quente... música.

Colocando-se de pé, Eberc procurou seus instrumentos. Era hora de trabalhar.

E ele trabalhou.

Chegaram os ajudantes, ávidos para auxiliar Eberc, mas encontraram apenas avisos de que já não era preciso ajuda, pois o item que tanto ansiavam já fora criado.

Eberc, cercado por velas douradas, segurava na mão direita um sino de igreja. O sino era brilhante, perolado e ornamentado com um mosaico de chamas, também havia notas e melodias, canções de júbilos e louvores.

Quando teve a certeza que todos os ajudantes o olhavam, Eberc sorriu, e sua felicidade foi tamanha que ergueu o sino até os lábios e, como antes ensaiado, soprou uma melodia no sino enfeitado.

A melodia, invisível aos olhos, podia ser sentida na exaltação do momento. O sino tocou, vibrou sua nota mais encantada no glorioso amanhecer, e logo as velas, antes apagadas, encheram-se de vida e calor, lançando ternura no coração dos presentes.

Havia terminado um item divino de qualidades humanas, para um mestre, um rei, um deus.

História

A arte é a forma mais sublime existente de um ser externar aquilo que há de maior e melhor em si mesmo, nenhuma outra forma de expressão das faculdades artístico intelectuais jamais se igualou ou se igualará à arte expressada manualmente pelos artífices e artesões. No processo de criação o artífice realiza um dos maiores milagres da criação, o milagre da permutação, da transformação de algo inferior em algo infinitamente superior, tal como acontece com os seres no processo de aprendizagem ao longo da vida. O artífice nesse momento passa de simples artista a criador e coloca todo o melhor de si. Todos os seus sentimentos, todo o seu talento na obra que está sendo gerada e após todo o processo de gestação da obra eis que surge um novo ser até então inexistente, e o mais importante de tudo, único, tão único quanto seu criador. Um homem da ciência poderia definir o processo de criação da arte do artífice como a fusão de duas individualidades distintas que se fundem e se completam na busca da criação de uma nova individualidade completamente nova, gerando um terceiro personagem chamado criatura, que é nada mais que o resultado da união dos dois primeiros seres. Assim na sua essência mais pura, todo artífice é ao mesmo tempo idealizador e criador.

Está escrito no livro das crônicas da criação do mundo que Blator criou os anões a sua imagem e semelhança, e a exemplo de Blator, Palier criou os Elfos também a sua imagem e semelhança. Consta também nas escrituras que ao perceber a inegável inferioridade dos anões de Blator frente aos elfos Palier, Parom filho legítimo do Deus da sabedoria resolveu ensinar aos “pobres” filhos de Blator as artes que lhe valiam o título de Grande Artífice dentre os Imortais. Consta ainda que os anões aceitaram de muito bom grado essa dádiva divina advinda do Deus dos artífices e passaram a dedicar-se com tanto afinco que até os elfos tiveram que se curvar frente ao talento dos anões. Fato esse que exasperou Palier e aparentemente desagradou até a Blator que teve que assistir seus belicosos filhos se dedicarem às artes dos artífices em detrimento das artes da guerra, adorando muitas vezes Parom no lugar Dele mesmo. Histórias à parte, o que se sabe ao certo é que os anões são grandes artífices e que essa herança vinda de Parom passou ao longo das eras de anão para anão, de pai para filho, de mestre para pupilo, nas suas terras ancestrais.

Não se sabe ao certo porque os anões começaram a emigrar de suas terras, mas o que consta nos escritos da Ordem do Sacro Ofício é que aqueles anões que primeiro chegaram às terras desconhecidas vieram juntos com os comerciantes de Plana. Estes traziam viva essa herança e ensinamento e quando estes começaram a se estabelecer em definitivo, logo criaram uma intrincada sociedade de artífices estruturada em torno dos anciões e Sacerdotes. Guiados por um ancião Sacerdote de nome Votram, esses anões silenciosamente começaram a construir as bases da nova Ordem bem no coração da montanha e assim lentamente nasceu a Ordem do Sacro Ofício, escavada na rocha a fim de demonstrar seus laços com os antepassados deixados para trás nas terras dos anões.

Localização

Olhando-se os mapas mais atuais a sede da Ordem está situada ao norte do reino caído de Abadom, no pequeno reino conhecido hoje como Acordo, mais especificamente em algum lugar da Cordilheira de Sotopor. A Ordem foi escavada totalmente dentro da rocha no melhor dos padrões anões, inclusive por que foi construída por anões recém chegados de sua terra natal. Aqueles que se encontrem dentro de seus magníficos corredores se sentirão como que dentro de um reino anão ancião e os anões que ali estiverem se sentirão completamente em casa. Para os anões mais jovens o simples fato de poder caminhar por seus monumentais corredores esculpidos a moda antiga de sua terra natal já é a realização máxima e pode levá-los a uma extrema emoção e às vezes até as lágrimas, tamanha a sensação de comunhão com os antepassados. A localização exata da Ordem é desconhecida e muito bem guardada por seus membros extremamente ciumentos de seus segredos, e que a pesar de não serem Sacerdotes de Blator são ainda assim extremamente perigosos uma vez que não é nada sadio mexer com um anão enfurecido.

Existem diversas outras congregações que abrigam membros da Ordem. Estas respondem, em situações mais complexas, diretamente ao Templo Principal da Cordilheira de Sotopor, mas funcionam quase independentes ao que se refere a maior parte das suas ações, inclusive ordenando novos membros. No entanto não se deve confundir as congregações da Ordem com os demais templos de Parom, e principalmente por que elas não são muitas e se encontram normalmente apenas nas capitais dos reinos mais desenvolvidos e excepcionalmente em Saravossa, onde todas as ordens mantém uma congregação.

Símbolo

O símbolo da Ordem é um M acompanhado de um A invertido significando Mestre Artífice. Essa simbologia é uma clara demonstração do gosto desses artífices por intricadas formas de arte que resultam muitas vezes em codificações completamente incompreensíveis para aqueles de fora da Ordem. Fato interessante é que algum tipo de vazamento de segredos resultou na prática até certo ponto comum nos dias de hoje de chamar um anão de Mestre Anão, referendo-se a sua habilidade como artífice.

Objetivo

O objetivo da Ordem não é somente o de levar a palavra de Parom aos fiéis e aos não fiéis ou de levar a arte aos artistas e aos não artistas, mas considerando-se os mais profundos anseios da Ordem poder-se-ia chegar à conclusão que eles querem reconstruir o mundo segundo suas visões. Seus princípios de igualdade, justiça e lealdade os levam a buscar, reconstruir e remodelar não só as formas sólidas, mas também as mentes das pessoas. De fato todos os Mestres Artífices são o que seu nome sugere, Mestres Artífices, sem exceções, mas seu modo de vida contrasta com os costumes de vida atuais da maioria dos povos, e os leva a ter que modificar também o meio ambiente em que vivem.

Os Mestres Artífices

Durante uma boa parte da história da Ordem esta foi composta somente de anões e, diga-se de passagem, estava muito bem assim, porém com o passar dos anos e com a convivência dos anões com os humanos e até com alguns pequenos lentamente os levaram a ir derrubando ou aceitando melhor algumas barreiras raciais. Esse fato ou miscigenação, até os dias de hoje desagrada aos Mestres Artífices mais antigos (todos anões), e também mais radicais, mas de fato hoje podem ser encontrados membros dentre a raça dos humanos, pequeninos e sacrilégio dizem que até alguns elfos! Porém em termos de porcentagem os anões ainda são a grande maioria. Especula-se que os governantes atuais de Acordo sejam Mestres Artífices bem como algumas figuras importantes do reino, coincidência ou não todos os governantes de Acordo parecem ter algum tipo de ligação com a Ordem.

Peculiaridades

Os Mestres Artífices em seu dia a dia são pessoas perfeitamente comuns, exceto por seus dias secretos de reunião com os outros membros da Ordem que ocorrem sempre noite adentro, e por seus toques e palavras secretos utilizados quase que sempre como forma de identificação. A única forma que denuncia um Mestre Artífice talvez seja somente o próprio símbolo da Ordem, comumente utilizado em sólidos anéis de ouro; cordões também são muito utilizados e os bons e velhos medalhões também podem ser encontrados sem dificuldade. Todos os Mestres Artífices ao iniciarem ganham um anel de ouro que os distingue como membros da Ordem.

Votos específicos

Reconhecerás todos os Mestres Artífices como irmãos independente de sua raça: Esse adendo de independentemente de sua raça é um dos fruto dos novos tempos que teve de ser alterado para acompanhar a nova realidade da Ordem. Mas em verdade todos os membros levam muito a sério a relação inter-Ordem que muitas vezes pode ser mais forte que uma relação racial, por mais inimaginável que seja um Mestre Artífice anão confiará muito mais em outro Mestre Artífice que um anão que não seja membro da Ordem. Lembrando sempre que os anões enquanto raça são criaturas desconfiadas por natureza.

Nunca revelarás os segredos de nossa Ordem: Esse voto levado extremamente a sério por parte dos membros da Ordem, visto que se um anão jura fidelidade a alguma coisa ele quase que com certeza vai manter seu juramente e sua fidelidade para com aquela coisa. Os traidores são extremamente mal vistos e certamente são alvos das mais engenhosas punições que possam passar pela mente de um anão, de fato mais uma vez não deve ser nada sadio enfurecer um anão.

Estrutura

Vide estrutura das Ordens Ocultistas.

Líder em atividade

O líder dos Mestres Artífices é um antigo anão de mais de 400 anos de idade de nome Forje. Forje é um anão típico, sempre carrancudo e taciturno, de fala alta e voz forte como quem sempre esta a brigar ou a dar ordens enérgicas. Para aqueles que já granjearam a amizade desse poço de delicadeza um belo e largo sorriso está sempre nos lábios, principalmente quando o motivo do encontro seja alguma comemoração ou qualquer coisa que envolva uma boa cerveja e ou uma boa mesa. Forje é um Sacerdote poderosíssimo e um artífice brilhante em sua área de preferência que são metais. Ele guia a Ordem no melhor estilo mão de ferro e todos aqueles que forem contra a Ordem e seus propósitos podem considerar nele um grande inimigo. Forje está à frente da Ordem a mais de 100 anos e até hoje não ouve nenhum Grão Mestre que não fosse da raça anã.

Juramento

“uE [eMoN oTelPmOc] oRuJ eTnAiD eD uEm sUeD e sUeS sEtNaTnEsErPeR iUqA sEtNeSeRp:

aHnIm eDaDlAeL aNrEtE e lAnOiCiDnOcNi a mOrAp, à mEdRo oD oRcAs oIcÍfO e A sOdOt sO sUeS sOrBmEm;

eUq iErAdRaUg mOc eDaDiLiBaSnOpSeR sO sUeM sOtOv;

eUq iErEdNeRpSeD sOdOt sO sUeM aRaP o oTnEmIcEdNaRgNe aD mEdRo;

eUq sIaMaJ iErAlEvEr rEuQlAuQ oDeRgEs aD mEdRo uO a eDaDiTnEdI eD sUeS sOrBmEm;

oRuJ eUq iErArEdIsNoC oMoC sUeM sOãMrI eD mEdRo sOdOt sElEuQà eUq mErIrEfOrP eTsE oTnEmArUj;

eUq iErAdRaUg sO sOtOv eD eDaDlAeL, aÇiTsUj e eDaDlAuGi eRpMeS mE uEm oÃçArOc;

eUq iErAhLaBaRt oN oMiXáM eD sAhNiM sAçRoF aRaP eUq a mEdRo aSsOp rAÇnaClA sUeS sOvItEjbO;

eUq uEs rArBeUq eTsE oTnEmArUj uE aJeS oDiNaB aD aIcNêViVnOc sOd sUEM;

oRuJ eUq iErAcSuB eRpMeS rIuRtSnOcEr, rAlEdOmEr e rInIfEdEr o oDaRrE oLeP oTeRrOc oDnAtUmSnArT o oTuRb aN eTrA;

eU oÇaF eTsE oTnEmArUj oM [aId eTnErRoC] e eUq mOrAp eNiMuLi sUeM sOhNiMaC e aHnIm eTnEm aRaP eUq uE aCnUn eM aCrEp rOp sOhNiMaC sOdArRe”.

Saudação

O cumprimento da Ordem é feito dando-se as mãos em um cumprimento aparentemente comum e proferindo as palavras: “Parom mantenha a sua arte”.

Relíquias

As especulações a cerca de itens mágicos por parte da Ordem são os mais variados possíveis, porém dentre os comentários mais comuns figura toda sorte itens alquímicos capazes das mais variadas maravilhas que se pode imaginar em termos de transmutação de materiais. Algumas especulações talvez mais absurdas atestam para a existência de um item em poder da Ordem que permite transmutar certos materiais em ouro. A veracidade a cerca da existência desses itens é completamente discutível e um grande mistério.

Verbetes que fazem referência

Livro das Ordens Sacerdotais

Verbetes relacionados

Ordem de Blator | Ordem de Cambu | Ordem de Crezir | Ordem de Crisagom | Ordem de Cruine | Ordem de Ganis | Ordem de Lena | Ordem de Maira | Ordem de Palier | Ordem de Parom | Ordem de Plandes | Ordem de Selimom | Ordem de Sevides, Liris E Quiris | Introdução | Prólogo | Epílogo | Créditos
LGPD (Lei Geral de Proteção a Dados): o site do Tagmar usa a tecnologia de cookies para seu sistema interno de login e para gerar estatísticas de acesso. O Tagmar respeita a privacidade de cada um e nenhuma informação pessoal é armazenada nos cookies. Ao continuar a navegar pelo site você estará concordando com o uso de cookies.