Sanom vive das plantações de cereais, tâmaras e da hortifruticultura. Criações de ovinos, caprinos, camelos e equinos também são comuns na cidade. Contudo, a base de sua economia é o extrativismo vegetal com a exploração de madeira das florestas nos contrafortes e platôs dos Montes Tauram. Por serem árvores de tronco robusto e de boa madeira. elas são muito utilizadas na construção de casas, edificações e até barcos. Isso faz a cidade de Sanom ser uma importante parceira comercial das outras cidades dictíneas e das cidades birsas, garantindo a prosperidade da mesma.
A cidade em si possui altas e reforçadas muralhas, com várias torres de observação e flecheiras espalhadas ao longo da mesma. Grandes catapultas estão posicionadas em locais estratégicos e oferecem um fator de defesa a mais à cidade. O gigantesco e reforçado portão central é lendário entre as cidades dictíneas e dizem ter sido construído no início da formação da cidade e com madeiras raríssimas extraídas de um local secreto nos Montes Tauram.
No interior de Sanom, na parte sul é onde se localizam o palácio real e as casas da classe nobre espalhadas ao seu redor. Algumas tabernas mais requintadas se localizam neste local. O norte e o oeste são habitados pelo povo comum da cidade. No centro, existe uma feira permanente onde os habitantes podem encontrar quase tudo que se produz nas cidades dictíneas. As grandes marcenarias e serralharias se concentram na região leste, bem como as demais lojas e o comércio local.
A cidade possui grande tradição militar e seus soldados são conduzidos pelo Atrahasis Uruki, um oficial robusto e rude, de poucas palavras, mas de elevado senso de dever, sendo da total confiança do rei. O efetivo militar de Sanom é de aproximadamente 35 mil soldados regulares.
Tisal já é rei de Sanom há quase oito anos, tendo vencido as provas reais derrotando vários concorrentes, inclusive seu irmão mais velho, Kedir, o que não agradou muito a este, tornando-o um dos principais opositores de Tisal dentro da aristocracia da cidade.
Mas nem tudo são flores na cidade. Alguns acontecimentos recentes parecem ter colocado em polvorosa os grandes comerciantes de madeira. Alguns foram vistos dirigindo-se até o palácio real.
Também a nobreza parece ter seus problemas. Os preparativos para o rito anual do “Casamento Sagrado” ainda não foram iniciados e isto é algo incomum de se acontecer. Os sacerdotes parecem apreensivos.
Sanom também é uma das cidades dictíneas que recebe refugiados e fugitivos provenientes do Império Aktar. Os Bestiais também possuem uma considerável comunidade na parte norte da cidade.
Um deles diz respeito ao que está acontecendo com os comerciantes de madeira. Alguns garantem ter ouvido dizer que uma manada de grifos está atacando aleatoriamente os lenhadores de Sanom nas florestas dos Montes Tauram, interrompendo o corte e fornecimento da madeira para comércio. Alguma coisa aconteceu ou alguém está influenciando as bestas para que ataquem os trabalhadores (alguns estão acusando os concorrentes de Tiraki), mas ninguém tem certeza do que pode ser. Dizem que os comerciantes estão apreensivos e foram solicitar ajuda ao rei, que prometeu tomar providências.
Outro boato vem do interior do palácio real. Fontes confidenciais afirmam que a Sumo-Sacerdotisa Diala apaixonou-se perdidamente pelo jovem filho do rei Tisal, Abrom e que ambos fugiram, na calada da noite, há alguns dias, para um destino ignorado. O rei Tisal está abalado e muito aborrecido, pois a Sumo-Sacerdotisa não pode ser simplesmente substituída. O dia do rito anual do “Casamento Sagrado” se aproxima e Diala precisa ser encontrada. Os rumores indicam que o rei está atrás de aventureiros para trazer a Sumo-Sacerdotisa de volta. Esses mesmos rumores afirmam que o irmão mais velho de Tisal, Kedir, irá tentar impedir o acontecido a qualquer custo, na tentativa de desestabilizar o governo de Tisal.
Dos quartéis militares, outro boato afirma que o Atrahasis Uruki resolveu, abruptamente, implementar uma estranha reformulação na hierarquia do exército regular de Sanom. Ele está substituindo antigos e respeitados oficiais do Alto Comando por, até então, desconhecidos e obscuros subalternos. A desculpa é uma renovação salutar do oficialato superior do exército. Os soldados também notaram uma discreta mudança no humor do comandante. Ele se tornou mais arredio e irritadiço. Seus servos dizem que ele parece ter adquirido um estranho gosto por perfumes exóticos. Segundo conhecidos do Atrahasis, tudo isso vem acontecendo depois que ele passou a frequentar a casa de uma nobre e formosa aristocrata de nome Drineide. Os fofoqueiros de plantão afirmam que ambos são amantes e que o relacionamento deve estar passando por uma crise. De qualquer forma, Uruki é um herói de batalha, comandante respeitado das forças militares e tem muito prestígio junto ao rei Tisal para continuar implementando sua estranha reformulação.
Dizem que o conselheiro Iglate anda a procura de guarda-costas fortes e destemidos. Ele teme que sua vida esteja em perigo, pois na última reunião do Conselho da Lei, ele e o nobre Aibur tiveram uma ardorosa discussão sobre um determinado assunto em que suas opiniões eram contraditórias. Aibur o acusou de influenciar negativamente o rei Tisal em suas decisões e deixou escapar, talvez no calor do debate, que Sanom estaria melhor se o conselheiro estivesse morto. Iglate é um ancião, mas ainda deseja viver muito...
Um artista “residente” nas ruas e bares de Sanom, de nome Bahijale, conta histórias de fantásticas viagens realizadas através de uma passagem subterrânea escondida nos Montes Tauram, que iria sair do outro lado dos mesmos, perto do Lago Bismaral. Ele é desdenhado pela maioria dos seus ouvintes, que julgam-o como um louco embriagado. Contudo, se tal passagem realmente existisse, encurtaria sobremaneira as viagens comerciais até as cidades Birsas do outro lado. Lordes comerciantes pagariam um alto preço pelo conhecimento de tal passagem.
Corre pela cidade que um poderoso comerciante local, Afizal, ouviu esses rumores sobre a passagem subterrânea e quer contratar pessoas corajosas o suficiente para verificar se ela existe mesmo e explora-la em caso afirmativo.