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Enquanto isso, nas Terras Selvagens - Parte II Opções
#1 T.REX Enviado : 04/08/16 20:21
O elfo Kime assobiava animado enquanto conduzia seu cavalo marrom pela Floresta Obriana, ao sul do Domo de Arminus, seguido pelo cavalo de sua fiel companheira – Nelen – e sua filha pequena chamada Nita, sentada no lombo do mesmo animal à frente da mãe. Naquela manhã magnífica a trilha seguia para o sul, em direção a encosta gélida do continente. Era ideia da esposa passear com a família, para que Nita conseguisse realizar seu maior sonho: tocar na neve.

Na trilha existia muita lama. Nelen guiou seu cavalo para emparelhar com seu companheiro e a ele indagou:

- Kime, tem certeza de que pegamos a trilha certa? Não vejo ninguém faz bastante tempo

- Tenho sim. Absoluta certeza.

- Esse lugar é sagrado. Não deveríamos estar aqui. É proibido para nós.

- Amor, você pediu para levar vocês duas as geleiras da encosta. De onde viemos, por aqui é mais rápido.

Nelen balançou a cabeça insegura.

- Tomara que as tribos Sangar nada nos façam.

- Isso papai. Tomara mesmo – Nita repetiu. Ela tinha 12 anos élficos, idade similar a uma criança de 8 da casta humana.

- Confiem em mim, estamos no caminho certo. É mais rápido. Ele apressou os galopes de seu animal para mostrar à família que ele sabia o que estava fazendo. – Não é maravilhoso o desenho das árvores? Lindas todas elas. – gritou.

- Serve – Nita falou.

A trilha começava a descer, e Kime concentrou-se nas rédeas de seu cavalo. Repentinamente uma pequena sombra escura cruzou veloz o caminho, e Nita gritou:

Olhem lá! Olhem lá! – Mas a sombra sumira na mata.

Os dois pararam seus cavalos.

- O que era? – Nelen perguntou. – Um esquilo?

- Talvez fosse um esquilo – Kime admitiu.

- Posso marcar? – Nita perguntou, pegando um livro de ilustrações de animais desenhados que carregava. Era um dever de casa onde tinha que marcar as criaturas que visse na floresta.

- Não sei – Kime hesitou.

Nita consultou as ilustrações em seu livro.

- Não creio que tenha sido um esquilo. Acho que era só mais um macaco comum – Já tinham visto muitos macacos durante a viagem – Puxa vida – ela continuou animada. De acordo com o livro, as florestas em torno do Domo apresentam grande variedade de animais silvestres, inclusive macacos de cara branca, preguiças e quatis. Acha que vamos ver um bicho-preguiça, papai?

- Aposto que sim. – ele retomou o trote, seguido por Nelen.

- Sério mesmo?

- É só se olhar na lâmina de minha espada.

- Não achei graça nenhuma, pai.

A ladeira virava a floresta, dando na beirada da área gélida.

***

Kime sentiu-se um herói ao chegar finalmente ao gelo e seus quilômetros de até o Mar Gelado. Amarrou os dois cavalos numa árvore próxima, deixando-os sob a sombra dela e de outras. Apanhou a cesta de piquenique. Nelen foi ajudar.

- Honestamente, não sei o que vou fazer para me livrar desta gordura toda.

- Você está ótima doçura. – Na verdade, ele a achava muito magra, mas aprendera a não falar nisso.

Nita corria pelo gelo branco.

- Não se esqueça de não ficar com as mãos muito tempo sem as luvas! – Nelen gritou.

- Ta certo. Primeiro vou procurar uma preguiça.

Nelen examinou a área gelada e a floresta fechada.

- Acha que não tem perigo?

- Amor, não tem ninguém por perto.

- E as cobras?

- Pelo amor de Maira! – Kime exclamou. – Não há cobras no gelo.

- Mas e se tiver...

- Doçura, as cobras tem sangue frio. São répteis. Não podem controlar a temperatura do corpo. É muito frio aqui. Se uma cobra se atrever a passar dali, vai morrer congelada, juro. Não há cobras no gelo. – Ele observou enquanto a filha corria, um pontinho escuro no gelo. – Deixe-a ir. Está se divertindo. E passou um braço em torno da cintura da mulher.

***

Nita correu até se cansar e depois deitou-se no gelo, rolando. Olhou para o mar longe e sentou-se por um momento, para recuperar o fôlego, olhando para os pais e os cavalos, calculando o quanto se distanciara.

A mãe acenou, pedindo que voltasse. Nita fez um gesto, fingindo não entender. Não queria ouvir ordens de ninguém naquele momento, muito menos voltar para ouvir a mãe reclamar do excesso de peso. Queria ficar ali mesmo, e quem sabe achar uma preguiça.

Nita vira uma preguiça há dois dias em Telas. Preso numa jaula. Parecia inofensivo. De qualquer forma não conseguia se mover com rapidez. Ela poderia facilmente deixa-la para trás numa corrida.

Quando a mãe começou a gritar, Nita resolveu ir para a encosta da floresta para sair um pouco do gelo. Já estava sentido muito frio. Naquela parte da árvores, elas erguiam-se sobre um emaranhado de raízes, que impediam a exploração rente ao gelo. Algo mágico. Elas assumiram aspectos estranhos e grandiosos alcançando mais de 50 metros de altura. As grandes copas das árvores pareciam querer cobrir todo o céu e transformar o dia em noite, mesmo com o sol em seu zênite.

No gelo rente a floresta, viu três marcas da pegada de algum pássaro tão pequenas, tão leves, que mal podiam ser identificadas. Havia outras pegadas maiores, fundas. Nita olhava distraidamente para as marcas quando ouviu um bicho assobiar e percebeu um movimento entre as raízes emaranhadas da Floresta Obriana.

As preguiças assobiavam? Nita duvidava, mas não tinha certeza. Talvez fosse uma ave marinha. Ela esperou imóvel, em silêncio, atenta para o ruído do movimento, que se repetiu. Finalmente identificou a origem do som. A poucos metros, um lagarto saiu do meio das raízes e olhou para ela.

Nita prendeu a respiração. Um novo animal para sua lista! O lagarto ergueu-se nas patas traseiras, balançando a cauda grossa, e a encarou. Em pé, como estava, atingia trinta centímetros de altura, verde-escuro, com listras marrons nas costas. As patas dianteiras minúsculas terminavam em pequenos dedos que se mexiam nervosos no ar. O lagarto empinou a cabeça ao olhá-la.

Era uma gracinha, Nita pensou. Parecia uma salamandra grande. Ela ergueu a mão e também mexeu os dedos.

O lagarto não se amedrontou. Veio em sua direção, andando sobre as patas traseiras. Pouco maior que uma galinha, movia a cabeça como se fosse uma, ao se locomover. Nita imaginou que daria um ótimo bichinho de estimação.

Ela notou que o lagarto deixava três marcas na areia, iguais as pegadas de aves. Ele se aproximou de Nita, que permaneceu imóvel, para não assustar o animalzinho. Ficou espantada com a aproximação. Provavelmente o lagarto era manso. Talvez estivesse querendo comida. Infelizmente não trouxera nada para lhe dar. Lentamente, Nita esticou a mão espalmada, para mostrar que não tinha comida.

O lagarto parou, empinou a cabeça e sibilou.

- Que pena! – Nita disse. – Não tenho nada agora.

De repente, sem aviso, o lagarto pulou em sua mão aberta. Nita sentiu os pequenos dedos perfurando a pele da mão e o peso surpreendente do animal pressionando seu braço para baixo.

Em seguida o lagarto trepou pelo braço, buscando seu rosto.

***

- Eu preferiria que ela ficasse à vista – Nelen disse, apertando os olhos por causa do sol. – Só isso. Poder vê-la.

- Aposto que está ótima – Kime retrucou, verificando a cesta de piquenique preparada em sua casa. O frango assado parecia pouco apetitoso, e havia também uma espécie de torta de carne. Nelen jamais comeria aquilo.

- Acha que ela se afastou do gelo? – Nelen insistiu.

- Não doçura, não acho.

- Eu me sinto tão isolada aqui.

- Pensei que era isso que pretendia.

- E era.

- Então qual é o problema?

- Gostaria que ela ficasse à vista, só isso – Nelen repetiu.

Nesse momento, trazida pelo vento, ouviram a voz da filha no gelo. Ela estava gritando.

Sds. jurássicas,
#2 Max_Sovat Enviado : 21/08/16 17:52
Confesso que cocei pra continuar a história, mas preciso reler a ambientação do Domo pra não cometer uma eresia... Será que Luame vai conseguir salvar Nita?
A verdadeira felicidade reside no livro dos sábios, no dorso do cavalo e no seio da mulher amada! - Antigo dito de Cavalaria
#3 T.REX Enviado : 21/08/16 21:16
Dancing
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