Todos os deuses passaram a buscar inspirações e desejos que manifestassem de forma mais pura os seus “filhos”. Palier também buscou respostas aos seus desejos e suas inspirações.
Após grande período de estudos e reflexões, decidiu criar seres tão “perfeitos” quanto ele.
Neste dia de “nascimento”, Palier estava realmente feliz. Finalmente tinha criado os seres de seus sonhos. Seres que se assemelham aos animais anteriormente criados por Maira, mas eram mais espertos. Seres que eram graciosos, mas não fracos. Seres simplesmente divinos.
- Nenhuma criatura viva vai chegar aos seus pés! – brandia Palier nos céus – Vocês são perfeitos!
Essa era uma das maiores razões por ter ficado tão orgulhoso.
- Nada se compara a vocês! Nada! – continuava a brandir Palier.
Seguindo os ensinamentos do pai, suas criações estavam se tornando cada vez mais perfeitas. Mas eles ainda não tinham nome. Palier começou a pensar, tentando imaginar um nome que demonstrava todo o poder divino. E achou um nome perfeito:
- Vou chamá-los de elfos! – ele gritou.
Palier então adentrou o salão real e foi dividir com Maira e Parom a sua felicidade.
Quando indagado sobre o papel dos elfos no mundo, ele afirmou que seriam seres de luz e saber; mas Parom perguntou o que fariam no mundo e que habilidades viriam a ter.
Tal indagação foi motivo de um longo discurso entre pai e filho sobre o conhecimento e a prática.
Inspirado pela conversa acalorada com Maira e seu filho Parom, Palier deu aos seus filhos a habilidade de mesclar-se e adaptar-se à natureza, além da habilidade de trabalhar com perfeição os elementos naturais extraindo deles todo potencial, criando armas, armaduras e construções que se harmonizam com a natureza ao redor.
Da união de três deuses, Palier criou os elfos. Sentiu-se orgulhoso.
– Extratos do Livro de Maudi, do capítulo “A Criação”- Biblioteca de Saravossa.
Suas habilidades são vastas, assim como seu poder e sabedoria. Entretanto, todo seu conhecimento o faz parecer arrogante e frio, dando a impressão de prepotência ao se conversar com ele; porém, isso não é totalmente verdade, porque Palier possui senso de tolerância e paciência, afinal “os filhos” são seres limitados.
Palier “escolhe a dedo” seus seguidores dentre aqueles que têm fome de saber e conhecimento. Os elfos, sua maior criação, veneram-no com fervor, considerando-o incomparável aos outros deuses. Também é venerado nas classes baixas, nem sempre como um deus principal, mas como um deus que não pode ser ignorado.
É muito comum os estudantes, principalmente os jovens e os frequentadores dos Colégios Arcanos, fazerem uma oferenda grande antes de cada prova do Colégio, pois acreditam que assim vão ficar menos nervosos e as ideias vão chegar mais claras. Quem não o faz é muitas vezes alvo de zombarias.
Muitos adoradores de Palier competem entre si para ver quem é o “mais digno de atenção”.
É chamado também de “O Grande Saber” e de “O Mago Divino” por seus devotos.
Por tudo isso, é um dos principais deuses do panteão de Tagmar.
O desejoso Palier pode facilmente ser uma das melhores companhias da qual qualquer um poderia dispor; porém, quando quer, pode ser tão insuportável que seria capaz de despertar a fúria análoga de Crezir contra Selimom. Seus argumentos precisos e seu vasto conhecimento geralmente fazem com que sempre tenha razão, fato que acaba provocando algumas brigas com os demais deuses do panteão.
Educado e culto nas maneiras e no falar, é visto com grande admiração e respeito.
Sua sabedoria não se limita ao falar e ensinar, mas em saber ouvir com atenção, algo muito importante no seu relacionamento com Maira.
As longas conversas entre pai e filho, bastantes vezes, são acaloradas, beirando a discussão. Mas um clima de respeito sempre se faz presente e, apesar das opiniões diferentes, eles se respeitam.
Com a deusa Lena, olhos e bocas são contrários nas afirmações. Diz ter muito gosto pelo amor entre seu filho e Lena, mas seus olhos escondem algo mais como receio do futuro deste relacionamento.
Selimom costuma ser uma companhia agradável nas longas caminhadas pelo bosque e nos estudos em sua biblioteca.
Com os demais deuses, tem uma relação cordial e de auxílio mútuo, sendo por todos respeitado como o conselheiro perfeito.
Nas cidades grandes, há um concurso de magia restrito somente aos místicos. Mas, em algumas cidades, como Runa e Saravossa, o concurso é feito em praça pública. Ao termino do dia, todos se dirigem para o templo de Palier. Onde, acompanhados pelos fiéis, os sacerdotes evocam cânticos sagrados em louvor de seu deus.
Esses cânticos têm como objetivo “elevar aos céus” sua adoração ao pai. É através destes cânticos que, unindo-se em voz a seu pai, alcançam a pureza de espírito para sua raça. Em certos locais, alguns não elfos, especialmente sacerdotes e magos ligados a Palier, também comemoram essa data.
Festa da Iluminação (9º dia do mês do Sangue)
É uma festa exclusiva dos elfos. A festa se dá através de cânticos e músicas de sua raça renovando velhos traços de sua cultura e exaltando suas conquistas.
É uma festa narcisista por natureza, mas muito apreciada pela população.
Seus sacerdotes, mais do que simples homens da fé, são renomados sábios e conhecedores dos mais diversos assuntos, de administração à poesia.
Os seus sacerdotes pregam a paz e a harmonia entre todas as coisas, vivas ou não.
Uma mistura entre louvor e magia ocorre nas celebrações e cultos a Palier, com manifestações místicas e grande concentração de Mana. Portanto, o culto a Palier é ao mesmo tempo um culto a magia e o saber.
Neles são catalogados diversos livros que são copiados e entregues a outros templos. O acesso à biblioteca é livre; contudo, quem quiser entrar deve seguir os ritos de purificação de entrada e estar sempre acompanhado por um sacerdote.
Os sacerdotes usam ainda um pequeno chapéu de forma circular com uma manta feita de linho que protege toda cabeça deixando somente o rosto de fora.
Um pequeno livro de orações sempre é carregado pelos sacerdotes, onde podem sempre ler os desígnios do seu deus e buscar o conhecimento.
O segundo lugar é a Ponte de Palier, localizada na Floresta de Âmiem, vista como a entrada para os reinos celestiais e para a grande casa de Palier.
O terceiro lugar é a Fonte das Sagradas Escrituras. Sua localização é secreta e muitos especulam que pode estar em Saravossa, no subsolo de um dos templos.
Dizem que a fonte tem a capacidade de trazer a aquele que beber de sua água a luz do conhecimento e a resposta de suas mais profundas e complicadas perguntas.
O Livro de Palier (ou Livro das Sagradas Escrituras) é um enorme tomo onde consta toda a história do mundo desde o Primeiro Ciclo. Foi deixado por Palier como presente aos seus filho, os elfos, para ser protegido. Mas os elfos, assim como as demais raças mortais, afastaram-se dos deuses. E os deuses vieram a Tagmar trazendo consigo o Cataclismo, e por isso o livro se perdeu. Apenas alguns pergaminhos dos sacerdotes de Palier do Segundo Ciclo citam o Livro como a maior relíquia que um servo poderia guardar.