Olhos atentos vigiam tudo, o silêncio entre os rochedos só é cortado pelos passos de meus inimigos. O cheiro deles é inconfundível e faz meus pêlos se ouriçarem. O coração bate mais forte e a adrenalina parece tomar meu corpo, a visão obscurece e uma fúria incontrolável queima minha alma.
Eles só percebem que estamos sobre eles quando já é tarde demais. Estes são Crinsom, os amaldiçoados seres que vivem para torturar e matar. Este grupo tem agido impunemente durante anos, atacando vilas bestiais em busca de escravos para as minas.
Eu mesmo durante três anos fui escravo, até que consegui milagrosamente fugir. Hoje vivo a caçá-los. Não posso negar que sinto prazer em dilacerar tais criaturas vis e é o que faço com muito orgulho.
Elas lutam com vigor e força, mas finalmente caem sem, contudo, levar cinco de meus irmãos de luta. O corte no braço ainda dói e minha companheira Uca-iur traz ervas para ajudar a fechar os ferimentos. Mais uma cicatriz para a coleção de tantas outras
Os corpos dos Crinsom foram deixados no mesmo lugar como um alerta para os futuros caçadores que se aventurem por esta região. Mas sei que de nada adiantará: eles virão como sempre vieram, esta é uma guerra sem fim.
Enquanto penso, sou atraído para a fogueira que se ergue no centro da aldeia. Familiares dos mortos lançam nas chamas os pertences dos que se foram em batalha e gritam seus nomes, o mais alto que podem.
Olho para meu filho ainda jovem, aprendendo a andar, e uma força me toma novamente. Grito para as estrelas no céu e sei, mais uma vez, que este é o melhor jeito de honrá-los e o motivo certo pelo que lutar e morrer.
Felizes foram meus antepassados que caminhavam tomados pelo lado selvagem... pela liberdade.”
No passado foram simples humanos que, através da magia dos Reis Feiticeiros, foram transformados em seus guerreiros. Após anos de luta pela sobrevivência, conseguiram o respeito dentro da sociedade Tessaldariana e passaram a ser vistos como irmãos, chegando a ocupar a província de Hermíria, outrora lugar dos traidores Treldorcais, que foram banidos e caçados.
Também é chamada de colônia tessaldariana. São ilhas que se localizam ao norte da península de Tessaldar, na entrada de sua baía. São considerados aliados e possuem senadores eleitos que representam os bestiais junto ao senado.
É o único reino de bestiais em todo o Império. Sua capital está na ilha central e se chama Chajura.
Grande parte das ilhas é de terreno rochoso, sendo difícil tanto o cultivo quanto o armazenamento de água.
“Seriam homens? Como simples homens, de carne e osso, poderiam ter tamanho poder?” assim pensavam seus soldados e todas as pessoas simples que os encontravam.
Como deuses, estes “reis” caminharam pela terra arregimentando fiéis e servos, e à medida que seu poder crescia, crescia sua ambição. Eram reis que buscavam ampliar seus domínios e conquistar todas as terras do mundo, conquistar a todos.
Mas, frente a este poder, existiam homens e criaturas de grande poder. O primeiro grande desafio enfrentado pelos exércitos dos Reis Feiticeiros foram os Tessaldarianos. Estes eram soldados de incrível poder, capazes de se transformar em criaturas medonhas, feras cujo simples rosnar causava terror no coração dos generais.
A selvageria e a força das tropas Tessaldarianas levou à derrota das forças invasoras em muitas batalhas travadas e despertou a atenção e o interesse dos Reis Feiticeiros.
“Poderíamos criar tais soldados?” pensaram os Reis Feiticeiros.
Dos escravos e de parte de suas tropas, experimentos insanos foram feitos até resultar nos bestiais. Seres criados para lutar e morrer, os mais baixos soldados do exército dos Reis Feiticeiros. Alimentados com restos e partes dos tessaldarianos mortos em combate, mais feras do que homens, foram libertados nos campos de batalha.
Apesar do sucesso, eram instáveis. Sua selvageria desencadeou lutas entre eles mesmos e chegaram até a atacar soldados do exército dos Reis Feiticeiros. Os soldados tessaldarianos tinham ordens de destruir qualquer criatura bestial encontrada. Apesar disso, os soldados evitavam lutar com tais criaturas e, quando não ameaçados, deixavam-nas em paz.
Os tessaldarianos percebiam que os bestiais, quando livres e com o passar dos dias, tornavam-se menos selvagens, mas não menos ariscos. Chegavam até a abandonar os campos de batalha para fugir em busca da liberdade. Após anos de grandes batalhas e o grande cataclismo os bestiais se viram, pela primeira vez, livres.
Regente das cidades
Cada cidade conta com um regente eleito por uma emergente aristocracia local de comerciantes. Os candidatos colocam seu nome em aprovação para o cargo de regente e o mais votado em uma assembléia aberta é eleito, e ocupará esta função por um período de 10 anos.
Somente membros da aristocracia e dos militares de alto cargo têm poder de voto, ficando grande parte da população excluída da decisão. O regente, além de controlar a cidade, é responsável pela segurança de seus habitantes, tendo assim o controle das tropas de bestiais.
Chefe da tribo
Mais do que um simples cargo, é uma posição de respeito onde a escolha de seu ocupante é feita pelos anciões da tribo, baseando-se na capacidade pessoal e de liderança do candidato. Qualquer um pode ser escolhido como chefe, independentemente do sexo ou da idade, desde que se mostre capaz de liderar e manter unida a tribo.
Muitas vezes ocorrem substituições rápidas de chefe de tribo, de acordo com a necessidade do momento. Essas mudanças são encaradas com naturalidade entre aqueles que ocuparam o cargo de chefia, pois compreendem que as necessidades da tribo estão acima dos desejos e prioridades individuais.
Um mercado bastante lucrativo e que move uma grande quantidade de ouro e prata. Os produtos são vendidos, em sua grande maioria, para os Tessaldarianos, mas há uma crescente procura destas mercadorias por parte de povos de ilhas distantes, de humanos e raças desconhecidas do além mar.
Já nas tribos litorâneas o comércio de pescado com os Tessaldarianos tem crescido. Grandes quantidades dos mais diversos animais marinhos têm sido comercializadas, em especial a lesma-marinha, considerada uma iguaria nas mesas Tessaldarianas.
É visto pelos bestiais com grande ódio pelos anos de violência promovida pelas tropas do império, assim como pelos anos de escravidão. Uma aliança jamais será feita entre estes povos, sendo que muitos deles buscam a destruição do império.
Porém, existem relatos de bestiais que conseguiram liberdade e prosperidade dentro do Império Aktar, ou de alguns que subiram dentro da hierarquia militar e ainda os que fazem sucesso nas arenas de gladiadores.
Os bestiais que moram na província de Hermíria.
As Cidades-Estado Díctineas
São os únicos humanos do Império que acolhem os bestiais como cidadãos e os protegem. Depois dos Tessaldarianos, é o povo com o qual os bestiais mais realizam comércio. São considerados um povo aliado.
As Cidades-Estado Birsas
A antiga aliança com os birsos desapareceu desde que eles intensificaram suas pesquisas demonistas. Hoje são vistos com desconfiança. Bestiais não são permitidos na sociedade birsa: os que lá residem ou vivem escondidos, ou são escravos ou servos. Apesar disso, há relatos de que alguns, demonstrando tino comercial, se estabilizaram na sociedade birsa.
Crinsom
O ódio entre estas duas raças é imenso. Dificilmente alguém verá um Crinsom e um bestial aliados: sempre que se encontrarem somente um sairá vivo do confronto.
O crescimento do reino bestial é visto como um grande sinal de prosperidade, mas em muitas tribos mais distantes da província de Hermiria a condição dos bestiais nada mudou. Muitos ainda são caçados e tantos outros ainda se encontram em cativeiro nas mãos dos Crinsom e do Império Aktar. Entre os aristocratas em Chajura existe a idéia de financiamento de guerrilhas que levem à libertação de bestiais aprisionados em todo o mundo.
A primeira é que o olfato para esta raça é um dos seus principais sentidos, sendo capazes de guardar o cheiro de um amigo ou inimigo por toda a vida. Por isso nunca são surpreendidos por disfarces comuns, sendo necessário camuflar o cheiro ou não o possuir.
A segunda condição é que, no ato de estender o pescoço para ser cheirado, a confiança no companheiro é demonstrada, uma vez que é oferecida uma das áreas mais vulneráveis do corpo.
Maior Idade
A maior idade é um momento bastante específico do bestial. Quando jovem, apesar de possuir uma família e estar sob os cuidados de suas mães, passa a maior parte de seu tempo com os jovens de sua idade. Vivem em uma matilha, praticando atividades exclusivas da idade.
A prova de força é uma das atividades diárias de um jovem que se prepara para ocupar um lugar dentro da sociedade. É através destes exercícios que aprenderá a lutar, e ainda conquistar o respeito dos demais de sua idade.
Casamento
O casamento dentro da sociedade bestial é feita através de acordos entre as famílias. É baseado no reforço de laços de fidelidade ou acordos econômicos. Porém, ambos podem se separar quando quiserem e casar novamente, se assim desejarem.
Zargati
Uma das armas mais comuns usadas por um bestial. A zargati é uma faca semicircular no formato de uma meia lua, usada para combates a curta distância, em especial em golpes durante o pulo.
Mais do que uma arma, é feita em uma cerimônia entre pai e filho, e depois passada como demonstração de aceitação do jovem por seu antecessor . A arma é composta por pedra ou por ossos, sendo importante frisar que, apesar de não ser resistente como uma arma de ferro, é tão cortante quanto ela, senão mais.
Colares de Ossos
Os bestiais ainda cultivam antigos hábitos de seus antepassados nômades, como o uso de colares feitos de ossos e conchas. Muitos dos ossos são “troféus” de caças ou combate, ostentados com muito orgulho e considerados também como amuletos da sorte.
Com a morte do bestial, seu colar é lançado dentro da fogueira cerimonial.
Fogueira Cerimonial
A morte é vista pelos bestiais como a passagem para outra vida em que ressurge como outro animal no mundo, mas para isso deve se desprender de tudo que ligava a vida anterior. É através da fogueira cerimonial que o corpo e os pertences do morto são destruídos e sua alma tem a possibilidade de seguir o seu rumo.
Os aristocratas comerciais.
Estes vivem nas cidades e mantém o controle das plantações e florestas de especiarias, empregando grande quantidade de mão-de-obra dentro das cidades, para atividades braçais.
Esta florescente aristocracia é originária de um segmento de comerciantes que prosperaram muito com a venda das especiarias para os Tessaldarianos e outros povos da região. Este enriquecimento repentino permitiu não somente agregar poder, mas adquirir títulos aristocráticos pela compra ou através de sua “concessão” pelos governantes Tessaldarianos.
O Povo
Representa a grande maioria que vive nas cidades e nas tribos. Desenvolvem atividades simples para sua própria subsistência ou prestando serviços à aristocracia.
O Culto à Lua tem se tornado cada vez mais freqüente nas tribos, com um crescente número de fiéis.
Festas Civis
A festa de Zaar, comemorada no início do outono, simboliza a liberdade conseguida pelos bestiais e a fundação do seu reino. Zaar, na historia dos bestiais, foi um dos primeiros bestiais a se revoltar contra a escravidão. Apesar de ter morrido escravo, sua revolta levou a fomentar as primeiras rebeliões e fugas das minas de escravos.
Jogos
Os jogos de Inverno são realizados todos os anos: uma dupla de guerreiros luta contra outras duas duplas na arena. Cada integrante tem um dos braços imobilizado e uma corda presa à cintura, a qual o mantém preso à sua dupla.
Na arena feita em terra batida toda a população da vila, ou aldeia, se reúne para ver os embates entre o trio de duplas, que ocorre simultaneamente. Mais do que uma exibição de força, a disputa tem como objetivo fortalecer o trabalho em equipe e a estratégia. Vence a dupla que retirar as demais da arena ou imobilizar seus adversários.
Trazida por Sacerdotes e comerciantes Tessaldarianos, vem ganhando espaço rapidamente nas tribos. Apesar de ser tão bem aceita pela população, somente sacerdotes tessaldarianos podem praticar as liturgias.
Os templos da Lua têm sido erguidos nas tribos a cada ano, apesar de não se compararem aos grandes templos tessaldarianos erguidos nas outras províncias.
Não existe uma língua específica, falada exclusivamente pelos bestiais.
Há relatos de comunidades mais distantes, localizadas no extremo norte, que têm sido misteriosamente arrebatadas por uma doença desconhecida. Aqueles que foram capazes de fugir das aldeias afetadas dizem que todos aqueles que são mordidos, ou feridos pela garra daqueles que têm a doença, apresentam os primeiros sinais de loucura pouco depois, até transformarem-se em feras violentas.
Os bestiais afetados pela doença apresentam, inicialmente, um comportamento melancólico que dura alguns dias, preferindo manterem-se quietos e em locais com pouca luminosidade. Logo em seguida começam a ocorrer alterações mais graves de comportamento, com uma atividade inquieta. Alguns locais passam a ser coçados, até que se transformam em feridas dolorosas.
Por fim, o bestial assume uma conduta selvagem, atacando todos os que se encontram em seu caminho e salivando bastante. A doença, até o momento, é considerada incurável.
As arenas da Morte
Se a escravidão é considerada um ato hediondo, escravizar a própria espécie é ainda mais repugnante. Entre os vários membros das comunidades, ouvem-se boatos sobre o desaparecimento ou abandono de alguns jovens guerreiros aliciados por outros bestiais para participar dos jogos nas Arenas da Morte.
Dizem os boatos que grandes somas de dinheiros são gastos em apostas nas competições de vida e morte que ocorrem nas arenas, e que as lutas mais caras e esperadas são as feitas por bestiais e entre bestiais e Crinsom.
Verdade ou não, as lutas são proibidas em todo o reino e muitos bestiais são estimulados a delatar possíveis locais.
Guerra das Especiarias
Não é de hoje que se ouvem rumores de um conflito entre as duas principais Casas de Especiarias, a Casa de Gornir e a Casa de Baalbar, pelo controle das rotas de especiarias. Uma disputa que vem ocorrendo de forma velada, na forma de pequenos confrontos entre mercadores e saques a navios.
Nas ruas ouvem-se cada vez mais os rumores de um futuro conflito e as casas vêm recrutando novos guardas e guerreiros, o que só vem a colaborar com os boatos.