Augustu Zeneri VI, “O Tirano” – Rei de Marana
Marana sempre foi tida, em todo Mundo Conhecido, como uma terra de exuberante esplendor e inegável semelhança com, ao que dizem, a maior e mais evoluída de todas as cidades tagmarianas, Saravossa. De fato, isso não é de forma alguma uma inverdade, posto que a poderosa e bela influência do extinto reino dos Moldas foi o fermento que concebeu essa fantástica nação, exemplo vivo de até onde a influência Molda se estendeu na porção norte e central de Tagmar.
Sua geografia é caracterizada por longos planaltos e planícies cobertos com uma abundante vegetação rasteira, com destaque para sua grama sempre verde. A porção mais norte do reino é bem montanhosa, o que acaba por determinar um clima bem diferente para essa parte do reino, variando de bem frio no outono e principalmente no inverno, a um forte calor na primavera e principalmente no verão; sem dúvida efeito da grande aproximação com os Palomares. Entretanto, da porção central ao sul do reino, o clima é bem mais ameno e propício ao cultivo de uma grande variedade de culturas, que sem dúvida nenhuma são bem conhecidas nas mesas locais, e até nos reinos vizinhos, o que coloca Marana também como um forte reino agrícola. Destaque para o bom clima na porção mais leste do reino, onde a presença da imensa floresta de Fiorna funciona como um bálsamo para as cidades próximas e vilas vizinhas, tornando a umidade relativa do ar bem alta e o solo extremamente fértil. Sem contar que a floresta é responsável por quase todo suprimento de madeira do reino.
De uma forma geral há sempre uma grande presença de árvores espaçadas sendo normalmente coníferas, exceto na beira dos rios e nos pequenos bosques espalhados pela região, onde árvores frutíferas podem ser encontradas. A terra em todo o reino é bem fértil, apesar de não raro, eventuais problemas com uma espécie de formiga local, cabeçuda e de um característico vermelho fogo, chamada pelos locais de “formiga de fogo”, cuja picada gera grandes coceiras e podem levar até a febre, dependendo da quantidade de veneno administrado, ou da constituição física da pessoa atingida, podendo destruir lavouras inteiras. Os minérios mais comuns são: estanho, cobre, zinco e ferro, encontrados com certa dificuldade em cavernas e rios. Nos últimos tempos alguns dos famosos e assustadores lobos cinzentos de Filanti tem cruzado as bordas de Gironde em direção a Marana a fim de disputar território com os predadores locais, os mais atingidos por esta praga é sem dúvida a cidade de Litória, que já começa a querer se especializar em caçar e comercializar pele de lobo. Apesar dos lobos ainda causarem muito medo, alguns já vêem nisso a possibilidade de um bom negócio.
O país possui boas estradas, construídas para suprir a necessidade de transporte de suas caravanas internas, bem como as que chegam dos reinos vizinhos, o excedente da produção não chega a ser numa quantidade que poderia se caracterizar em um comércio maior, mas de fato os grandes e pequenos fazendeiros que moram próximos as fronteiras, vendem seus excedentes para seus vizinhos. As estradas até bem pouco tempo eram muito bem cuidadas, mas devido aos últimos acontecimentos, a preocupação das autoridades regentes com o processo de militarização a que esse passa, começa a deixar suas sequelas nesses pequenos e importantes detalhes administrativos, entretanto sabe-se que elas não chegarão a estar em más condições posto que elas são vitais para a boa movimentação das tropas.
Na porção sudeste do reino a pescaria é uma atividade de grande destaque e constitui a grande fonte de renda das vilas e cidades mais próximas ao mar. A principal cidade nessa parte do reino é Sensera, onde apesar da distância do mar, é possível encontrar uma grande variedade de gêneros marinhos em seu mercado, habilmente abastecido por comerciantes das pequenas vilas litorâneas. Marana possui uma boa frota de barcos pesqueiros, que são mais numerosos do que compostos por barcos de grande porte. Até agora Marana carece de uma boa frota marítima de guerra, o que já da claras demonstrações de mudar, a julgar pela frenética movimentação em algumas vilas mais ao leste do reino, e no recente surgimento de novos estaleiros.
Surgido da união de diversos pequenos reinos, que alguns dizem ter ocorrido por volta de 750 D.C., Marana era um grande reino que se estendia do Lago Denégrio até o Mar do Leste. Devido a influência dos antigos Moldas, que se encontra ainda arraigada em seu povo e pela insegurança em relação aos seus vizinhos mais belicosos, Marana – embora um reino pacífico – conta com um forte sistema de defesa, reunindo enormes exércitos que patrulham toda a extensão de suas fronteiras. Em 1250 D.C., os Verrogaris, com o apoio das tropas Bankdis, invadiram o território leste do reino. A guerra contra o poderoso reino de Verrogar se estendeu por muitas décadas, culminado com a queda de Marana, em 1289 D.C., tendo todo seu território subjugado pelas forças demoníacas... A partir de então, um longo e negro período se seguiu, onde os cultos aos deuses foram duramente reprimidos e o povo cruelmente escravizado. Mesmo sobre forte opressão o povo de Marana manteve sua fé, proferindo orações ocultas em templos clandestinos. Entretanto, os dias negros finalmente passam e com a derrota da Seita, o clero de Selimom sob a orientação da corte de Saravossa assume o controle do reino, permanecendo no poder até a morte do Mais Sábio, em 1450 D.C. Um ano depois, diversos reinos de Tagmar desligam-se oficialmente de Saravossa, inclusive Marana e, sem a presença de seu idealizador, chega ao fim a Unificação e Elberto Zeneri IV, ao casar-se com uma descendente direta da família real de Marana, assume o trono do reino, dando início a uma nova Era ao reino.
Ao lado do rei governa o Conselho dos Sábios, também chamado de senado, e que é composto por 10 representantes do povo, dois para cada região, numa eleição feita, normalmente, a cada cinco anos. A nobreza é composta por membros das famílias fundadoras, antigos comerciantes que enriqueceram o suficiente para comprar um título, e descendentes de antigos heróis, apesar da honra e do heroísmo já terem sido esquecidos por muitos em favor do acúmulo de terras, gerando grande conflitos e boatos de fantasmas em busca da honra perdida.
A família Zeneri é atualmente a família real, tendo o arquiduque Elberto Zeneri assumido o poder, logo após o fim da Unificação. Para isto, ele casou-se com a herdeira da antiga família real Esmeralda, apoiado pela maioria dos nobres locais. O repúdio inicial à ex-família real foi grande nos primeiros anos, porém, este se diluiu em parte com o tempo, principalmente porque alguns bravos membros da família tinham se tornado heróis, dando suas vidas na luta contra os demônios da Seita.
O rei Augustu Zeneri VI assumiu o governo há 4 anos, logo após a morte de rei Elberto Zeneri IV, seu pai. Sua mãe, Eurídice Zeneri, está muito doente, e encontra-se sob os cuidados da “Casa Real de Cura”. E seu único irmão, Orsini Zeneri, exímio diplomata (ao contrário do irmão), está em viagem de negócios no reino de Filanti, tentando angariar a confiança dos nobres locais e, principalmente, entender o por que, da mudança tão brusca de atitude em relação ao reino de Marana. A pesar de Augustu dar mostras de ser um rei forte e de não temer a guerra, Orsini sabe que a verdade não é bem essa, e que uma guerra aberta com Filanti seria catastrófica.
A milícia, que antes se resumia a alguns prebostes e uns poucos sargentos, tem aumentado de maneira surpreendente, os prebostados estão surgindo em todas as cidades, e os coletores de impostos estão sendo vistos cada vez mais nas ruas até das pequenas vilas nos dias de hoje. Afinal, armar um reino e formar um grande exército custa de fato muito dinheiro. O aumento do contingente das milícias tem seu lado positivo, brigas e contendas são mais facilmente controladas; as agressões físicas passaram a ser advertidas com multas, tudo passa a ser motivo de angariar mais dinheiro para os cofres reais. Quando a violência é perpetrada contra membros do governo, seja simples agressão, roubo, sequestro, etc… a multa é ainda mais vultosa, e a desculpa que paira na boca de todos os tenentes é que um crime contra um membro do governo é um crime contra a coroa. É claro que por mais que o poder real se esforce em conter os roubos, a corrupção acaba sendo impossível de se conter de forma completa, e alguns prebostes têm feito alguma fortuna com pequenos desvios.
“Todos” os assassinatos são (“deveriam”, seria a palavra certa) punidos com o rigor máximo, que inclui mutilações, prisão e morte. Contudo, as leis não se aplicam as pessoas de posses. Os ricos e nobres pagam o esquecimento de suas faltas e a indulgência real com bastante ouro. Mas quando o infeliz é uma pessoa simples, incapaz de pagar a multa por seu crime, este fatalmente acaba sofrendo as mortificações da lei. Todo prisioneiro é considerado escravo a serviço da coroa, podendo ser vendido em mercados estrangeiros, normalmente em Verrogar, ou enviados para toda sorte de trabalhos forçados, seja nas minas, seja nas carvoarias, na extração de árvores ou até mesmo no cultivo de víveres que devem preencher os celeiros reais, bem como os militares.
O exército maranense é um organismo em crescimento, devido ao fato do reino ser essencialmente devoto de Selimom. Não havia uma grande preocupação com esse aspecto belicoso, porém, os últimos acontecimentos na política externa e os posicionamentos tomados pelo atual monarca, começam a mudar drasticamente esse panorama. Hoje já existem dez tropas constituídas, ainda que em oito delas a maioria dos seus membros, com exceção talvez dos oficiais, sejam camponeses recém-convocados, e que não possuem sequer o devido treinamento, o que faz das tropas maranenses não profissionais e extremamente inexperientes. O grupo de elite dos exércitos maranenses é quase a única força militar profissional do reino e são chamados de “Os Iguais”, enquanto as tropas recém-criadas foram chamadas de “Legiões”.
Alguns mercenários começam a ser contratados para constituir um exército profissional à parte. Essa determinação do monarca desagradou bastante alguns de seus súditos mais importantes, posto que exércitos de mercenários possuem uma lealdade ao menos duvidosa, mas Augustu replica energicamente que situação extrema pede medidas extremas. A única salvação para a inexperiência dos exércitos maranenses, caso o reino venha realmente a entrar em guerra, pode vir na figura da pessoa mais improvável para esse tipo de situação, o alto Sacerdote de Selimom em Marana, Echoriom Anoriel, um Elfo Dourado bem sábio e antigo, que tem mantido nos últimos tempos um intenso contato com o Sumo Sacerdote da Ordem de Selimom em Marana, Elros d´Galatel, para o qual Echoriom tem solicitado incessantemente a intervenção dos Pacificadores, exército de elite da Ordem de Selimom. Elros não tem se demonstrado insensível ao problema maranense, contudo, ele sempre responde a Anoriel que deslocar os pacificadores até Marana pode ser um problema grave, e que a única forma de fazê-lo talvez seja por mar.
Elberto também era amante das artes e do saber, e boa parte dos fundos arrecadados com os impostos foi remetido de uma forma bem visível em infra-estrutura e incentivo as artes em geral, o que fez de Marana um reino muito belo e com uma população bem culta. Como administrador Elberto não ignorava que o comércio é ponto crucial para a sobrevivência de um reino, sendo assim, as principais estradas e rotas comerciais por todo o reino estavam sempre em ótimo estado de conservação, sem contar que em pontos estratégicos estas eram muito bem guardadas por torreões, normalmente com a presença de seis ou sete membros da milícia em cada torre. Toda caravana mercante que passasse por estes postos de controle deveriam pagar uma taxa que era revertida na conservação das estradas e no soldo da milícia que guarda as mesmas.
Entretanto, esses bons dias se foram com a morte do “Justo”, e agora seu filho Augustu Zeneri VI “O Tirano,”, assumiu o poder de forma fulminante, demonstrando que o novo monarca pretende comandar o reino com mão de ferro e que não haverá tolerância ou piedade para oposições ou opositores. A primeira atitude de Augustu ao colocar a coroa sobre a cabeça foi de destituir (e secretamente ordenar a morte) o “fraco” general das tropas maranenses que serviu fielmente seu pai durante todo o seu reinado, Farim Amec, “O calvo”, e colocar no poder um homem de sua inteira confiança, e que compartilha de seu turvo ponto de vista: um conhecido fomentador de guerras de nome Karr. Karr é um temível gigante, de cabelos amarelos e olhos verdes, mais de dois metros de altura e de pouco mais de 30 anos. Abertamente, Karr é um profundo devoto de Blator, mas muitos que o conhecem pessoalmente já se perguntaram pelo menos uma vez se não é para Crezir que ele deveria jurar sua fé. Karr é um homem de guerra e não de paz, e se este não estiver fazendo guerra com os países vizinhos, estará massacrando o povo, ou não estará satisfeito. Essa terrível energia destrutiva que emana dele não pode ser facilmente canalizada ou represada. Sabe-se que Karr não é maranense, até seu biótipo físico denuncia sua origem estrangeira, mas não se sabe ao certo de onde que o atual general de Marana vem, apesar de muitos especularem que ele vem das terras do norte, mais especificamente de Filanti.
Com o apoio de Karr, e consequentemente do exército que Karr mantém sob seu comando através de seus oficiais de confiança, que pelos traços raciais compartilham da mesma origem do general; a segunda decisão política pública que o monarca tomou foi decretar a renovação do Conselho dos Sábios, e mais uma vez secretamente ordenou a Karr que desse cabo de todos os seus membros atuais. As razões para tal eram bastante óbvias: o Conselho dos Sábios se opunha a quase todas as decisões tomadas por Augustu, mediante a isso ele simplesmente resolveu acabar com o problema. Augustu agora se ocupa em escolher os nomes certos para criar o seu próprio conselho de sábios, contrariando totalmente as determinações implantadas por seu falecido pai e seus antepassados.
Sua terceira atitude no poder não poderia ser menos chocante e destrutiva, sem consultar a ninguém (a não ser Karr), e por motivos até então desconhecidos, Augustu simplesmente ordenou o fechamento da secular Biblioteca Real, construída com a ajuda dos Elfos Dourados. Karr mais que depressa se apossou dela e fez lá seu quartel general particular, mantendo agora sob sua influência direta o prédio da milícia e a biblioteca. Karr não tardou a proibir a entrada de todos seus antigos funcionários no prédio, declarando que agora ele era um complexo militar, e não economiza palavras e tratamentos rudes aos de origem élfica, principalmente os dourados, o que tem criado um grande êxodo destes de volta para Âmiem.
O último fato estarrecedor de que se tem notícia é que um levante está se criando pelos lados da Floresta de Fiorna, nada que já não fosse esperado depois das catastróficas medidas do novo rei. Dizem que tudo começou após o desaparecimento do sábio de nome Rofir, que era o representante de Kaliana no Conselho dos Sábios. Esse levante aparentemente está sendo liderado por três homens desta cidade. Esse movimento que até agora corre sem maiores intervenções do monarca ou de seu general, está ganhando corpo rapidamente e dentro em breve talvez já não seja possível parar essa máquina de guerra que ameaça levar Marana ao caos total.
Aqueles de passagem por essas terras poderão também encontrar uma grande quantidade de meio-elfos, ou meio-humanos se preferir. Estes se mesclam perfeitamente entre os humanos e fazem parte do cotidiano do reino de forma indistinta, não há qualquer discriminação a esses por parte dos nativos, e aqueles menos afeitos a esse tipo de tolerância podem se sentir um tanto desconfortáveis em solo maranense. Muitos meio-elfos são artífices e suas obras híbridas entre o clássico élfico e o objetivismo humano são muito apreciadas por estas paragens, muitas das hospedarias e tabernas foram construídas e ornadas por pedreiros e carpinteiros meio-elfos.
Muitos elfos dourados também podem ser encontrados em todo o reino, mas principalmente na capital, Sensera. A grande maioria deles sem dúvida se encontra entre o clero de Palier, sendo inclusive o Grande Sacerdote do deus em Marana, um elfo dourado de uma das nobres casas élficas, Alirel Dariom. Alirel é um venerável elfo de mais de quinhentos anos de idade, mas os seus mais de cinco séculos de vida são insuficientes para ocultar tamanho poder que exala dessa figura de indescritíveis conhecimentos. Até aqueles que ignoram completamente a sapiência e o cargo de Alirel, não podem passar por ele despercebidos de seu peculiar magnetismo. Outros elfos dourados podem ser encontrados no clero de Selimom, bem como seu grande sacerdote Echoriom Anoriel, que assim como Dariom, é um elfo dourado. Alguns outros elfos dourados estão filiados a Escola Real de Magia, habilmente comandada por um humano de nome Lúcio Bardi III. Os elfos dourados filiados a Escola são todos altos magos, e alguns possuem pelo menos três vezes a idade de Lucio e talvez até de maior conhecimento, mas Lucio da mostras de ser um líder muito competente.
Com essa forte presença élfica e meia-élfica em Marana, tornou-se até razoavelmente “comum” deparar-se com elfos florestais, seja caminhando em bandos, seja sozinhos. Boa parte pode ser encontrada principalmente na porção mais a leste do reino, próximo a floresta de Fiorna, onde eles parecem possuir uma “base” particular, no melhor estilo “se você não é elfo, não é bem-vindo”. Alguns florestais podem ser encontrados morando nas vilas ou cidades em meio às comunidades humanas, mas sem dúvida a grande maioria se concentra dentro da floresta de Fiorna. Os rastreadores que protegem as bordas da floresta são conhecidos por sua intolerância, e exceto pelos lenhadores das vilas próximas, em maioria devotos de Maira que mantêm um culto forte a deusa, realizando inclusive vários festivais em homenagem a Vet e Nil, e que tem um acordo especial de extração com os guardiões da floresta, todos os outros curiosos costumam não ser bem vindos.
Muitos pequeninos podem ser encontrados em solo maranense, os membros dessa peculiar raça parecem gostar muito dessas terras, sendo Marana e Ludgrim, talvez os dois reinos que possuem mais membros desta raça. Estes podem ser facilmente avistados em Litória, Magiara e até mesmo em Kaliana; com largo destaque para Litória onde suas fazendinhas podem ser avistadas ao longo de toda a paisagem, dando um formato todo especial para essa porção do reino. As três famílias, ou clãs como eles preferem, maiores e mais abastados são os Cova-Rasa, os Broca-Terra e os Toca-Funda.
Os Cova-Rasa possuem uma invejável lavoura de leguminosos em Litória, o método de plantio parece ser segredo de família e aparentemente é do lucrativo comércio desses víveres que advém a fortuna e a fartura do clã. De fato, todos os seus legumes crescem geralmente três vezes mais que os legumes comuns, e todos depois de preparados possuem um gosto adocicado bem característico como se tivessem sido adubados com mel.
Os Broca-Terra de Magiara são um clã de renomados mineradores e artífices, que extraem a matéria prima de seus trabalhos em sua maioria dos últimos picos dos Palomares. Esses habilidosos pequeninos trabalham entre outros o metal de uma forma no mínimo peculiar, o segredo da confecção de suas peças e jóias certamente é guardado a sete chaves, e talvez Magiara seja um dos poucos lugares do Mundo Conhecido onde se pode encontrar um pequenino ferreiro. Os Broca-Terra tem uma (na medida do possível) estreita ligação com os anões que vivem em Magiara e nos arredores dos Palomares, e ao menos à primeira vista estes parecem se entender muito bem cada um a seu jeito.
Os Toca-Funda de Kaliana são uma espécie de banqueiros-comerciantes, na verdade eles emergiram como hábeis comerciantes de víveres que com a prosperidade passaram a comercializar toda a sorte de especiarias. Quando suas tocas já estavam tão abarrotadas de mercadorias quanto de dinheiro, estes passaram a emprestar um pouco dinheiro para nobres, pequenos, médios e grandes comerciantes das redondezas que se encontravam com problemas financeiros. Com o passar do tempo eles começaram a “pegar o gosto” pela coisa e expandiram suas companhias por todo o reino. Os Toca-funda são agradáveis e desconfiados, e sempre que possível darão preferência para negociar com os da mesma espécie. Hoje todas as cidades do reino possuem ao menos uma de suas companhias.
Os anões por outro lado são bem raros de se encontrar nessas paragens, exceto em Lubliama, seus arredores e nos sopés dos Palomares, onde suas ancestrais comunidades podem ser facilmente encontradas. Os anões não costumam vagar pelo restante das terras do reino, e ainda que seja possível encontrar um anão morando em uma das vilas ou cidades dos humanos, a probabilidade é muito pequena, existem elfos e meio-elfos demais em Marana para que estes considerem a vida fora de suas comunidades agradáveis. Como não poderia ser diferente, os anões de Marana são exímios ferreiros e artífices em geral, mas com uma visível preferência para metais e jóias. Os Palomares provêm a eles toda ou quase toda matéria prima necessária para suas atividades, todo o restante é comercializado com caravanas que passam por ali de tempos em tempos. A têmpera anã, mais a intolerância com outras raças faz que estes se fechem cada vez mais em suas comunidades. Nestas é visível a presença de altares de Blator e principalmente de Parom, a este foi erguido até um belíssimo templo na vila de Rarurg, que fica localizada incrustada na rocha a nordeste de Lubliama, o templo a pesar de bem rústico é uma pérola das artes anãs. A vila leva o nome do seu morador mais antigo, Rarurg é um mestre anão ferreiro de mais de trezentos anos, que em sua juventude foi aventureiro e fiel devoto de Crezir, mas que agora se devota fervorosamente as artes de Parom. Os séculos de experiência, parece que só agravaram o senso de humor deste, mas sua arte é fantástica.
Selimom ainda é o deus mais adorado, sendo comum a presença de seus sacerdotes e homenagens a ele durante todo o ano, mas com a recém inclinação para as artes bélicas esse quadro tende a mudar drasticamente. Palier sem dúvida ainda é o segundo deus mais cultuado em solo maranense, seu clero começou a lançar suas bases por aqui após a maciça ajuda élfica na reconstrução do reino após a guerra da Seita. Somada a isso veio também a imprescindível colaboração dos Elfos dourados na construção da Biblioteca Real, que é sem dúvida nenhuma um grande atrativo para arcanos e estudiosos em geral, dizem que ela é uma réplica personalizada da grande biblioteca de Saravossa. Os deuses da natureza também são homenageados, mas este culto se dá em pontos específicos do reino. Maira, próximo a uma grande floresta, Ganis no litoral, Sevides numa área rural, etc... Os deuses da guerra eram muito pouco adorados, com pouquíssimos sacerdotes andando pelo reino, sendo a maioria do estrangeiro, não havendo grandes templos e nem festas correlacionadas.
Outra atração da atual Sensera são as execuções públicas, que ocorrem quase diariamente na antiga praça do comércio, que hoje é chamada de Praça dos Abutres. Desde que o rei Augustu subiu ao poder, muitos “conspiradores” foram presos, e a pequena masmorra da cidade não suporta mais essa grande leva de prisioneiros que ocorrem a esta quase que diariamente, o que tem tornado o trabalho de carrasco um lucrativo negócio na capital. Como uma das cidades mais desenvolvidas de toda Tagmar, pode-se dizer que Sensera passa, nos dias atuais, por um período negro, que muitos creditam à atual política na região da Fronteira, outros tantos acreditam que a influência de Filanti já tenha chegado até a cidade, e rezam aos deuses para estarem errados.
Litória se expandiu recentemente para o outro lado do rio formando a cidade chamada Litória Nova, o que tem sido fonte de incessantes atritos entre Marana e Filanti, uma vez que o Lara é divisa natural entre Marana e Filanti. A outra margem do Lara, portanto já é território filantiano, apesar de alguns insistirem em afirmar que os limites do reino filantiano é a floresta de Gironde e não o rio. Esses conflitos que ameaçam aumentar com a nova política externa maranense imposta pelo rei Augustu, estão sendo habilmente contornados diplomaticamente até os dias atuais apenas pela enorme astúcia do governante da cidade, o Visconde Tolomei Litori XII, um nobre velhaco e bonachão, que do alto dos seus quase sessenta anos de idade já conhece muito bem como governar o espírito dos homens. Mas de qualquer forma há uma grande tensão entre os filantianos mais do norte e os maranenses de Litória.
Com um grande contingente de bons artesãos entre seus cidadãos, Litória inclui em sua rede de relações comerciais cidades tão longínquas quanto Pontalina, para onde transporta suas mercadorias através do Lago Denégrio. Esse inclusive é um dos motivos da crescente preocupação do Visconde Bocacio em arranjar e garantir uma trilha segura através da floresta de Gironde, uma vez que as estradas que circundam a floresta em sua porção leste estão sob ameaças de interdição devido à peste lunense, que assola cada vez mais estas terras esquecidas pelos deuses.
Litória conta com mais de cinquenta estabelecimentos comerciais entre tabernas, hospedarias, estrebarias e ferrarias. Sendo estas dos mais variados tipos e estilos, podendo agradar assim a todo tipo de público, gostos e bolsos. Algumas que podem ser destacadas como importantes são: As tabernas “O Caneco” e “Coice de Mula”.
A grande proximidade de Caliana com a Floresta de Fiorna faz com que se encontre de forma “comum” Elfos Florestais, seja de passagem, seja estabelecido como locais; muitos guardiões da floresta podem ser facilmente avistados patrulhando as cercanias, e à medida que a aproximação com Fiorna vai aumentando, estes também o vão em número. Por causa da grande quantidade de elfos florestais e meio-elfos, os anões tendem a manter uma enorme distância de Caliana, e caso algum seja visto por estas terras, quase com certeza ele está apenas de passagem, e provavelmente uma passagem bem rápida. Entretanto em termos de formação de cadetes e oficiais, Caliana pode ser considerada o maior centro de treinamento militar de Marana. As tropas reais de infantaria, posto que a cavalaria está voltando para os campos de treinamento de Chipara, bem como quase a totalidade das milícias, são recrutados por todo o reino e treinados em Caliana, pelo menos a base do treinamento é feito aqui. Com o advento da expansão militar pelo qual Marana está passando no atual momento, esse quadro de convocações e treinamentos vão consequentemente aumentar dramaticamente, e apesar de o monarca aparentemente ainda não ter se apercebido disso, Karr já começa a vislumbrar que Caliana terá que passar urgentemente por uma expansão a fim de abarcar tamanha demanda. O grande problema nesse intento é que os de ascendência élfica se opõem veementemente à nova política real e ao novo general das hostes maranenses, e Caliana ameaça ser o ponto de partida de uma guerra civil que já não se faz por esperar.
Chipara sempre foi conhecida em todo o reino por ser um grande centro de criação de cavalos. Suas grandes planícies verdejantes são mais que propícias para a criação, pasto e treino desses magníficos animais. A maioria dos cavalos de guerra que circulam por território maranense e que não vem de reinos próximos trazendo forasteiros, certamente são de Chipara. O Próprio rei Elberto era um dos mais assíduos clientes desses belos animais de guerra, tendo um acordo comercial com o dono do maior haras da região, Oleg Asrarov. O acordo regia que Oleg deveria manter 50% de seus cavalos a disposição da coroa, e o rei se dispunha a isentar o comerciante dos devidos impostos. Um alto funcionário do governo ficava responsável por manter um inventário atualizado das transações entre a coroa e o velho Oleg, devendo constar no dossiê quantos cavalos de guerra leve e pesados eram fornecidos mensalmente. A maioria dos cavalos de guerra de toda a milícia vem do haras “Ferradura de Ouro” do velho Oleg. As corridas de cavalos são muito comuns nessas paragens, o que é um grande atrativo para viajantes e aventureiros em geral, onde certamente pode-se fazer um bom dinheiro. A maior competição de Chipara é anual e financiada pelos seus três maiores criadores de cavalos, Oleg Asrarov, a meia-elfa Helena Alinde e Cícero Urunar. Helena é conhecida por seus belos e obedientes cavalos treinados, e seu toque pessoal é visto em quase 100% dos cavalos que integram os serviços postais. Dos três, Urunar é o que mais tenta inovar e manter um produto diversificado, visto que vende tanto cavalos de guerra, quanto treinados, quanto comuns. Fatalmente não é especializado no treinamento de nenhum, dando essa vantagem aos seus concorrentes, mas alguns boatos dão conta que Urunar tenta trazer uns exemplares dos fantásticos cavalos de guerra pesado de Filanti, e uns belíssimos corcéis da Levânia. Talvez Urunar tencione criar esses animais com um toque maranense, talvez deseje criar uma raça totalmente nova cruzando as três raças. Devido à recente desgraça há quase seis anos essa competição não se realiza, mas agora que as coisas voltam a ir bem seus patrocinadores já anunciam o retorno da festividade para um futuro muito próximo.
Portanto, qualquer um que passasse por Chipara poderia tentar negociar um bom animal por um preço abaixo do “preço de mercado”, porém nos dias de hoje após a coroação de Augustu Zeneri VI, com a possibilidade eminente de guerra e com o vandalismo aumentando de forma considerável o roubo de cavalos por aqui, as negociações não estão mais tão agradáveis como eram há uns poucos anos atrás.
Especula-se até que as expedições que o atual monarca enviou a Luna com o pretexto de buscar mais entendimento sobre o malefício que assola o reino lunense em prol de fabricar uma cura, não passam de uma fachada, e que em verdade, os sábios enviados buscam compreender a peste a fim de que o monarca possa utilizá-la como arma de guerra contra seus inimigos.
Dizem que a magia é bem vista em Marana, sendo a contrário de muitos outros reinos, permitida nos seus efeitos menos destrutivos. Os magos de fato são bem vistos por todo o reino, o que lhes vale certo prestígio, pois os maranenses possuem certa adoração às artes arcanas e há inclusive uma grande devoção a toda sorte de ciências ocultas. Por sua vez a Escola Real de Magia se encarrega de “controlar” os místicos e suas magias quando de passagem pelo território maranense. Dizem que existem postos de identificação em todas as grandes cidades do reino e até em algumas vilas, onde os místicos ao passarem pelos mesmos devem se apresentar e assinar seus nomes em um livro de controle. Nas grandes cidades, os destacamentos da milícia são acompanhados de pelo menos um estudioso das artes arcanas, que a serviço da Escola Real de Magia, ajuda a conter os excessos e identificar os efeitos mais dissimulados. É de conhecimento público que todo crime com envolvimento mágico é julgado por um conselho especial conhecido como Conselho dos Pares, que em verdade é um conselho composto por pessoas da maior confiança do monarca, estando entre eles inclusive o Arcano Mestre da Escola Real de Magia, Lucio Bardi III, que inclusive é um nobre maranense, terceiro filho do Barão de Bardi.
Ganancioso e ciumento de seu direito de primogenitura e do poder proveniente da coroa, Augusto teme a boa índole de seu irmão e trama incessantemente pela sua perda. Alguns comentam discretamente que a mãe de Augustu, após descobrir a real natureza do filho e seus feitos secretos, caiu doente de desgosto e vaga entre a vida e a morte desde então, tendo muito poucos momentos de lucidez.
No princípio Augustu era apenas uma pessoa de índole má e que queria tudo para si. Suas aspirações iam de contra os princípios mais nobres cultivados por seu pai. Karr entrou em cena como uma alma gêmea, num passe de mágica, adivinhando os medos mais secretos de Augustu, e trazendo inúmeras promessas de poder.
Devido às atenções de seu pai, Orsini teve a melhor educação que um filho de Marana poderia ter, tendo Echoriom Anoriel como seu preceptor e grande amigo, Orsini pode desenvolver dentro de si os mais elevados preceitos pregados pela igreja de Selimom. O povo de Marana adora o jovem príncipe com a mesma força que odeia Augustu, e esse fato trama fortemente contra a vida do jovem príncipe. Orsini desde que foi “presenteado” por seu irmão com o título de Arquiduque de Marana, já sofreu ao menos três atentados muito estranhos, ao ponto de Echoriom disponibilizar quatro de seus mais experientes Pacificadores para guardarem Orsini.
Echoriom sabe de tudo o que está acontecendo no reino, aliás, não é a primeira vez que ele vê essas forças malignas se esgueirando por entre os salões reais ameaçando a vidas dos povos através da corrupção de seus reis. Por isso mesmo Echoriom tenta convencer Orsini a ir à missão diplomática a Ludgrim e lá permanecer em segurança sob os cuidados de Elros até que o pior tenha passado. Mas Orsini nega-se a abandonar seu povo e partiu em missão diplomática a Filanti para tentar acalmar a tensão entre as duas nações. Echoriom teme profundamente pela vida do príncipe, uma vez que sua morte em solo filantiano seria o pretexto que Augustu busca para uma guerra.