Frase atribuída ao usurpador Volim Goguistá, o Conquistador.
Eredra é a mais populosa das nações de Tagmar. Limita-se ao norte com Verrogar, a leste com Dantsem e o mar, ao sul com as Terras Selvagens e a oeste com Âmiem e Ludgrim.
Seu clima é muito agradável no verão. Na primavera, as chuvas são as necessárias para a boa lavoura. O outono é a época mais movimentada, quando a colheita é feita e gigantescas caravanas rumam para o norte, ou mesmo para Dantsem e Ludgrim. Essas viagens são especialmente duras, devido ao vento frio que costuma soprar do sul, associada à neblina constante e aos ataques de bandoleiros. Há sempre serviço para mercenários e aventureiros que desejem trabalho e não tenham medo de arriscar a vida. O inverno é frio e longo, costumando nevar até o início da primavera. Bem no final do outono, é uma época de chuvas intensas que tornam as estradas intransitáveis.
A história do surgimento de Eredra data de pouco mais de meio milênio. Por muito tempo depois da chegada dos Moldas no norte de Tagmar, todo o território hoje ocupado pelos eredris foi terra de ninguém. Fora as comunidades que habitavam ao largo dos rios Sevides, Quiris e Odem, todo o restante era ocupado por tribos de um povo chamado pelos verrogaris de eredris. Este povo, considerado fraco e covarde pelos seus vizinhos do norte, sempre foi avesso à guerra e vivia da troca de animais de carga, de lavra e de abate, por cereais cultivados por seus compatriotas das planícies dos grandes rios. Devido aos constantes ataques dos povos bárbaros do sul do rio Quiris, as diversas vilas dos agricultores das partes norte e sul uniram-se, formando a nação de Eredra. Dessa união, os eredris se tornaram um povo forte e temido, mas nunca foram atraídos para grandes conquistas, bastando-lhes apenas defender suas fronteiras naturais.
Não se tem registro do tipo de governo que este povo assumiu no tempo da sua unificação, nem quando exatamente ela ocorreu. Registros encontrados em Saravossa, datados de 930 D.C. falam do imperador dos Eredris. Infelizmente, a Moldânia vivia uma época isolacionista, e este tipo de registro é raridade. Os registros na própria Eredra, que já eram poucos, foram sistematicamente destruídos no tempo da ocupação da Seita, por motivos desconhecidos.
Sabe-se, entretanto, que no ano de 1020 D.C., Agidulfo torna-se o primeiro governante teocrata, iniciando uma forma de governo que perduraria até o aparecimento da Seita. Segundo a lenda, Agidulfo era um agricultor que vivia ao largo do rio chamado, naquela época, de Itéria.
Era um tempo de escassez sem igual nas terras de Eredra. Os deuses, ainda segundo a lenda, haviam deixado seu plano de existência e caminhavam loucos por Tagmar. Agidulfo cuidava da sua plantação que sofria com a seca e pragas, não tendo o suficiente nem para a sua subsistência. Mesmo assim, acolheu e alimentou um homem esquelético que lhe pediu ajuda. No dia seguinte, o homem havia sumido, mas Agidulfo sonhara que Sevides mandava que todo o povo de Eredra devesse lançar as últimas sementes, pois a colheita seria de grande fartura, como não era há anos. Ele saiu a pregar e aqueles que obedeceram, colheram fartamente. Logo ele se tornou famoso, e todos os anos saía pelo país a informar o tempo de plantio e colheita. Da cidade de Itéria, os governantes do país tentaram matá-lo com medo da crescente autoridade que ele conseguia com o povo. A tentativa de assassinato provocou a revolta do povo e a colocação de Agidulfo, agora sacerdote de Sevides, no poder. O rio Itéria foi rebatizado de Sevides em homenagem ao deus que ajudou os eredris.
Em 1111, Teodolinda, sacerdotisa de Sevides, funda a cidade santa e proibida de Efrim. Aumenta o poder dos Sumo Sacerdotes de Quiris e Liris, seus auxiliares, formando um triunvirato.
Em 1157, a cidade de Efrim é tomada por clãs Volins, povos selvagens do sul, liderados pelos Bankdis de Levânia e por monstros de todos os tipos. Apenas após nove meses de resistência, Rotario, o Sumo Sacerdote de Sevides, consegue escapar de Efrim com a ajuda de um grupo de aventureiros. Ele organiza a resistência que muito trabalho viria a dar aos Bankdis e os Volins. O Sumo Sacerdote de Liris é posto no poder como fantoche dos Bankdis. Este foi o início de um longo período negro na história de Eredra.
Todo o poder político e militar de Eredra ficam sob o controle dos Portentans Volins, chefes de clãs dos povos que habitam as Terras Selvagens e conhecidos em Tagmar como Povos Selvagens ou Bárbaros, uma denominação que os Volins não aceitam, pois não são aculturados como se acredita. Os atuais clãs ocupantes do país vieram para expulsar os clãs também volins que há 50 anos apoiavam os Bankdis. O total de guerreiros destes clãs “libertadores” não passa de 20.000 homens que estão espalhados por Eredra e com o vigor bárbaro bastante diluído pelo contato com a civilização. O Portentã Veinor Dente Negro é uma exceção. Ele cresceu e viveu boa parte de sua vida ao sul do rio Quiris, combatendo outros clãs Volins. Todavia, isto é um problema, pois seu estilo de vida não se adequa ao tipo de vida urbana e Veinor não consegue integrar os volins ao trabalho burocrático de Eredra. Desta maneira, continua mantendo uma burocracia quase que, puramente, eredri. Seu principal assessor para assuntos de estado é Emiriano, um eredri irritantemente discreto para o gosto de Veinor, porém extremamente útil.
O Portentã possui uma tropa de elite conhecida como Ursos Selvagens, que é páreo duro para qualquer tropa de Tagmar. Entretanto, são poucos (600 homens) e se o pacífico povo de Eredra desejasse se libertar, os Volins poderiam ser expulsos do país.
O triunvirato não governa, mas tem grande influência sobre a população eredri. A atual independência do Sumo Sacerdote Columbano é vista com preocupação por Veinor. Ele acredita que uma rebelião possa começar se o Sumo Sacerdote de Sevides instigar o povo. Ele pensa em depor Columbano, mas acredita que os riscos de uma rebelião são muito grandes. Ele pensa também em negociar uma maior autoridade para o triunvirato, mas isto, ele acredita, seria decretar o fim da supremacia Volim em longo prazo.
As relações com seus vizinhos são amigáveis. Isto se deve principalmente à dependência deles dos cereais produzidos em Eredra. Dantsem é uma exceção. Recentemente uma embaixada foi enviada deste país a Efrim e Itéria a fim de verificar se Eredra pretende entrar em guerra com Dantsem, pois se supõe que Eredra possui aliança com Verrogar. O Portentã negou categoricamente, mas os Volins não se destacam por sua sinceridade. Sabe-se que uma princesa verrogari vive em Itéria, o motivo é desconhecido. Seria a garantia de algum tratado?
Não existem títulos de nobreza em Eredra. O país é dividido em províncias governadas por Tu-Portentãs. Os títulos Volins estão relacionados abaixo. São títulos mais militares que administrativos, apesar do seu possuidor em muitos casos fazer o papel de governante, general ou capitão. Na verdade, praticamente todo o trabalho burocrático está nas mãos de eredris. O Tu-Portentã apenas dá a ordem e manda punir o não cumprimento dela.
Portentã – General e líder de clã.
Portentani – Herdeiro de clã.
Pir-Portentã – General imediato.
Tu-Portentã – Governador e general.
Vei-Portertã – Capitão (comanda até 200 homens).
Em 1450 D.C., clãs Volins, os mesmos que ajudaram na libertação de Eredra, cruzam o rio Quiris e tomam as principais cidades, exceto Efrim. A Sumo Sacerdotisa de Sevides Avena, utilizando-se das intermináveis intrigas tribais dos Volins, contrata outros clãs Volins para lutarem por Eredra, declarando independência de Saravossa, que não enviou o auxílio solicitado.
No ano seguinte, a guerra Volim acaba. O comandante dos Volins, fiel a Efrim, Portentã Goguistá declara-se Protetor Perpétuo do triunvirato e passa a ser o governador de fato, apoiando-se na impassível burocracia eredri, mais preocupado em manter imperturbáveis as grandes colheitas, do que apoiar um governo nacional independente. Os Sumo Sacerdotes de Quiris, Liris e Sevides, considerados “Enviados Sagrados” pelo povo eredri, tornam-se prisioneiros de sua própria cidade-capital, pois desde então, nenhum deles saiu de lá.
Nas cidades, o povo é ordeiro e simpático, exceto em Efrim, onde nenhum habitante aceitaria a entrada de um intruso. Os Volins conseguiram manter anos de ocupação por ser ela basicamente urbana e se apoiarem na burocracia eredri. De natureza guerreira, pastoril e nômade, eles nunca tiveram intenção de apossarem-se das terras dos eredris, mas sim, enriquecer com o seu trabalho. O Portentã Veinor Dente Negro tem uma preocupação com o fato de quase nenhum Volim se interessar pelos assuntos ligados ao Estado que não estejam ligados à guerra.
O povo de Eredra vive em função da agricultura. A primavera é o tempo de tratar a terra e plantar. No curto verão, cuida-se da plantação e assiste-se aos jogos mortais nas arenas espalhadas por todo o país. Já no outono, colhe-se e vende-se a safra, devendo esta ser escoada antes das chuvas que anunciam o fim da estação. O inverno é o período quando se preparam ferramentas para a próxima safra. Os feriados dedicados a Sevides, Liris e Quiris são dias de grandes festividades.
Os jogos mortais nas arenas de Eredra, realizadas em datas especiais, são a diversão basicamente para os volins, apesar de uma pequena parcela da população apreciar. Entretanto, se um eredri trabalha com ou para um volim, é sempre bom acompanhar os jogos, pois dizer que não gosta é praticamente um crime. Não são raros os assassinatos de eredris por volins devido a algum comentário contrário a estes jogos. E a justiça volim, ao julgar estes casos, geralmente, não inocenta o assassino por defesa da honra. Tudo isto garante espetáculos cheios, mas não muito vibrantes.
Nos jogos lutam gladiadores, monstros, animais e criminosos. As grandes arenas ficam nas principais cidades do país, mas as pequenas cidades possuem suas arenas, montadas muitas vezes em madeira ou em acidentes geográficos que forneçam alguma proteção aos espectadores. Existem companhias especializadas em treinar gladiadores e em capturar e trazer monstros e animais para a arena. Os proprietários destas companhias são pessoas muito ricas e de influência entre os governantes das cidades. Enquanto nos territórios selvagens os jogos são patrocinados, em Eredra eles se sustentam pelas tarifas cobradas na entrada. Não raro, vê-se aventureiros do norte arriscando, por riqueza e fama entre os volins, suas vidas nas arenas.
A justiça em Eredra é feita pelos sacerdotes de Sevides, Quiris e Liris. Eles se reúnem em conselho e decidem a pena que pode variar entre trabalhos forçados e escravatura temporária ou eterna (escravos de Cruine). Em casos extremos, apenas um sacerdote pode dar a sentença, o que é coisa rara, porque os três sacerdotes sempre estão em Efrim, mas ele não poderá ser escravo de Cruine, a única pena que exige confirmação pelos demais sacerdotes.
Crimes cometidos pelos Volins são também julgados por sacerdotes (a cidade de Diam não está respeitando esta regra), mas crimes cometidos contra os Volins são julgados por eles mesmos. Insulto à honra de um Volim seguido de um assassinato de um eredri é considerado um crime contra um Volim. A pena varia entre a morte ou lutar nas arenas do país por 3, 4 ou 5 vezes. Esta pena é praticamente a pena de morte, mas existem casos de que o criminoso conseguiu manter-se vivo. A pena é, então, comutada para escravatura eterna ou temporária, em raríssimos casos. A execução é sempre mostrada nas arenas lotadas e consistem em amarrar o sentenciado pelos pés em uma parelha de cavalos que são levados a correr e pular sobre uma pequena cerca cheia de pontas de ferro. Em alguns casos, os sentenciados são levados a lutar contra monstros até serem derrotados.
De maneira geral, a grande maioria do povo de Eredra não gosta de magia que não venha de um sacerdote ou não sirva para ajudar na safra anual. Esta antipatia já levou muitos magos para as arenas. Assim, Eredra possui um número menor de magos que o normal, principalmente no interior. Nas grandes cidades, o número deles é praticamente o mesmo que se encontraria nas cidades do mesmo tamanho do norte de Tagmar. Excepcionalmente, Brual possui uma concentração de magos além do comum. Suas torres construídas por toda a cidade são uma marca registrada. Os magos de Brual são isolacionistas. Qualquer cidadão de Brual saberia indicar a torre de um determinado mago, mas dificilmente poderia se gabar de tê-lo visto pessoalmente.
Guerras entre os magos de Brual não são raras e, às vezes, têm consequências inusitadas, como o recente aparecimento de criaturas subterrâneas ainda não identificadas, assustando a população.
Efrim tem um dos maiores templos de Sevides em Tagmar e outros belíssimos, dedicados a Liris e Quiris. A cidade é dita proibida, pois seu acesso é terminantemente proibido a estrangeiros, magos e “escravos de Cruine”. Nem mesmo os Volins podem entrar lá. A pena para quem descumpre esta regra é a morte. Único caso em que a justiça eredri a prevê. São raríssimos os casos de invasores poupados e transformados em “escravos de Cruine”.
A guarda da cidade é formada por guerreiros bem treinados, todos eredris em número de 1.500. Sua missão é a de proteger o triunvirato, guardar as entradas da cidade, patrulhar as ruas e acompanhar os cobradores de impostos. Eles formam a Ordem de Cavalaria dos Templos Sagrados. Estes guerreiros são apoiados em seus trabalhos por sacerdotes da Ordem de Sevides, com a missão principal de detectar invasores. Rotario comanda a guarda com mão de ferro. Correm boatos sobre o seu desejo de organizar uma resistência à ocupação Volim e contaria com o apoio de Ariberto.
O administrador da cidade é o Anão Dongur “Queixo Azul”, que vive um dilema: se por um lado, possui um ótimo relacionamento com o Portentã, por outro, seus concidadãos pedem que ele se alie ao General Rotario. Se por um lado, o povo de Eredra vive sem muitos problemas sob a ocupação Volim, por outro, os cidadãos de Diam estão descontentes, devido aos exageros cometidos pela guarda Volim comandada pelo Vei-Portentã Bremer Pé Errado. Foi em Diam onde se concentrou a resistência à ocupação da Seita. Atualmente, Dongur tem um problema bastante sério: o Pântano do Delta, localizado entre os rios Sevides e Liris, está infestado de monstros do mais variados tipos e tamanhos, os quais têm rondado a cidade à noite. Há pouco, um deles rompeu boa parte da muralha da cidade. Devido à escuridão, ninguém pode ver exatamente o que era. Quem estava perto o suficiente para identificar, não sobreviveu.
Por outro lado, a notícia de que os Volins estariam trazendo um poderoso artefato mágico das Terras Selvagens o qual daria poder extra aos usurpadores, preocupa aqueles desejosos de organizarem uma resistência contra a ocupação. Ninguém sabe o que é, nem de onde exatamente vem. A suspeita que tudo não passe de uma mentira para acalmar as tropas Volins não pode ser descartada também.
Entretanto, os Volins de Eredra precisam urgentemente fortalecer sua posição no reino. Notícias das Terras Selvagens dão conta que um poderoso Portentã do extremo sul tem unido vários clãs Volins e conduzindo-os cada vez mais para o norte. Se ele atacar as muralhas de Goguistá, ao sul, haverá guerra. Ninguém sabe ao certo quem ele é e a qual clã pertence. Chamam-no de Grã-Portentã, um título até então inexistente e dizem que ele é um poderoso mago originário da cidade de Brual, mais isto é pouco provável, pois se desconhece magos Volins poderosos.