Tarik Olhos de Tubarão, dono da Taberna “Escama de Tubarão”.
Acordo é um reino que se limita ao Norte e Oeste pelo mar do Norte, e ao Sul e Leste pela cordilheira de Sotopor, sendo divisa natural entre Abadom e Plana. Sendo praticamente um reino costeiro, com o mar no Norte a Oeste, e rios a Norte e Sul, seu clima é ameno e sua vegetação é de florestas densas em toda a sua extensão ao interior do reino, seguindo até a Cordilheira de Sotopor a leste, a qual se estende do nordeste ao sudeste, tornando as viagens e negócios com Plana muito difíceis por terra. Suas regiões ribeirinhas são muito férteis com uma vasta área para o plantio e cultivo da agricultura, bem como da criação de gado para corte e abate. No sudoeste existe uma corrente quente e úmida vinda da Levânia, que enche a área de neblina. Sua capital é Porto Áureo.
A fundação de Acordo se deu no meio da guerra da Seita contra o ancestral povo de Abadom. Com a queda da cidade de Tronum no ano de 1340 D.C., grupos de sobreviventes migraram para outras terras, fugindo da fúria dos exércitos demonistas. Alguns, desesperados, tentaram atravessar as brumas de Dartel e nunca mais foram vistos. Outros tentaram fugir para a Calco. Por fim, um grande grupo rumou para o noroeste, atravessando a Cordilheira de Sotopor e encontrando uma terra propícia para se instalarem e, o mais importante: segura e desconhecida.
Com o passar do tempo, já com as tribos estabelecidas, os lideres começaram uma campanha de reconhecimento e exploração, e encontraram terras férteis perto da costa, bem como uma infinidade de jazidas de minério. Começaram a extrair ferro, cobre e ouro, tudo em pequena quantidade.
O povo refugiado de Abadom começou um paulatino processo de expansão pela região, até que acabaram por estabelecer contato com o povo de Plana. Os comerciantes de Plana ficaram fascinados com a quantidade de minério que eles traziam e logo a notícia se espalhou.
Um grupo formado pelos maiores comerciantes de Plana, sabendo do potencial das minas ao sul, convenceu os lideres das tribos de que precisavam de conhecimento especializado para aproveitarem ao máximo suas jazidas. Então trouxeram um grupo enorme de anões e os deixaram trabalhar. Em pouco tempo, a produção de metal havia dobrado. Em princípio houve resistência, mais logo tanto os lideres quanto o povo aceitaram a presença anã. Até que em 1365 D.C., foi firmado um acordo entre os homens que vieram de Abadom e os anões, estabelecendo os preceitos de trabalho e as regras de partilha da maior e mais duradoura união entre duas raças diferentes de todo o Mundo Conhecido. A partir de então, o que era apenas um refúgio tornou-se um reino, e recebeu o nome de Acordo em homenagem a sua própria história.
Entretanto, a proximidade com Abadom fez com que eles se tornassem quase paranóicos com visitantes estranhos. Muitos vilarejos ao sul tiveram suas populações massacradas por monstros do dia para a noite.
Não existem grandes cidades, como em Calco ou Plana. O reino é composto de pequenos vilarejos e cidadelas que são interligados por estradas principais. Boa parte do reino ainda é desabitado. O seu exército contém basicamente a população, que em tempos de guerra pode se reunir e servir de ataque e defesa. Seu treinamento de guerra vai dos 18 aos 20 anos (humanos) e dos 30 aos 35 anos (anões). Por isso, não é difícil ver anões ou humanos portando armas nas cidades. Também possui alguns navios à sua disposição, no caso de ataque marítimo.
Não é preciso dizer que esse tipo de governo é um tanto estranho em Tagmar, mas até hoje tem dado muito certo. Principalmente porque os povos de Acordo têm o mesmo objetivo: viverem isolados do Mundo e lucrarem com sua extração de minério. Além dessas peculiaridades, os “reis” não têm um poder de decisão tão independente assim, pois o povo pode decidir algumas questões. Seguindo uma tradição que data da fundação do reino, a qual diz que o reino só foi possível graças a um acordo mutuo entre as duas raças, sempre que o povo discordar de uma nova sanção ou lei, poderá ser criado um “Conselho da Dualidade” que reunirá os líderes de suas comunidades, e toda a baixa nobreza, para que juntos cheguem a um acordo razoável a todos, de forma a regular por igual à ação dos reis e do “Conselho Real Misto”. Mas geralmente a decisão dos reis condiz com a decisão do povo. Foram pouquíssimas às vezes que o povo se intrometeu em uma decisão real e foi preciso a reunião de um “Conselho da Dualidade”.
Sua justiça é bem rústica, para os moldes do Mundo Conhecido. Crimes locais contra pessoas comuns, pequenos delitos e dívidas são levadas ao “Conselho dos anciões" dos vilarejos e pequenas cidades ou ao prefeito das cidades maiores. Crimes contra nobres ou grandes comerciantes, grandes delitos e atos contra o reino são levados para a Corte Suprema, constituída pelos reis de Acordo. A pena de morte existe, mas é quase um fenômeno quando ela acontece. Só um grande crime aconteceu e teve esse veredicto em todo o reino para ser levado à Corte Suprema: o caso da fera negra. Hoje o corpo do homem acusado pelos crimes, Nemom Mordecai, está sepultado separadamente dos corpos de cidadãos normais no cemitério de Porto Áureo. Trabalhos forçados e escravidão são as penas pesadas geralmente mais usadas.
Sua economia é basicamente voltada para a exportação da extração mineral, muito prospera no reino. As áreas a Leste, Nordeste, Sudeste e Sul, que contêm as montanhas que formam a Cordilheira de Sotopor são altamente escavadas, tendo várias minas por toda sua extensão. De lá saem os mais diversos minérios, como o ferro, cobre, prata e ouro. Dizem as lendas que até metais mágicos são encontrados em Acordo. A extração é feita pelos moradores dos vilarejos e cidadelas, em sua maioria mineradores, e escoada para capital Porto Áureo onde os metais são pesados e taxados. Boa parte dos minérios é vendida para outros reinos, mas pelo menos a terça parte é deixada lá para a fabricação de armas e utensílios. A agricultura e a pecuária sustentam o mercado interno, graças às vilas ribeirinhas que estão às margens dos rios Norte e Sul, assim tornando-os um pouco independentes dos outros reinos nesse aspecto, embora ainda careçam da maioria dos cereais e de vinhos e outras bebidas, ficando assim, dependentes nesses aspectos de outros reinos.
Tendo a maior economia do Mundo Conhecido, quanto ao quesito da exportação de minérios, Acordo pode ser taxado como um reino rico e até próspero, que isolado tem ainda assim conseguido uma grande notoriedade entre os demais reinos, justamente por sua posição estratégica na exportação de metal e fabricação de armas.
Para quem vê de fora, viver em Acordo não tem grandes atrativos para um aventureiro, mas isso é um engano. Apesar de viverem em um ambiente isolado do mundo isso não quer dizer que convivam com a paz. Todas as expedições para o sul da cordilheira de Sotopor, dentro de Abadom, saem de Acordo. Os piratas de Porto Livre de vez em quando conseguem roubar os navios carregados de minérios, levando-os para seu reino. Os monstros vindos de Abadom sempre são ameaça para as cidades do sul. As “rotas dos minérios” como são chamadas as perigosas estradas que levam a Plana sofrem com as criaturas também, e o comércio por terra é quase inexistente. E existe agora o perigo dos piratas que aportam na costa de Acordo com a finalidade de roubar os moradores de lá e transformá-los em escravos para algum reino distante. Além disso, existe o perigo adormecido. Caso os dragões decidam atacar Acordo, toda a produção de minério do Mundo Conhecido estará comprometida.
Ainda tem o fato de que sempre se precisa de aventureiros para mapear alguma parte ainda desconhecida do reino, alguma caverna não utilizada, assegurar alguma caravana até o seu destino ou combater alguma criatura que anda assolando alguma área.
Os anões vivem em paz com os humanos em Acordo. De fato, Acordo é o maior reino de anões e humanos vivendo em comunidade. Aqui os anões encontraram uma forma de vida extremamente confortável para seu povo. A maioria dos anões vive perto ou mesmo nas minas, que se encontram na Cordilheira de Sotopor, área conhecida como “Minguante de Mon”, pela aparência com uma lua minguante que se estende do Sul, a Sudeste, do Leste a Nordeste, extraindo minério de ferro, e muitos minérios nobres, como o cobre, prata e ouro. Os deuses que os anões mais cultuam é Parom e Maira Mon, esta chegando a ser mais cultuada, em parte pela grande gratidão que os anões têm pela grande fartura de minérios encontrados por todo o reino, na região da Cordilheira de Sotopor, conhecida como “Minguante de Mon” em homenagem a deusa, e Parom, principalmente pelos anões guerreiros que defendem as minas dos constantes ataques feitos pelas criaturas de Abadom.
Dizem os anões que durante o momento em que a Lua se encontra a 90º em relação ao Sol, formando uma quadratura, e sendo chamada de lua minguante, aqui conhecida como Lua de Mon, enquanto ela caminha para sua fase nova, que os sete dias após o início da Lua de Mon são favoráveis ao planejamento de atividades e empreendimentos, acordos comerciais, à conclusão de trabalhos inacabados, à solução criativa de problemas ligados ao passado e ao início de tratamentos da saúde. Bem como na fase em que ela se torna lua nova, aqui chamada de “Lua de Parom”, é favorável a iniciação de jovens na arte da mineração, do início de uma nova mina, a descoberta de novos veios de metal e de ataques bem sucedidos contra as criaturas de Abadom, que infestam o outro lado das Cordilheiras.
Os humanos, que geralmente vivem nas vilas ribeirinhas, e em cidades no litoral de Acordo, na área conhecida como “Crescente de Ganis”, que se estende do Nordeste a Norte, seguindo a noroeste, indo a oeste, e por fim descendo a sudoeste, na área compreendida entre o Rio Norte, e o Rio Sul, são em sua maioria comerciantes, fazendeiros ou agricultores, cultivando grandes áreas de agricultura de subsistência, e criando gado de corte e abate, o que contribui muito para a sobrevivência dos anões, que por sua vez pagam muito bem com os minérios extraídos. Geralmente cultuam Maira Mon, praticamente pelo mesmo motivo dos anões, sua gratidão pela generosa porção de minérios encontrados em toda a extensão da Cordilheira de Sotopor. Há também um culto muito forte a Ganis, Quiris e Liris em praticamente todas as vilas ribeirinhas e cidades litorâneas, e Cambu pela forte influência do comércio em todas as áreas do reino, principalmente na Capital Porto Áureo.
Os humanos assim como os anões partilham das mesmas ideias supersticiosas, porém para os humanos, é a lua crescente que importa, sendo chamada de “Lua de Ganis”, por toda a região do “Crescente de Ganis”, dizem que é favorável a novas expedições marítimas, a pesca, a iniciação náutica de novos marujos, bem como ao lançamento de novas embarcações, sendo levada a sério por todas as vilas ribeirinhas e cidades litorâneas. E finalmente em relação à lua cheia, conhecida em todo o reino como “Lua de Cambu”, dizem que nos sete dias que precedem seu nascer, é de bom agouro deixar uma moeda de prata a sua luz, que ela lhe trará boa fortuna e negócios prósperos, e ainda é capaz de trazer boa sorte pelo resto do mês, até a época do nascimento de uma nova “Lua de Cambu“. Diferente das demais lendas sobre a lua cheia, a maioria de mau agouro, em Acordo ela é tida como a lua dos comerciantes e da boa sorte, também sendo a época ideal para se pagar impostos e dívidas. Em Acordo, essa crença é fielmente seguida, principalmente nas grandes cidades comerciarias.
Elfos, Meio-Elfos e Pequeninos geralmente são encontrados de passagem, principalmente em Porto Áureo, sendo dificilmente vistos no interior ou na região da “Minguante de Mon”.
Os deuses menos cultuados em todo o reino são Plandis e Crezir, e pessoas que adorem esses deuses não são muito bem vistas pela população, embora não haja hostilidades diretas, e sim, mais um sentimento de mal-estar. Não se tem notícia de adoradores da Seita, e ao menor indicio, casos são estabelecidos e investigações feitas. O povo de Acordo, com sua aversão natural a estranhos e grande suspeita de qualquer coisa fora do comum, tem ajudado e muito a manter o reino livre dessa peste.
Porto Áureo é dividido de forma meio caótica, em bairros nobres, bairros de comerciantes, e zona portuária. Na zona portuária, que fica na foz do Rio Sul, existem muitas tabernas, incluindo a famosa Escama de Tubarão, casas de espetáculos e casas de jogos. Aliás, é única cidade onde o jogo de azar é legalizado. Nesta região também ficam os postos de controle dos taxadores oficiais de todo o minério que entra e sai da cidade. A capital de Acordo, embora seja uma cidade grande e até prospera, não é tão limpa e organizada quanto as capitais de Calco, Plana e Conti.
Falam que a magia em Acordo é tratada com praticidade. Magos ganham “status” pelo uso prático da magia na resolução de problemas do cotidiano. Usar a magia de forma diferente é considerado, no mínimo, mal-educado e inoportuno. Como descendentes de Abadom, os mais antigos entre os anões conheceram o poder da magia bem de perto, por isso não veem com bons olhos o uso medíocre deste poder ou do título de mago daqueles que o possuem.
Um dono de uma taberna em Porto Áureo diz que certa vez um aventureiro lhe trouxe, como pagamento por uma noite, um diamante do tamanho de uma maçã. Dizia o aventureiro que ele tinha conseguido em uma caverna que dava para uma cidade subterrânea, onde viviam várias criaturas. Infelizmente esse diamante sumiu, junto com seu dono no outro dia. Outra história, contada por esse taberneiro, é a de que existem criaturas é meio homem, meio lagarto, e que eles vivem em comunidade nos vales que ficam dentro da Cordilheira de Sotopor. Outras dizem que lá sobre as cordilheiras viveu uma civilização muito antiga, que foi extinta com a chegada dos dragões, e que uma grande cidade cheia de maravilhas, hoje desabitada, está esperando para ser descoberta.
Existem outras histórias, falando sobre o litoral Oeste, e por que ele é quente, mas se você quiser saber, dê um pulo em Porto Áureo e pergunte ao taverneiro Tarik Olhos de Tubarão, ele pode falar a você de outras coisas...
As histórias de Tarik, não são as únicas contadas nas várias tabernas, que ficam nas cidades portuárias, por lá dizem muito sobre antigos tesouros perdidos nas montanhas, e sobre cidades proibidas e secretas, encontradas dentro de cavernas imensas, e não bastasse isso há muitos rumores sobre veios de metal mágico, capazes de forjar armas sem igual. Tudo isso acaba atraindo muitos aventureiros incautos, que acabam servindo de refeição nas garras das criaturas mortais que habitam a Cordilheira Sotopor.
Dizem por ai também, que ambos os reis não passam de marionetes, para a figura do “Conselho Real Misto”, e que embora reze a lenda de que o povo tem forte poder opinativo sobre as decisões, que quando estas saem, só cabe ao povo aceitar, pela força dos grandes comerciantes e nobres, que podem da noite pro dia taxar imensamente os carregamentos de minério, tornando o povo pobre e dependente, se assim quiserem.
A pena de morte existe, mas é quase um fenômeno quando ela acontece. Só um grande crime aconteceu e teve esse veredicto em todo o reino para ser levado à Corte Suprema: o caso da fera negra. Hoje o corpo do homem acusado pelos crimes, Nemom Mordecai, está sepultado separadamente dos corpos de cidadãos normais no cemitério de Porto Áureo. Guardado dia e noite numa cripta fechada e vigiada por dois guardas o tempo inteiro. Porém correm boatos de que o verdadeiro culpado não foi pego, e sim um pequeno comerciante que nada tinha a ver com os crimes, por isso lhe deram a pena de morte, pra evitar que ele falasse mais. Dizem que a verdadeira Fera Negra pode ser um nobre ou grande comerciante de grande status entre as autoridades, e por isso o caso foi abafado. Mas as mortes recomeçaram em outra cidade, será o retorno da Fera Negra?
Os pequenos vilarejos do sul têm sido alvo constante de ataques arrasadores por parte das criaturas de Abadom e da Cordilheira de Sotopor, e as autoridades nada estão fazendo, o povo clama por ajuda, mas quando esta chega já não há mais nada a ser feito, correm rumores de que isso seria um pacto, feito há muito tempo atrás, da época da fundação de Acordo, e que o próprio nome de Acordo, seria baseado, não no acordo entre humanos e anões, mas sim, o dos nobres com feras de extremo poder que vivem nas proximidades do sul, na Cordilheira de Sotopor, que de tempos em tempos, grandes sacrifícios seriam oferecidos, para que as poucas vilas extratoras de minério fossem deixadas em paz, e por isso há o grande encorajamento de que o povo situe vilarejos ao sul, se isto for verdade, que tipo de pacto foi feito e com quem?
Muitos também comentam sobre a recente corrida da Levânia para tentar se tornar uma grande exportadora de minério, e de que isto não passaria de um blefe engendrado por grandes nobres de Acordo, num pacto secreto com nobres da Levânia, para elevar as taxas sobre exportação de Acordo para os outros paises, e dentro do próprio reino, como um método de lucrar mais e mais.
Todos sabem que na Cordilheira de Sotopor, existem criaturas terríveis, mas ao que parece, poucos saberiam da existência de um povo meio réptil que ali existiria a muitos séculos, e que teria sido dizimado ou escravizado pelos dragões, ou pior, que seriam servos dos dragões, esperando seus mestres por gerações. Agora estariam apenas aguardando novas ordens dos dragões. Para o que ninguém sabe, mas é obvio que o que quer que seja bom pra eles será péssimo para o resto do reino, e quem sabe do mundo.