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Mocna  

Mocna, O Horror Noturno


Prefácio


Turak despertou assustado e exausto. Já fazia duas noites que seu sono era inquieto. Sua esposa falava que ele estava dormindo de barriga cheia, por isso seu mal estar. Resolveu, então, dormir mais cedo e não comer nada.

Infelizmente, Turak acordou mais uma vez de sobressalto à noite. A vela de sua cabeceira vibrou levemente com o seu movimento. Meneou a cabeça e notou que a imagem do sonho ainda estava vívida em sua mente.

Sonhara estar correndo como um lobo entre as árvores da floresta local. Livre como nunca estivera e imbuído da necessidade selvagem de caçar.

Como se aquele sonho pudesse ter sido real, tentou massagear os braços doloridos, mas, ao esfregar as mãos, sentiu-as molhadas e pegajosas.

A luminosidade, apesar de fraca, permitiu ver claramente a coloração vermelha que as cobria; e o cheiro confirmou o que sua mente negava aceitar: suas mãos estavam cobertas de sangue.

O susto o fez pular imediatamente da cama e logo sentiu uma presença sombria caminhando nos cantos do quarto. Parecia ser um animal selvagem, à espreita para dar o bote.

Lentamente afastou-se, tateando em busca da esposa, que deitara ao seu lado. Ao tocar na pele dela, percebeu-a fria. Um olhar rápido o levou a soltar um grito de desespero.

Sua amada esposa estava com a garganta dilacerada e a face do horror estampada em seu rosto. A boca aberta parecia lançar um grito que nunca viria e os olhos fixos estavam direcionados para frente como se encarassem Turak.

A fera parecia estar nas sombras e o medo percorreu ainda mais forte o coração e a mente daquele homem, mas seus pensamentos se direcionaram para suas amadas filhas. As lindas gêmeas de cinco anos que eram seu orgulho e motivação para viver.

Pegou a vela e pulou nas sombras. Foi em direção à porta e a abriu. Correu mais que o próprio vento até o quarto das crianças. Sentia a criatura às suas costas, muito perto de alcançá-lo, quando adentrou no quarto fechou a porta tão rápida e violentamente quanto pode. O coração parecia querer sair pelo peito, o cheiro do sangue o acompanhava. Lutou para não desmaiar e chegou cambaleando à cama das filhas. Ao tocar seus corpos sentiu o mesmo frio mortal que havia em sua esposa e seu espírito encheu-se de desespero.

A presença da fera agora estava no quarto e com a leve luz da vela pode ver os olhos malignos fitando-o do escuro.

O medo e o desespero deram lugar a dor da perda e à raiva. Tomado pela ira jogou a vela em direção aos olhos da fera. Ela atingiu o alvo entre os olhos e caiu no chão, inofensiva. Ainda estava acessa e enquanto rolava de um lado a outro, ele pode ver que seu alvo era, na realidade um pequeno espelho de sua filha.

Olhou cuidadosamente para suas mãos, percebeu, então, garras e o corpo tomado de pelos. Aproximou-se lentamente da vela, e segurou o espelho tentando refletir o próprio rosto. Viu a imagem de uma fera suja de sangue. O desespero tomou seu ser e ele lançou um uivo agonizante que preencheu a noite.

Extraído do "O Livro de Maudi", do capítulo “A Natureza bestial de Mocna”, Biblioteca de Saravossa.
 

Concepção


Mocna é um dos demônios mais perturbadores entre os príncipes existentes. Sua aparência e seus hábitos bestiais de pura selvageria escondem um astuto adversário que pretende dominar todos os Filhos dos Deuses.

Apesar de sua selvageria e dos frequentes acessos de fúria, Mocna possui grande inteligência e sagacidade. Por meio da força selvagem que possui, ele concede a seus adoradores o poder e a agressividade necessários para derrotar qualquer inimigo em combate.

Com astúcia, aprendeu que, a forma para trazer os Filhos dos Deuses para seu controle e torná-los criaturas sem racionalidade, era conceder-lhes o dom da fúria selvagem, transformá-los em animais agressivos uns com os outros, banhados em ira.

Quando invocado pelos hereges, questioná-lo ou contrariá-lo é um convite certo para uma morte cruel e agonizante, pois Mocna jamais contém sua agressividade e brutalidade na presença de seres inferiores.
 

Temperamento


Os príncipes infernais, independentemente da forma que tenham, são criaturas racionais e de grande inteligência. Seus objetivos são obter as almas, que ampliarão seus poderes e seus exércitos.

Conhecido entre os outros Príncipes por seu temperamento agressivo, não é raro que Mocna tenha verdadeiras explosões de raiva quando desafiado ou frustrado. Nesses rompantes, qualquer um à sua volta pode ser alvo da sua fúria. Vários Haalin já foram destruídos por seu mestre nestes acessos de fúria. Para esse príncipe infernal, a bestialidade é uma fonte de grande poder. Ela assume o controle dos seus escravos e infecta suas almas dotando-os com determinação e força, e assim, acaba por conduzir os Filhos dos Deuses para seus domínios.

Representação


Este Demônio comumente adota a forma de uma besta lupina musculosa e de pelagem tão escura quanto o negro mais profundo da treva titânica. No entanto, sua imagem rapidamente desvia da que qualquer um poderia fazer de um simples lobo. Além de dois enormes chifres retorcidos de carneiro que brotam de suas costeletas, seu maxilar exibe dedos com garras no lugar de dentes.

Símbolo


O símbolo de Mocna apresenta os chifres retorcidos, no meio abaixo, o maxilar do qual saem os dedos com garras.


Relação com os demais Príncipes Demoníacos


Mocna odeia todos os demais príncipes, e, se a situação for favorável, não poupa esforços para destruí-los. Para este príncipe, somente o mais forte deve sobreviver e os mais fracos devem ser dilacerados.

Entre os deuses, seu principal ódio é contra as deusas Maira e Crezir.

Festas e Celebrações


Festa do ódio (dia 02 do mês do Sangue)


Durante esta celebração são invocados Haalins para possuir os escravos oferecidos. Estes podem então ficar no plano físico pelo tempo em que seus corpos físicos vão sendo destruídos. Além disso, grandes fogueiras e rituais de selvageria são feitos, além de oferendas de sangue.

Áreas de atuação


Mocna possui um considerado número de seguidores na região de Eredra próximo aos montes Solomor.

Descendentes


Estes são conhecidos como Haalins, traduzido da Língua Tessaldariana como Espíritos Selvagens.

Foram criados a partir do aprisionamento da alma de Tessaldarianos. Estes são amaldiçoados a viver eternamente sob a ira. No plano infernal, os Haalins têm a forma de grandes sombras vivas de licantropos.

Haalins só podem se manifestar no mundo físico através da possessão.

Cores


Sua cor é o grená.

Países em que a religião mais atua


O culto a Mocna se encontra espalhado e seus seguidores escondidos, por isso não se pode calcular exatamente em que local de Tagmar esse culto é mais difundido. Apesar disso, sabe-se, com certeza, que nas regiões próximas às Terras Selvagens, é proibido dizer o nome de Mocna em voz alta e que as criaturas dessa região foram soltas do Inferno pelo próprio Mocna.

Religião


Os Devotos de Mocna geralmente são indivíduos grosseiros, de modos rústicos e temperamento irascível. Por este motivo, a seita espalha-se mais facilmente entre os bárbaros, nômades e os povos beligerantes.

Em áreas mais rurais e com menos acesso a informação, onde as superstições tem um incrível poder, Mocna é confundido com o lado sombrio de Crezir. Os sacerdotes dessa deusa têm intensificado suas ações para desmitificar tal fato e mostrar que Crezir em nada se assemelha a Mocna. Mas o trabalho tem sido árduo e pouco frutífero.

Templo


Geralmente são amplos espaços a céu aberto com um grande altar de pedra ou madeira, onde as oferendas de sangue são sacrificadas e seus corações retirados para serem oferecidos no fogo profano da ordem.

Nesses locais as peles dos animais sacrificados ou dos Filhos dos Deuses são curtidas, penduradas e expostas como enfeites cerimoniais.

Outra característica comum aos locais de culto a Mocna é o solo coberto com areia especialmente trabalhada. Na presença dessa terra, o solo torna-se profano para os servos do príncipe bestial.

Vestimenta


Os sacerdotes sombrios desta ordem profana, quando em momentos cerimoniais, se vestem com mantos cerimoniais grená e cobrem suas cabeças com crânios de animais selvagens, normalmente lobos ou outras feras carnívoras.

Muitos dos invocadores e dos sacerdotes carregam consigo pedaços de peles ou troféus de antigas oferendas a Mocna. Esse costume pode servir para identificá-los. Colares e outros adornos feitos com presas também são apreciados

Locais Profanos


As antigas arenas da cidade de Sadom são consideradas locais profanos pelos membros desse culto negro. A maioria destes locais, depois do final da dominação da Seita na Levânia, acabaram totalmente destruídos. No entanto, alguns foram sobrepostos por outras estruturas que foram erguidas depois de sua demolição.

Muitas Arenas agora são locais subterrâneos, escondidos de toda a população e esquecidos pelos mais novos.

A arena mais importante é a de Haalban. Muito usada durante a dominação Bankdi na região, ela foi palco de combates selvagens para diversão da população sob o domínio da magia Bankdi.

Itens Demoníacos


  • Dente de Mocna
    Este item demoníaco é oferecido a todos os membros da ordem no instante em que se tornam membros demonistas. É um colar feito com tiras de pele humana e um conjunto de cinco a sete dentes humanos que formam um amuleto central.

    Por meio desse item, os integrantes da ordem podem comunicar-se mentalmente com outros membros que conheçam. Além disso, podem emitir um chamado telepático para os membros mais próximos que se encontrem em um raio de quatro quilômetros. Responder ou não ao chamado fica à cargo de cada um. Aquele que recebe o chamado tem uma impressão que identifica a sua natureza. Pedido de socorro, convocação solene, etc.
     
  • Areia Profana
    Usada nos rituais principais da ordem e portadas somente pelos altos sacerdotes bankdis de Mocna. Este poderoso artefato permite não somente invocar instantaneamente até quatro Haalins por dia, mas também garante aos demonistas da ordem um local onde podem recuperar mais facilmente seus poderes.

    A areia deve ser despejada sobre a terra e formar um perímetro circular. O interior desta área será coberta com a magia de Mocna, tornando-se solo profano.

    Doutrinas do culto


  • Ira descontrolada;
  • Desprezo pelos mais fracos;
  • Agressividade irracional.

    Influência das ordens na política do reino


    Sua principal influência sobre os reinos humanos é percebida pelo aumento da agressividade e pela presença de animais carnívoros e ferozes, como lobos, onças, raposas, etc. Estes animais são facilmente influenciados pela aura maligna emitida pelos centros de culto de Mocna. Indivíduos naturalmente irascíveis podem facilmente ser seduzidos pelo poder selvagem deste Príncipe.

    O reino de Mocna


    Haafel é o segundo reino infernal. Ali os condenados marcados pela ira encontram sua morada. O planalto onde se encontra a cidade é um total descampado. Uma terra árida onde o solo rachado e os arbustos espinhosos preenchem o cenário.

    Esses arbustos são mais que simples árvores retorcidas. Essa vegetação incomum se alimenta da energia violenta liberada pelos condenados. Seus finos galhos são cheios de espinhos que se projetam para o alto como lanças em riste. Quando um condenado se aproxima demais, é aprisionado pelos galhos. A partir daí, a vítima será chicoteada por horas à fio, dessa forma a planta poderá sorver todo o ódio que for extravasado pelo condenado.

    A cidade de Mocna fica no centro deste deserto. Limitada por uma grande muralha feita de pedras. No seu interior vê-se o palácio de Mocna, uma imensa torre negra, adornada com gárgulas e estátuas de feras.

    No planalto árido incontáveis condenados correm desesperados, condenados a viver lutando entre si, tomados por uma selvageria bestial.

    Para chegar a Haafel é preciso cruzar o planalto e confrontar os irados ou ser convidado para acompanhar o comboio de Nenrode, o mais forte dos haalins. O comboio atravessa o planalto dos irados a cada treze luas.

    Entre a grande muralha e os planaltos existe um grande fosso que cerca toda a cidade. O único caminho para entrar surge com a descida da ponte levadiça somente assim pode-se ter acesso ao interior das muralhas.

    A cidade é composta por centenas de ruínas. Grande parte dessas edificações é feita com pedras, mas as cabanas de madeira e argila também são comuns. É um cenário desolador. Os condenados que vivem em seu interior se dividem em milhares de grupos que correm e caçam uns aos outros como uma grande guerrilha.

    A única estrutura que se encontram em pé é a torre de Mocna. Dentro de suas paredes vivem os Haalins. Estes guardiões andam dentro da torre servindo Mocna, seja controlando seus escravos ou trazendo suas “refeições”, ou ainda, auxiliando nos planos para trazer novos condenados a este reino.

    O interior do castelo é bastante amplo e feito em pedras, com grandes colunas com mais de 20 metros de altura. Nas paredes partes de condenados, geralmente as cabeças, são exibidos como troféus de antigas caçadas, assim com a “pele” de Filhos dos Deuses, usadas como tapetes ou forro de grandes cadeiras ou do trono de Mocna.
     

    O Guardião Nenrode


    O mais poderoso entre os Haalins. Sua história remonta a tempos distantes e a um local de terras longínquas no extremo Sul do continente. Ali, um povo conhecido como Tessaldariano travou uma grande batalha pela sua liberdade.

    Entre os grandes guerreiros locais estava Nenrode, considerado por muitos como um herói de guerra. Foi graças a seus feitos de extrema bravura que grandes vitórias foram conseguidas e o inimigo foi expulso de suas terras.

    Os meses de paz se transformaram em anos e, pouco a pouco, a vida retomou seu caminho. Mas, a marca da guerra feriu a alma daquele nobre guerreiro. A violência, que antes era parte de seu dia a dia, tornou-se também parte de sua alma.

    A insatisfação e a amargura tomaram conta de seu ser, e, buscando “aventura”, Nenrode partiu de seu reino. A cada luta sua selvageria aumentava, até ele não ser capaz de viver em grupo. Nenrode partiu mais para o Oeste em busca das Planícies Vermelhas, onde poderia dar vazão ao fogo que queimava sua alma e encontrar seu destino.

    Enfim, Nenrode deparou-se com o próprio Mocna. Ele aguardava o famoso herói em um local ritualisticamente preparado. Havia visível prazer nos olhos de ambos. O guerreiro, então, percebera que o fogo que o consumia constantemente também o atraía para dentro daquele local.

    A criatura demoníaca, com voz guturalmente rouca, disse:

    - Venha, Nenrode! Entregue-me sua alma!
    - Ela será sua, - rosnou ferozmente - se você me derrotar.

    Assim, Nenrode encontrou, numa renhida luta, seu destino.