As culturas de figos, frutas cítricas, legumes e verduras são as predominantes na cidade. A criação de ovelhas, cavalos e camelos também é comum. Sua principal atividade econômica, contudo, como sua vizinha Sanom, é a extração de madeiras nobres das florestas que cobrem os topos e encostas dos Montes Tauram. Os comerciantes de Tiraki volta e meia entram em conflito financeiro com seus concorrentes de Sanom no que diz respeito a preços e qualidade dos serviços e da madeira extraída. Mas mesmo em meio a embates monetários, o extrativismo vegetal é o motivo da importância e prosperidade da cidade em relação a seus pares.
Tiraki é uma cidade-estado que cresceu ao redor do palácio real que se localiza na porção central daquela. As casas da abastada classe aristocrata se localizam próximas ao palácio, enquanto as habitações do povo comum estão concentradas na periferia e nas regiões mais afastadas. Todas ligadas por uma intrincada teia de ruas e ruelas.
As grandes marcenarias e serralharias, bem como todo o comércio local da cidade se concentra próximo da entrada norte.
Tiraki possui um anel defensivo de muralhas reforçadas por grandes fortificações localizadas em seus ângulos e um grande fosso recheado com grandes troncos de madeira espiculados. O quartel das tropas se localiza ao lado do portão principal da cidade.
A força militar de Tiraki, que não tem muita tradição nesta área, conta com um efetivo regular de 6 mil homens e está sob o comando do Atrahasis Zabulla, um oficial de carreira sério e eficaz no treinamento de seus subordinados.
Internamente, porém, a cidade vive um conturbado período de instabilidade social, com algumas manifestações esporádicas contra o rei Naktor acontecendo na periferia e nos lugarejos mais pobres.
Existe uma pequena comunidade de Bestiais em Tiraki, mas eles não se misturam muito com os humanos, vivendo mais reclusos e trabalhando como lenhadores nas florestas.
Embora não sejam frequentes, também aqui existem refugiados e fugitivos do Império Aktar. São bem acolhidos e a maioria deles vai trabalhar ou nos campos irrigados ou nas marcenarias da cidade.
Um dos mexericos mais comentados atualmente vem diretamente do interior do palácio real. A Sumo-Sacerdotisa Larsa não está contente em ser “apenas” a “amante sagrada” anual de Naktor e viver à margem das decisões políticas da cidade. Fontes seguras dizem que ela está, secretamente, cortejando o nobre Guilam, tentando ganhar sua confiança (quer seja pelo coração, quer seja “por outros meios”). Parece que o “caso” chegou aos ouvidos do rei e ele não está nada contente com isso. Alguns afirmam, oficiosamente, que Guilam conhece algum segredo oculto relacionado ao passado de Naktor e o chantageia com isso. Este seria o motivo de ele estar como membro da nobreza no Conselho da Lei (com uma “ajudinha” do rei). Larsa percebeu isso e tenta descobrir o que poderia ser para usar também em benefício próprio. Já Naktor pretende dar um basta no relacionamento dos dois ou utilizar “outros meios” para isto.
Dois rumores correm soltos pela cidade e ambos envolvem os lenhadores que atuam nos Montes Tauram. Um deles diz respeito a uma estranha descoberta que um grupo explorador de madeireiros fez ao adentrar em uma das florestas que cobrem as encostas dos montes, alguns meses atrás. Eles afirmaram haver encontrado um vale escondido entre os contrafortes das montanhas. O vale era fértil e de temperaturas amenas e sustentava uma vegetação rica, com árvores e uma variedade de animais (não observaram se existiam monstros no local). Segundo eles, a terra parecia boa para ser trabalhada. Alguns colonos agricultores foram enviados para o referido vale, distante alguns quilômetros da cidade, juntamente com alguns dos lenhadores e um destacamento reforçado das milícias locais. Desde então não se têm mais notícias deles. Alguns afirmam que o Atrahasis Zabulla está montando uma expedição para investigar o que houve. Ainda há vagas na mesma...
O segundo rumor a respeito das florestas dos Montes Tauram fala que focos de incêndios desconhecidos estão começando a aparecer em algumas porções das florestas. O fogo parece estar querendo se espalhar e um grande contingente de madeireiros foi destacado para combatê-lo. Mas o mais intrigante é que, quando uma área do incêndio é controlada, uma nova área de árvores subitamente começa a entrar em chamas. Os trabalhadores estão intrigados e assustados, pois não encontram razão para o acontecido. De olho nos lucros os grandes comerciantes de madeira cobram alguma solução das autoridades.
Outro boato que está se espalhando rapidamente por Tiraki diz respeito a alguns assassinatos que estão sendo cometidos na área próxima à comunidade onde vivem os Bestiais. As poucas testemunhas, não muito confiáveis, afirmam que as criaturas são as responsáveis pelos crimes, mas há quem os contradiga, já que os Bestiais são mais reclusos e quase não se relacionam com os humanos das redondezas. Outros afirmam que são vistos vultos se reunindo em casas nas imediações das casas dos Bestiais e que seriam estes se agrupando para cometer as atrocidades. Quem está com a razão? Enquanto isso o verdadeiro (ou verdadeiros) assassino (s) está (ão) à solta.
Uma notícia colocou em polvorosa os membros da Academia Dictínea de Magia da cidade: a descoberta de um antigo torreão, localizado próximo aos Montes Tauram, ao Norte da cidade. Os magos afirmam tratar-se de um local de refúgio ou fortaleza de um antigo rei-feiticeiro Arcondi e organizam uma expedição para investigar o local. Acredita-se que os espiões do Império Aktar também estão fazendo o mesmo...